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    Favelas de BH perdem 81% da vegetação em 40 anos, aponta estudo

    1 day ago

    Imagem aérea da ocupação Água Limpa, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte Reprodução/TV Globo As favelas de Belo Horizonte perderam 81% da vegetação entre 1985 e 2025, segundo levantamento do MapBiomas. Em quatro décadas, as áreas verdes nesses territórios passaram de 752 para 145 hectares, enquanto a área urbanizada cresceu 45%, chegando a 1.837 hectares. O avanço da urbanização sobre a vegetação também aparece nos dados de Minas Gerais. No estado, a área urbanizada nas favelas aumentou 149%, e a cobertura vegetal diminuiu 58% no mesmo período. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp Segundo o MapBiomas, a perda de vegetação afeta diretamente as condições de vida dos moradores. Em regiões urbanizadas com pouca arborização, a temperatura média no verão pode ficar até 7°C acima da registrada em áreas de floresta no entorno. Agora no g1 Avanço das construções Na ocupação Água Limpa, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a área urbanizada cresceu 314% em quatro décadas: passou de 65 hectares, em 1985, para 269 hectares, em 2025. No mesmo intervalo, a vegetação encolheu 82%, de 237 para 43 hectares. Os mapas do levantamento mostram que, em 1985, predominavam no território áreas destinadas à agropecuária. Ao longo dos anos, as construções avançaram. O bairro Água Limpa se estende por Nova Lima e Itabirito, com moradias mais simples e de alto padrão às margens da BR-040 e nas áreas de morro. O presidente da Associação do Balneário Água Limpa, Humberto de Moura, acompanhou o crescimento da região e lembra das dificuldades de infraestrutura no início da ocupação. “Não tinha água, não tinha luz, uma precariedade danada. O ônibus parava na BR”, afirma. Segundo ele, as construções também chegaram ao entorno de uma lagoa, em uma área que, de acordo com o relato, foi definida pela Prefeitura de Itabirito como de preservação permanente. “Se você for lá hoje, está cheio de imóveis. Pessoal vai ocupando, vai ocupando, vai ocupando e, depois que ocupou, é complicado.” Calor e risco de inundações Além de ajudar a amenizar o calor, a vegetação contribui para reduzir os impactos das chuvas fortes, explica Julio Pedrassoli, coordenador do Mapeamento de Áreas Urbanizadas do MapBiomas. As folhas diminuem a velocidade da água da chuva e o impacto dela sobre o solo. Com isso, a água chega mais devagar aos rios, o que reduz a possibilidade de acúmulo e de inundações. “Onde você tem vegetação, você tem menos área concretada”, afirma o pesquisador. Ele explica que o solo sem cobertura de concreto também permite que parte da água se infiltre e abasteça o lençol freático, em vez de escoar apenas pela superfície.
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