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    O país europeu que endureceu imigração, mas depende de brasileiros para funcionar; entenda por quê

    7 hours ago

    Entre brasileiros em Portugal, cresce o temor de que fortalecimento do Chega nas urnas se traduza em políticas migratórias mais duras e em um ambiente mais hostil. Getty Images via BBC "Os imigrantes não podem viver de subsídios", estampam os cartazes do partido de extrema direita Chega, que continuam espalhados pelo país desde as últimas eleições. Portugal vem adotando leis migratórias mais rígidas, e o apoio a essas medidas cresce. Estima-se que vivam no país cerca de 1,5 milhão de estrangeiros, em sua maioria trabalhadores migrantes — o equivalente a aproximadamente 14% da população. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Em Portugal, a hostilidade contra estrangeiros — ou, de forma mais direta, o ódio — tem se intensificado. No entanto, os dados mostram que o país já não consegue prescindir dessa população: os imigrantes não recebem mais benefícios sociais do que os portugueses, e o sistema de proteção social enfrentaria dificuldades financeiras sem suas contribuições. Além disso, muitos postos de trabalho ficariam vagos — desde garçons em cafés até trabalhadores rurais responsáveis pela colheita de frutas destinadas à exportação, por exemplo, para a Alemanha. Guia do empreendedor: Renda extra vs negócio principal Um estudo publicado pela Agência para a Integração, Migrações e Asilo (Aima), elaborado pelo Observatório das Migrações, comprova a importância dos trabalhadores estrangeiros para o sistema social português. De acordo com o levantamento, no ano passado cerca de 1,1 milhão de estrangeiros contribuíram para a Previdência Social por estarem empregados formalmente em Portugal. Isso representa um aumento de 447% em relação a dez anos atrás. O valor das contribuições cresceu ainda mais — 763% — alcançando quase 4,2 bilhões de euros, o equivalente a 14% do total arrecadado. Estrangeiros mantêm o país funcionando Segundo o sociólogo Elísio Estanque, especialista em migração laboral, Portugal depende das contribuições dos estrangeiros que trabalham no país. "Portugal está entre os países com a população mais envelhecida da União Europeia. A Previdência Social precisa arcar com um número crescente de aposentadorias, e os gastos com saúde também aumentam de forma significativa. Nesse contexto, as contribuições dos trabalhadores estrangeiros são um suporte essencial", afirma. Mas não é só isso, ressalta Estanque. Para o pesquisador, os estrangeiros praticamente mantêm o país funcionando. "O maior grupo de imigrantes, os brasileiros, concentra-se principalmente no comércio e nos serviços", explica. "Eles dirigem carros de aplicativo, fazem entregas de comida — e são presença constante no atendimento de lojas", acrescenta. A brasileira Verônica Santos é um desses exemplos. Ela chegou a Portugal há três meses e já trabalha em um restaurante na cidade de Leiria. O marido dela atua como ajudante de obra — nenhum dos dois teve dificuldade para encontrar emprego. "Ganhamos um bom dinheiro aqui", diz Verônica, acrescentando que a decisão de se mudar foi acertada. No Brasil, ela afirma que ganharia menos. Mas esse não foi o único motivo para a mudança. "A insegurança é muito grande no Brasil, há muitos crimes. Portugal é muito mais seguro", afirma a jovem, na faixa dos 20 anos. Ela e o marido dizem se sentir bem na nova vida. Sobre o crescimento do ódio contra estrangeiros, Verônica adota um tom mais ponderado. "Racistas existem em todo lugar — em Portugal e também no Brasil. Acho que não há muito o que fazer em relação a isso." Por que brasileiros que emigram preferem EUA, Portugal e Canadá, segundo LinkedIn Getty Images via BBC Imigrantes como bode expiatório Partidos de extrema direita, como o Chega, têm transformado os imigrantes em bodes expiatórios para questões de segurança, afirma João Neves, professor de Economia da Escola Superior de Leiria. Segundo ele, os slogans populistas não refletem a realidade. "Sem trabalhadores imigrantes, setores inteiros da economia teriam de fechar. Falta mão de obra portuguesa e, mesmo com aumentos salariais significativos, não seria possível suprir essa carência", diz. A indústria do turismo, responsável por cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal, depende de mão de obra estrangeira, frequentemente menos valorizada. Sem ela, muitos hotéis não conseguiriam operar. O mesmo vale para diversas propriedades agrícolas, especialmente as que produzem frutas para exportação, que dependem de trabalhadores sazonais vindos, em grande parte, da Ásia. No caso da Previdência Social, o impacto também é expressivo: em 2025, o saldo positivo entre receitas e despesas relacionadas a estrangeiros chegou a 3,3 bilhões de euros. Esse valor veio principalmente de contribuintes jovens, cujas contribuições ajudam a financiar aposentadorias, seguro-desemprego e benefícios por doença de uma população mais envelhecida. Falta política de imigração de longo prazo Embora a mão de obra estrangeira traga benefícios ao país, o ressentimento e o preconceito vêm crescendo em Portugal. "Nos últimos anos, foi relativamente fácil para estrangeiros se estabelecerem para trabalhar no país. Houve uma entrada desordenada, sem uma política eficaz de integração. Isso gerou focos de tensão social e contribuiu para o aumento da xenofobia", avalia o sociólogo Elísio Estanque. Segundo ele, os erros do passado deram origem a novas distorções. "As propostas da extrema direita, das quais o governo tem se aproximado cada vez mais, são desumanas, ineficazes e não solucionam os problemas do país", afirma. Na sua visão, limitar o tempo de permanência dos estrangeiros — eventualmente a apenas seis meses — tende a agravar a situação. "A pressão para aceitar condições de trabalho mais precárias aumenta, já que os imigrantes tentam ganhar o máximo possível em pouco tempo para melhorar de vida ao retornar ao país de origem. Isso os torna mais vulneráveis", conclui. Para o economista João Neves, Portugal precisa desenvolver uma política migratória de longo prazo que seja consistente e sustentável. "Nós também já fomos um país de emigração. Muitos portugueses deixaram suas regiões para trabalhar em outros países da Europa. Isso aconteceu há apenas 60 anos e, ao que parece, não tiramos as devidas lições", afirma. Ainda assim, há regras em vigor: trabalhadores estrangeiros que retornam a seus países não conseguem reaver as contribuições feitas para a aposentadoria, ao contrário do que ocorre, por exemplo, na Alemanha. Esses valores permanecem com a Previdência Social portuguesa.
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