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    Usina escondida em SP já foi alvo de bombardeio e hoje socorre o sistema nacional de energia

    há 1 dia

    Usina Henry Borden completa 100 anos Se você já deixou o litoral de São Paulo pela Rodovia Anchieta, deve ter se deparado com dois tubos enormes cortando a Serra do Mar de cima a baixo. Trata-se do complexo Henry Borden — formado por duas usinas hidrelétricas, em Cubatão (SP). Com 100 anos de história, ele já foi alvo de bombardeio durante a Revolução Constitucionalista de 1932 e ajudou a alavancar o desenvolvimento industrial do estado. O complexo foi considerado até 1970 a maior usina hidrelétrica com potência instalada do Hemisfério Sul. Marco da engenharia hidrelétrica do início do século passado, com uso de relevo de alta queda para geração de energia, o modelo foi superado por projetos de menor impacto ao meio ambiente. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. Hoje, ele mantém sua importância estratégica interligada ao sistema nacional de energia. Neste sábado (7), um evento marcará o centenário do complexo com a inauguração do Espaço Cultural Henry Borden, dedicado à preservação e valorização da história e do legado do local. 💡A Henry Borden Complexo Henry Borden é composto por duas usinas hidrelétricas: externa (à esq) e subterrânea (à dir) Vanessa Rodrigues/A Tribuna Jornal A Henry Borden pertence à Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae). A estatal foi privatizada pelo governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos), em leilão realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em 2024. A unidade foi adquirida por R$ 1,04 bilhão para o Fundo Phoenix de Investimentos em Participações Multiestratégia. Inaugurado em 1926, o complexo tem capacidade máxima de 889 megawatts/hora, quantidade de energia capaz de abastecer uma cidade com 2 milhões de imóveis, considerando indústrias e comércios. Quando o g1 visitou o complexo em 2025, o coordenador de operações da usina, Emerson Laube, afirmou que a energia é suficiente para abastecer 4,2 milhões de residências. Para se adequar à legislação estadual ambiental que só permite o bombeamento das águas do Rio Pinheiros para o Reservatório Billings em situações emergenciais, a Henry Borden teve sua operação regulada em 1992. Apesar disso, o complexo ainda serve estrategicamente como reserva ao sistema. 📈Impacto no estado Tubulação de água que desce a serra à caminho da usina Henry Borden Renata Bitar/g1 O complexo Henry Borden foi essencial para a industrialização do Polo de Cubatão, mas o impacto ao Estado de São Paulo é menos conhecido. "Quando foram inauguradas e, aos poucos, tendo a capacidade implantada, praticamente dobrou a geração de energia do estado de São Paulo", afirmou Laube. Segundo ele, isso refletiu no impulsionamento do crescimento industrial. 💣Alvo de bombardeio Oito longos tubos fincados na Serra do Mar permitem o transporte da água do reservatório até a Usina Henry Borden Vanessa Rodrigues/A Tribuna Jornal Durante a Revolução Constitucionalista de 1932,movimento armado ocorrido no Estado de São Paulo para derrubar o Governo Federal Provisório de Getúlio Vargas e exigir a promulgação de uma nova constituição para o Brasil, o complexo Henry Borden foi bombardeado. Em 28 de julho de 1932, hidroaviões lançaram duas bombas na região de Cubatão e uma atingiu a sala de controle da usina, perfurando o teto e estilhaçando as janelas. A intenção teria sido parar a geração de energia elétrica e, dessa forma, parar as fábricas que as tropas paulistas estavam utilizando para fabricar o material bélico deles contra o governo Getúlio Vargas. Ninguém ficou gravemente ferido. 🤷‍♀️Como funciona? INFOGRÁFICO: Por dentro do complexo Henry Borden Arte/g1 O complexo Henry Borden tem 14 grupos de unidades geradoras de energia: 8 na usina externa, capaz de gerar até 469 megawatts/hora, e 6 na subterrânea, com capacidade de geração de 420 megawatts/hora. Juntas, geram 889 MW. Há quem pense que as tubulações são usadas para transporte de combustível, mas o grupo de adutoras transporta a água do reservatório Billings para alimentar as unidades geradoras da usina. A represa Billings foi construída, inicialmente, para atender a Henry Borden. A queda d'água, entre a altura do reservatório e o ponto onde está a casa de força, tem 720 metros de altura, o que rende outro título à Henry Borden: o de uma das 10 maiores usinas do mundo com esse tipo de queda. 🆘Socorro ao sistema nacional INFOGRÁFICO: Henry Borden tem importância história e estratégica para SP Arte/g1 No início da operação, as usinas abasteciam toda a Baixada Santista e a região sudeste de São Paulo. Atualmente, a capacidade máxima das usinas não é utilizada diariamente. O complexo Henry Borden serve como backup [reserva] do Sistema Interligado Nacional (SIN). O SIN funciona como um "anel", onde todos os geradores conectam as respectivas usinas e, de lá, quando necessário, as transmissoras retiram energia. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos
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