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    Como parceria entre Unicamp e Polícia Científica de SP quer criar mapa inédito das novas drogas em circulação

    10 hours ago

    Parceria entre Ciatox e Polícia Científica de SP quer monitorar surgimento de novas drogas no estado Reprodução/EPTV Uma parceria entre o Centro de Informações Toxicológicas (CIATox) da Unicamp e a Polícia Técnico-Científica (SPTC) de São Paulo quer mudar a forma como o estado acompanha a circulação de novas drogas sintéticas. O projeto prevê a criação de um sistema que reunirá, pela primeira vez, dados de apreensões policiais, análises laboratoriais e registros de intoxicação. O objetivo é ajudar a identificar rapidamente as chamadas Novas Substâncias Psicoativas (NSP) e apoiar políticas públicas de saúde e segurança. Batizada de NSP-Monitor, a iniciativa é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), na modalidade Pesquisa em Políticas Públicas, e terá duração de quatro anos. 🧪 Entenda: as novas substâncias psicoativas (NSP) são drogas sintéticas criadas a partir de pequenas alterações químicas em substâncias já conhecidas. Como surgem rapidamente e seus efeitos ainda são pouco conhecidos, dificultam a identificação, o tratamento de intoxicações e o controle pelas autoridades. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp Segundo os pesquisadores, a proposta surge em um momento em que as drogas sintéticas vêm se tornando cada vez mais variadas. O Relatório Mundial sobre Drogas 2026, da Organização das Nações Unidas (ONU), aponta que 755 novas substâncias psicoativas circulavam no mundo em 2024, sendo 118 identificadas pela primeira vez naquele ano. Com a criação do NSP-Monitor, a expectativa é monitorar como esse movimento se dá em São Paulo. Por isso, entre os resultados esperados estão um banco de dados padronizado sobre as NSP, ferramentas de análise para gestores públicos e uma plataforma com parte das informações disponível para consulta da população. Nesta reportagem você vai entender: Qual o desafio hoje no controle das NSP Como o NSP-Monitor vai funcionar Por que o NSP-Monitor quer ser mais do que um banco de dados Benefícios da plataforma no tratamento de pessoas intoxicadas Quem poderá acessar a plataforma Quando os dados estarão disponíveis O problema hoje Segundo o coordenador do CIATox, o professor José Luiz da Costa, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unicamp, a ideia nasceu justamente para resolver uma deficiência na gestão de informações relacionadas ao surgimento de novos entorpecentes. Embora os laboratórios da Polícia Científica produzam laudos sobre drogas apreendidas, essas informações ainda não estão reunidas em um sistema único. "Hoje a Polícia Científica de São Paulo não tem um banco de dados, ela não tem uma harmonização dos dados sobre drogas sintéticas." Atualmente, existem relatórios sobre drogas sintéticas, mas eles dependem de levantamento manual de dados e não conseguem consolidar automaticamente as informações produzidas pelos diferentes laboratórios espalhados por São Paulo. Isso significa que uma nova substância identificada em uma cidade pode demorar para ser conhecida em outras regiões ou para chegar aos profissionais da saúde que lidam com casos de intoxicação. "Às vezes, uma substância está sendo detectada lá em Rio Preto, em Araçatuba ou em Votuporanga, e a comunicação do dado fica muito mais devagar", explica José Luiz. LEIA TAMBÉM: Unicamp analisa saliva de usuários de droga em festas e conclui que 63% pode não saber o que está usando Unicamp identifica nova droga 50 vezes mais potente que fentanil pela 1ª vez no Brasil; entenda Como o NSP-Monitor vai funcionar Na prática, o projeto pretende criar uma grande plataforma de monitoramento das novas substâncias psicoativas. O sistema vai reunir informações que hoje estão dispersas em diferentes instituições, como: laudos periciais da Polícia Técnico-Científica; registros de apreensões; informações laboratoriais e toxicológicas; dados clínicos do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox). Ao integrar essas bases, será possível acompanhar o surgimento de novas drogas quase em tempo real e responder perguntas que hoje são difíceis