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    Federação diz que nomeação de delegado acusado de matar PRF para cargo de gestão é 'afronta à memória' do agente

    7 hours ago

    Delegado Paulo Henrique Tomaz Moreira. Reprodução/Rede Amazônica/Arquivo A Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF) repudiou a nomeação do delegado Paulo Henrique Tomaz Moreira, acusado de matar o policial rodoviário federal Ivo Seixas Rodrigues, à um cargo gestão na Polícia Civil de Roraima. A organização afirmou, em nota publicada nas redes sociais, que "a decisão de conduzir à gestão pública policial pessoa diretamente vinculada a episódio de tamanha gravidade representa afronta à memória do PRF Ivo Seixas Rodrigues". Disse ainda que a escolha é um "desrespeito aos seus familiares e grave desconsideração para com todos os policiais brasileiros que diariamente arriscam suas vidas em defesa da sociedade" (leia a nota na íntegra no fim da reportagem). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp A reportagem também tenta contato com a defesa de Paulo Henrique. Paulo Henrique foi nomeado diretor de um departamento na Polícia Civil de Roraima pelo governador interino Soldado Sampaio (Republicanos). O g1 apurou que ele vai comandar o Departamento de Operações Especiais (Dopes), considerado um setor de elite. Ele ocupou o cargo em 2019. Em nota, a Polícia Civil disse que a escolha de Paulo Henrique considerou "critérios legais, administrativos e institucionais vigentes, conforme as normas aplicáveis à Administração Pública." Destacou ainda que Paulo Henrique é delegado de carreira e, até o presente momento, "não possui impedimento judicial ou administrativo que restrinja o exercício de suas funções públicas" (leia a integra da nota mais abaixo). Além do delegado, também são réus no processo três agentes da Polícia Civil, e dois amigos deles. Ivo Seixas foi morto em 2018, durante uma operação considerada desastrosa pela Polícia Federa, que investigou o caso na Operação Farsa. "Nenhuma instituição se fortalece ignorando os próprios erros. A verdadeira defesa das forças policiais exige coragem para enfrentar desvios, apurar responsabilidades e preservar a honra daqueles que efetivamente servem à sociedade com dignidade, lealdade e compromisso público", disse a FenaPRF. Vídeos em alta no g1 Assassinato foi filmado O PRF Ivo Seixas Rodrigues foi assassinado a tiros dentro de um hotel no Centro de Boa Vista, em abril de 2018. Segundo investigações da PF, o agente foi morto por engano durante uma ação da Polícia Civil. A ação foi filmada por câmeras de segurança do hotel. Os vídeos registraram o momento em que o delegado e outros policiais chegaram ao quarto de Ivo. Quando a porta foi aberta, eles atiraram. Ferido, o policial caiu ferido no chão e, minutos depois, foi arrastado pelo corretor e levado ao hospital. De acordo com a investigação da PF, os agentes foram ao hotel para abordar um suspeito ligado ao tráfico, mas acabaram confundindo a vítima. Ivo Seixas entrou no quarto às 19h16 e cerca de três hora depois foi morto em Boa Vista Rede Amazônica/Reprodução/Arquivo Na época, a Polícia Civil informou que o PRF estava escoltando 19 Kg de skunk para um traficante preso e que ele havia sido morto depois de uma troca de tiros, após reagir a abordagem. No entanto, semanas depois a PF descartou a participação do PRF com o tráfico de drogas e afirmou que ele havia sido morto por engano em uma "operação desastrosa" da Polícia Civil de Roraima. Com base nas apurações, a Polícia Federal deflagrou a operação “Farsa”, que resultou na prisão de Paulo Henrique e de outros envolvidos no caso, ainda em abril de 2018. Após a prisão, ele foi afastado do cargo de delegado. Na época, a Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF) emitiu uma nota de repúdio ao Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR) alegando demora do poder judiciário nos trâmites do processo. Paulo Henrique e outros três policiais civis de Roraima viraram réus pelo crime em outubro de 2019. A Justiça também aceitou denúncia contra outros dois homens suspeitos de participação no homicídio. O PRF Ivo Seixas Rodrigues estava em um hotel no Centro de Boa Vista quando ocorreu abordagem da Polícia Civil Reprodução/Facebook/Rodrigues Seixas LEIA TAMBÉM: Delegado envolvido em ação que matou PRF por engano deixa cargo de chefia no governo de RR Governador de RR nomeia delegado envolvido em morte de PRF para nova função gratificada Delegado e três agentes da Polícia Civil de Roraima viram réus por homicídio do PRF Ivo Seixas Vídeo mostra PRF sendo morto a tiros por delegado e policiais civis de Roraima Situação judicial A defesa de Paulo Henrique e de outros investigados recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), alegando que os acusados agiram em legítima defesa e no cumprimento do