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    Consumo de carne de caça e comércio ilegal de animais silvestres persistem no Amazonas e em rotas de fronteira, aponta estudo

    7 hours ago

    Espécie resgatada de Gavião Pedrês Divulgação O tráfico de animais silvestres continua sendo um problema na Amazônia, impulsionado por diferentes formas de exploração da fauna, é o que revela o estudo "Human Ecology". O levantamento reuniu dezenas de pesquisas para traçar as principais rotas do tráfico de fauna na Amazônia brasileira, apontando a tríplice fronteira com Colômbia e Peru como uma das zonas mais vulneráveis e críticas do estado. Conforme apontam os pesquisadores no estudo, o comércio ilegal de fauna silvestre no bioma é impulsionado prioritariamente por quatro finalidades: consumo alimentar (carne de caça); usos mágico-religiosos; práticas medicinais; colecionismo como forma de pet. "diferente de outras regiões onde o foco do tráfico recua sobre aves ornamentais para cativeiro, na Amazônia a demanda por consumo consuntivo — especialmente de mamíferos de médio e grande porte, répteis e peixes — assume o protagonismo na dinâmica ilícita", diz um trecho do estudo. ​​📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Áudios e vídeos de grupos de vendas ilegais de bichos exóticos revelam crueldade do tráfico de animais O peso do Amazonas e a pressão sobre as espécies No Amazonas, o uso alimentar da fauna silvestre está profundamente enraizado em contextos locais e culturais. Espécies frequentemente comercializadas em mercados públicos e feiras da região incluem: Mamíferos: como a paca, a anta e o queixada. Répteis e quelônios: como o jacaré-açu, a tartaruga-da-amazônia e o tracajá Peixes ornamentais e de corte: com rotas internacionais expressivas que partem de rios amazonenses rumo a mercados globais. Segundo os dados levantados pela pesquisa, cerca de 25,5% das espécies registradas nos comércios ilegais avaliados constam em listas oficiais de ameaça de extinção do ICMBio. Os autores ressaltam que "peixes e mamíferos de grande porte figuram entre os grupos mais vulneráveis à pressão da caça e da captura desregulada". Filhotes de tracajás sendo devolvidos à natureza no Lago Babaçu, em Itacoatiara. Liam Cavalcante/Rede Amazônica Rotas de fronteira e sazonalidade O estudo detalha que o Amazonas integra zonas críticas de escoamento e transistores de fauna, com destaque para a região da tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. Para os pesquisadores, essa área vulnerável atua como um corredor ativo para a circulação de subprodutos e animais silvestres, desafiando a fiscalização interestadual e internacional devido à vastidão territorial da bacia amazônica e à assimetria nas legislações de proteção entre os países vizinhos. Outro ponto destacado pela investigação acadêmica é a sazonalidade ambiental. Segundo a análise, durante a estação chuvosa, o volume de carne de caça comercializada tende a subir devido à menor disponibilidade ou dificuldade na pesca tradicional. Em contraponto, no período de seca, a descida dos rios facilita a captura de jacarés, a desova e a coleta de quelônios em praias fluviais, intensificando temporariamente a pressão sobre essas populações. Desafios de fiscalização e alternativas sustentáveis A pesquisa enfatiza que o combate ao comércio ilegal na Amazônia esbarra em barreiras logísticas severas e na escassez de recursos estruturais de fiscalização nos rios, portos, aeroportos e feiras livres. Os autores também alertam que "o avanço do comércio clandestino para ambientes virtuais — como redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas digitais, tem tornado o monitoramento ainda mais complexo para os órgãos de segurança e meio ambiente". Como recomendação final, o estudo reforça que políticas públicas eficazes não devem se apoiar apenas na repressão policial, mas na combinação de educação ambiental direcionada, melhoria de oportunidades socioeconômicas para populações vulneráveis e no fortalecimento de alternativas de manejo sustentável de base comunitária, a exemplo de iniciativas bem-sucedidas com o pirarucu, que demonstram ser possível aliar a conservação da biodiversidade à geração de renda na região. LEIA TAMBÉM Quase 900 animais silvestres foram resgatados no AM em 2025, diz Ibama Filhotes de onça são resgatados no interior do Amazonas Roedor silvestre é encontrado com queimaduras nas patas em área de incêndio no AM; VÍDEO Em três dias, 53 animais silvestres são resgatados de cativeiros ilegais na zona leste de Manaus
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