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    UFJF pede desculpas por uso de corpos de pacientes do Hospital Colônia de Barbacena

    3 weeks ago

    UFMG pede desculpas por uso de corpos de pacientes do Hospital Colônia A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) publicou, nesta segunda-feira (18), uma carta de retratação pública pelo uso de corpos de pacientes do Hospital Colônia de Barbacena. O local, fundado em 1903, ficou marcado como um dos maiores símbolos de violação de direitos humanos no Brasil. A publicação ocorreu no Dia Nacional da Luta Antimanicomial, que marca a luta pela reforma psiquiátrica e pelo fim dos manicômios no Brasil, em defesa do cuidado, da liberdade e dos direitos das pessoas com transtornos mentais. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Segundo a UFJF, os registros internos do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da instituição indicam que a universidade recebeu 169 corpos entre os anos de 1962 e 1971, para atividades didáticas em aulas de anatomia voltadas aos cursos da área da saúde. "Em respeito ao direito à verdade, à justiça e à memória, a Universidade Federal de Juiz de Fora pede desculpas à sociedade brasileira por essa prática, que aviltou os corpos e a dignidade das pessoas falecidas no Hospital Colônia de Barbacena", disse a UFJF em nota. Ainda no pronunciamento, a UFJF se comprometeu a seguir as recomendações da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão da Procuradoria da República em Minas Gerais (MPF), que instaurou um inquérito no ano passado, e a adotar práticas para conscientizar a população sobre o assunto. A instituição citou ainda que, desde 2010, o Departamento de Anatomia do ICB iniciou a implementação do Programa de Doação Voluntária de Corpos – Sempre Vivo. Desde então, todos os corpos recebidos pela instituição são provenientes exclusivamente de doações voluntárias. Em abril, o g1 mostrou que a universidade avaliava fazer uma retratação após a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) também ter se posicionado sobre o tema. Corpos foram vendidos sem autorização das famílias Imagem de arquivo mostra pacientes do Hospital Colônia de Barbacena Divulgação A venda de corpos do Hospital Colônia de Barbacena foi abordada no livro ‘Holocausto Brasileiro’, da escritora juiz-forana Daniela Arbex. Conforme pesquisa da autora, pelo menos 1.857 cadáveres foram vendidos entre 1969 e 1981 para 17 instituições de ensino. Na moeda atual, o valor de cada um seria de cerca de R$ 323. “Essas pessoas não alcançaram valor nem na morte. Elas não foram respeitadas nem após a morte, porque os seus corpos foram vendidos sem o consentimento das famílias”, avaliou a jornalista em entrevista à TV Integração. Símbolo da violação dos direitos humanos Hospital Colônia de Barbacena, foto de arquivo Centro Cultural do Ministério da Saúde/Divulgação O Hospital Colônia de Barbacena foi fundado em 1903 e ficou marcado como um dos maiores símbolos de violação dos direitos humanos no Brasil. Criado para tratar pessoas com transtornos mentais, recebeu milhares de internos sem qualquer diagnóstico. Os pacientes eram internados de forma compulsória e expostos a situações desumanas. Apenas 30% deles tinham diagnóstico de doença mental. Homossexuais, militantes políticos e mulheres que haviam perdido a virgindade antes do casamento também eram enviados para Barbacena. Ao longo de décadas, cerca de 60 mil pessoas morreram na instituição, vítimas de abandono, maus-tratos e condições desumanas. Muitas não receberam enterro e, em outros casos, os corpos foram vendidos para faculdades. Em abril, o Governo de Minas informou que os últimos pacientes seriam transferidos do local em maio e que a unidade seria fechada. LEIA TAMBÉM: MPF investiga internações compulsórias e busca reparação para pacientes de antigos hospitais psiquiátricos em MG Museu da Loucura completa 25 anos de fundação em Barbacena Últimos pacientes do Hospital Colônia de Barbacena serão transferidos; local é conhecido por violação de direitos humanos VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes e
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