dever legal durante a operação policial. No entanto, em março de 2026, a ministra Maria Marluce Caldas negou o pedido e devolveu o processo as instâncias do Tribunal de Justiça de Roraima, que já havia decidido que o caso deveria ser julgado pelo Tribunal do Júri. O Tribunal de Justiça entendeu que há indícios de homicídio com dolo eventual, quando a pessoa assume o risco de provocar a morte. Por isso, o caso será analisado por jurados, e não por um juiz sozinho. Nota da FenaPRF "NOTA PÚBLICA DE REPÚDIO – Caso PRF Ivo Seixas A Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF) manifesta o mais profundo repúdio, indignação e perplexidade diante da nomeação, para função de gestão na Polícia Civil do Estado de Roraima, de delegado que figura como réu no processo relacionado à morte do Policial Rodoviário Federal Ivo Seixas Rodrigues. O caso Ivo Seixas permanece como uma das páginas mais dolorosas e emblemáticas da história recente da segurança pública brasileira, jamais sendo esquecido pela Polícia Rodoviária Federal e por todos aqueles que defendem instituições sérias, íntegras e comprometidas com a legalidade e a justiça. Em abril de 2018, o PRF Ivo Seixas Rodrigues foi morto durante uma operação policial em Boa Vista/RR. Dias depois, investigação conduzida pela Polícia Federal concluiu que o policial rodoviário federal não possuía qualquer vínculo com tráfico de drogas ou organização criminosa, tendo sido vítima de uma ação cercada por graves irregularidades, posteriormente apuradas no âmbito da denominada “Operação Farsa”. As investigações federais apontaram robustos indícios de fraude processual, manipulação da cena do crime e tentativa de imputar falsamente à vítima envolvimento com atividades criminosas. Os fatos resultaram em denúncia criminal, recebimento da acusação pelo Poder Judiciário e posterior pronúncia dos acusados pelo Tribunal de Justiça de Roraima para submissão ao Tribunal do Júri. Ainda assim, passados mais de sete anos, o caso permanece sem julgamento definitivo — circunstância que aprofunda a sensação de impunidade e perpetua o sofrimento dos familiares, amigos e colegas de farda do PRF Ivo Seixas Rodrigues. A decisão de conduzir à gestão pública policial pessoa diretamente vinculada a episódio de tamanha gravidade representa afronta à memória do PRF Ivo Seixas Rodrigues, desrespeito aos seus familiares e grave desconsideração para com todos os policiais brasileiros que diariamente arriscam suas vidas em defesa da sociedade. A FenaPRF reafirma seu absoluto respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à presunção de inocência. Contudo, destaca que o exercício de funções de liderança em instituições policiais exige não apenas legalidade formal, mas também elevada credibilidade moral, confiança pública e compromisso ético compatíveis com a relevância e a responsabilidade inerentes ao cargo. Infelizmente, situações como esta evidenciam uma realidade que parte da sociedade brasileira ainda reluta em reconhecer: muitos dos graves problemas da segurança pública nacional também encontram raízes dentro do próprio sistema, quando fatos extremamente graves são relativizados, condutas incompatíveis com o interesse público são minimizadas e determinados agentes permanecem protegidos apesar da gravidade das acusações que recaem sobre eles. Nenhuma instituição se fortalece ignorando os próprios erros. A verdadeira defesa das forças policiais exige coragem para enfrentar desvios, apurar responsabilidades e preservar a honra daqueles que efetivamente servem à sociedade com dignidade, lealdade e compromisso público. A FenaPRF seguirá cobrando justiça pelo caso Ivo Seixas Rodrigues e permanecerá firme na defesa da valorização, da memória e da dignidade de todos os Policiais Rodoviários Federais do Brasil. JUSTIÇA POR IVO SEIXAS. Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais – FenaPRF" Nota da Polícia Civil sobre a nomeação do delegado A Polícia Civil de Roraima informa que a designação do delegado citado observou os critérios legais, administrativos e institucionais vigentes, conforme as normas aplicáveis à Administração Pública. O servidor é integrante efetivo da carreira de Delegado de Polícia Civil e, até o presente momento, não possui impedimento judicial ou administrativo que restrinja o exercício de suas funções públicas. A Instituição ressalta que eventuais processos judiciais em curso seguem sob apreciação do Poder Judiciário, respeitando-se o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, não cabendo à Administração emitir juízo sobre matérias sub judice. A PCRR reafirma o compromisso com a legalidade, a responsabilidade institucional, a transparência administrativa e a continuidade dos serviços prestados à sociedade. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.
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