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    Trump afirma que EUA poderá intervir se o Irã começar a matar pessoas; mais de 60 já morreram nos protestos

    1 day ago

    Vídeos mostram caos nas ruas do Irã em manifestações contra o governo Khamenei O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os EUA devem intervir se o Irã começar a matar pessoas. A declaração foi feita nesta sexta-feira (9) a repórteres na Casa Branca. "Vamos atingi-los com muita força onde mais dói", disse ele, acrescentando que seu governo está acompanhando atentamente a situação no Irã. Trump já havia dito que faria uma intervenção na semana passada. No dia 2 de janeiro, ele declarou em uma publicação na rede social Truth Social, Trump disse que os EUA estão “prontos para agir” se pessoas que protestam de forma pacífica forem mortas (relembre aqui). Protestos motivados por crise econômica Protestantes tomaram as ruas do Irã contra o governo do aiatolá Ali Khamenei. Eles eclodiram no final de dezembro em Teerã e foram motivados por uma crise econômica —a moeda do país, o rial, perdeu metade de seu valor frente ao dólar no ano passado e a inflação ultrapassou os 40% em dezembro— no entanto, com o passar dos dias e com a repressão policial, os manifestantes passaram a exigir a renúncia de Khamenei. O líder supremo do Irã disse também nesta sexta que seu governo "não vai recuar" diante dos protestos generalizados. Multidões em diversas cidades iranianas gritaram palavras de ordem contra o regime, incendiou carros e rasgou a bandeira do país Em pronunciamento transmitido pela TV estatal, Ali Khamenei chamou os manifestantes de “vândalos” e “sabotadores”. “Na noite passada, em Teerã, um grupo de vândalos e arruaceiros veio e destruiu um prédio que pertencia ao Estado, ao próprio povo, apenas para agradar o presidente dos Estados Unidos”, disse Khamenei. Ele acusou os manifestantes “estarem destruindo as próprias ruas para agradar o presidente de outro país”, em referência a Trump. O líder iraniano disse para o líder norte-americano “cuidar do seu próprio país”. Até o momento, os protestos deixaram mais de 60 mortos, incluindo membros das forças de segurança, segundo contagens de organizações de direitos humanos atuando no Irã. As manifestações se tornaram as maiores demonstrações contra o governo iraniano desde 2009 e protestos já foram registrados em 25 das 31 províncias iranianas, segundo uma contagem da agência de notícias AFP. Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, discursa perante membros do Judiciário iraniano em Teerã em 16 de julho de 2025. Gabinete do líder supremo do Irã/Wana via Reuters O que está por trás da crise O Irã enfrenta dificuldades econômicas há anos, impactado principalmente pela reimposição de sanções pelos Estados Unidos. A medida foi adotada em 2018, quando o presidente Donald Trump deixou um acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano. Ao retornar à Casa Branca, em janeiro de 2025, Trump retomou uma política de pressão máxima contra o Irã. Em setembro, sanções também foram impostas pelas Nações Unidas, levando o governo iraniano a realizar reuniões para tentar evitar um colapso econômico. A situação também foi agravada pelo conflito entre Irã e Israel, em junho. À época, forças israelenses e dos EUA realizaram ataques contra alvos ligados ao programa nuclear iraniano. Em meio a esse cenário, a população passou a enfrentar inflação elevada, acima de 40% ao ano. O descontentamento também cresceu diante da desigualdade entre cidadãos comuns e a elite do país, além de denúncias de corrupção no governo. Na segunda-feira, o presidente do Banco Central do Irã renunciou ao cargo. A mídia iraniana afirmou que políticas recentes de liberalização econômica pressionaram a moeda local, levando a uma rápida desvalorização. Somente em 2025, o rial iraniano perdeu cerca de metade do valor em relação ao dólar e atingiu a mínima histórica neste mês. O contexto econômico se soma a tensões políticas internas. Desde a Revolução Islâmica de 1979, o Irã é uma república teocrática, em que a autoridade máxima é o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Ele está no poder há mais de 30 anos. O regime é alvo de críticas por violações de direitos humanos e restrições a liberdades sociais, especialmente entre os mais jovens, que encabeçaram vários protestos nos últimos anos.
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