de responder rapidamente, como: quais substâncias começaram a circular; em quais regiões elas aparecem; quando passaram a ser identificadas; quais efeitos tóxicos estão provocando. Segundo José Luiz, o sistema será alimentado automaticamente pelos próprios laudos produzidos pelos peritos. As informações serão harmonizadas dentro de um banco de dados no servidor da polícia. Além disso, o projeto não deve alterar a rotina de trabalho dos laboratórios e nem transferir as análises para a universidade. A função da Unicamp, portanto, é contribuir com conhecimento científico para desenvolver o sistema e organizar as informações produzidas pela Polícia Científica. "Dentro da ideia da Unicamp, junto com a polícia, é pensar esse grande banco de dados, usar o conhecimento que a gente tem de novas substâncias psicoativas para ajudar e trabalhar junto com os peritos." Identificar padrões e antecipar tendências A proposta do NSP-Monitor não é apenas criar um banco de dados. Os pesquisadores pretendem transformar essas informações em ferramentas de inteligência capazes de identificar padrões e antecipar tendências. A plataforma deve gerar indicadores geográficos e temporais, produzir alertas sobre o aparecimento de novas drogas e permitir acompanhar mudanças no mercado de substâncias. Essas análises poderão ajudar órgãos de segurança a identificar regiões onde determinadas drogas começam a circular, orientar operações policiais e apoiar ações preventivas. A expectativa é que, futuramente, o sistema também seja integrado ao programa Muralha Paulista, iniciativa do Governo de São Paulo voltada ao monitoramento e integração de informações de segurança pública. Benefícios também para a saúde O projeto também pretende reduzir um dos principais desafios enfrentados por médicos e toxicologistas. As novas substâncias psicoativas costumam surgir antes mesmo de serem conhecidas pela comunidade científica e, muitas vezes, seus efeitos ainda são pouco compreendidos. Isso dificulta o diagnóstico e, consequentemente, afeta o tratamento de pacientes. Ao acelerar o compartilhamento das informações, a expectativa é que hospitais e centros especializados recebam alertas mais rapidamente sobre novas drogas em circulação, tomem conhecimento sobre como elas atuam e prestem um suporte mais eficiente aos intoxicados. "Essa é uma das grandes motivações do projeto: você ter a informação mais célere", afirma José Luiz. Assim, o NSP-Monitor também tem uma função sanitária importante porque pode: alertar hospitais e centros de intoxicação sobre novas substâncias perigosas; melhorar o diagnóstico de intoxicações; auxiliar no tratamento de pacientes; reduzir o tempo de resposta diante de novos surtos de intoxicação. Parte dos dados será pública Nem todas as informações reunidas pelo sistema poderão ser consultadas. Dados relacionados a investigações policiais continuarão restritos, mas o projeto prevê um nível de acesso público com informações consideradas de interesse da sociedade. "Existem níveis de acesso de informação, mas com certeza vai ter um nível de acesso que vai ser público, sendo as substâncias que são apreendidas no estado de São Paulo. Isso vai ser público porque é de interesse público saber quais substâncias estão circulando." Implantação será gradual O projeto começou oficialmente neste ano, após a assinatura do convênio entre a Unicamp, a Polícia Científica e a Fapesp. A equipe trabalha agora na organização das informações disponíveis, na definição da estrutura do sistema e na contratação de pesquisadores. A implantação será feita por etapas. Os primeiros laboratórios da Polícia Científica devem começar a alimentar a plataforma até o fim deste ano. Já a versão aberta ao público deverá ser disponibilizada aproximadamente na metade da execução do projeto, até 2028. "O projeto é de quatro anos. A plataforma online estaria disponível para a população do meio para o final do projeto. Os primeiros laboratórios da polícia já estariam começando a funcionar, provavelmente, no final do ano." Apreensões de drogas 'K' preocupam polícia e Unicamp alerta para aumento de intoxicação VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.
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