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    Entenda por que Venezuela tem mais reservas de petróleo que o Brasil, mas produz menos

    1 day ago

    Trump quer até 50 milhões de barris de petróleo da Venezuela Apesar de concentrar cerca de 17% das reservas conhecidas de petróleo do mundo — o equivalente a mais de 300 bilhões de barris —, a Venezuela não consegue transformar esse potencial em uma produção robusta. O petróleo da Venezuela virou assunto internacional depois que, no sábado (3), o governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, capturou o então presidente venezuelano Nicolás Maduro e o levou para ser julgado em Nova York por colaboração com o narcotráfico. Trump disse ainda que, após a deposição de Maduro, empresas dos Estados Unidos passarão a explorar o petróleo local. Dados da Statistical Review of World Energy, publicação anual do Instituto de Energia (EI), mostram que a produção venezuelana despencou nas últimas décadas: saiu de um pico de 3,7 milhões de barris por dia em 1970 para um mínimo de 665 mil barris por dia em 2021. Em 2024, houve uma leve recuperação, mas o volume ainda representa menos de 1% da produção global de petróleo. Para efeito de comparação, o Brasil — que não possui reservas do tamanho das venezuelanas — produziu, em novembro de 2025, 3,773 milhões de barris de petróleo por dia e quase 5 milhões de barris por dia quando se soma petróleo e gás natural, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Mas por que a Venezuela, com tantas reservas, produz tão pouco? Especialistas ouvidos pelo g1 apontam três fatores principais para explicar o cenário: as características do petróleo venezuelano; a precariedade da infraestrutura; a falta de investimentos ao longo dos anos. Petróleo mais pesado e caro de processar A pesquisadora da FGV Energia, Luiza Guitarrari, explica que a composição do petróleo varia de acordo com a geografia de cada país e influencia diretamente os custos de produção e refino. “No caso do Brasil, o petróleo é mais leve, o que facilita o refino e permite a produção de derivados mais valorizados, como gasolina e diesel”, afirma. “Isso dá ao país uma vantagem técnica e comercial.” Já o petróleo venezuelano apresenta características mais desafiadoras. “Ele é mais viscoso, com maior teor de enxofre e metais. É um petróleo mais pesado, que exige processos mais caros tanto na extração quanto no refino”, diz Guitarrari. Essas diferenças também impactam as emissões. “O petróleo brasileiro emite menos CO₂, o que hoje é um fator relevante no mercado internacional”, compara Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP). Segundo Guitarrari, o petróleo pesado da Venezuela gera, em muitos casos, derivados de menor valor agregado, usados em aplicações industriais mais intensivas, como a indústria do cimento, o que reduz sua atratividade comercial. Leia também: Dinheiro da venda de petróleo venezuelano será mantido em contas bancárias dos EUA Gargalos de infraestrutura Além das características do petróleo, a Venezuela enfrenta sérios problemas de infraestrutura — da extração ao transporte, processamento e exportação. A combinação de sanções internacionais, elevada dívida externa e instabilidade política dificultou a atração de investimentos e levou à deterioração da malha logística do setor. “Mesmo sentada sobre uma enorme reserva, a Venezuela teve dificuldades para viabilizar o escoamento e o processamento do petróleo por causa das lacunas na infraestrutura”, afirma Guitarrari. Ela lembra que, nos últimos anos, a própria estatal PDVSA chegou a reduzir a produção por falta de mercados para exportação, sobretudo após a imposição de sanções. Hoje, cerca de 43% das exportações venezuelanas têm como destino países asiáticos. Os Estados Unidos, que possuem refinarias capazes de processar petróleo pesado, continuam como compradores, mas em volumes bem menores do que antes das sanções. Manter produção elevada sem capacidade de exportação, explica a pesquisadora, elevaria os custos e os riscos de armazenamento, o que levou a PDVSA a optar por cortes. Falta de investimento e perda de capacidade técnica Outro fator central é a queda no investimento ao longo das últimas décadas. A indústria do petróleo exige aportes constantes em manutenção, tecnologia e qualificação de pessoal. Com a nacionalização do setor nos anos 2000 e a exigência de participação majoritária da PDVSA nos projetos, diversas empresas internacionais deixaram o país. A saída dessas companhias foi acompanhada pela perda de quadros técnicos experientes. “Sem um ambiente de negócios favorável, o capital se deprecia e a produção cai. No caso da Venezuela, isso ocorreu de forma extrema”, afirma Claudio Frischtak, fundador da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios. O cenário se agravou durante os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, com redução do investimento externo e envelhecimento acelerado dos equipamentos. Reportagem recente do Fantástico mostrou estruturas enferrujadas e tecnologia ultrapassada no Lago Maracaibo, uma das áreas históricas de produção do país. Interesse dos Estados Unidos No sábado (3), após a prisão de Nicolás Maduro por forças americanas, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que pretende abrir o setor petrolífero venezuelano à atuação de grandes companhias norte-americanas. Segundo Trump, empresas dos EUA investiriam bilhões de dólares para recuperar a infraestrutura e ampliar a produção. Antes das sanções, refinarias da Costa do Golfo importavam cerca de 500 mil barris por dia da Venezuela. Especialistas alertam, porém, que uma eventual retomada não seria imediata. “Aumentar significativamente a produção exige investimentos elevados e pode levar anos”, afirma Arne Lohmann Rasmussen, analista da consultoria Global Risk Management. Hoje, apesar de deter as maiores reservas do planeta, a Venezuela produz cerca de 1 milhão de barris por dia, um volume considerado baixo diante de seu potencial geológico.
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