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    Tenente-coronel acusado de matar esposa é julgado em processo que pode expulsá‑lo da PM de SP; testemunhas são ouvidas

    4 days ago

    Tenente-coronel Geraldo Neto é levado para presídio militar Romão Gomes O tenente‑coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso sob a acusação de matar a esposa em fevereiro, a soldado Gisele Alves, começou a ser julgado no mês passado em um processo administrativo que pode resultar na expulsão da Polícia Militar (PM) de São Paulo. O oficial responde a um Conselho de Justificação (CJ), procedimento interno da PM que avalia se um oficial reúne condições morais e funcionais para permanecer na corporação (saiba mais abaixo). A fase de instrução do processo começou em abril com as oitivas de testemunhas. Nesta segunda‑feira (4), o Diário Oficial do Estado de São Paulo informou que novos depoimentos ocorrerão por videoconferência, nos dias 11 e 14 de maio. Ainda não há confirmação sobre quando Geraldo Neto será ouvido. Segundo o edital, o advogado do tenente‑coronel, Eugênio Malavasi, foi intimado a comparecer às audiências, nas quais serão ouvidas quatro testemunhas: o policial militar que chegou ao local do crime com sua equipe para atender a ocorrência em 18 de fevereiro; e três agentes da PM, amigas de Gisele. Procurada pelo g1 para comentar o assunto, a defesa de Geraldo Neto informou que não faria "nenhum" posicionamento sobre o processo contra seu cliente no Conselho de Justificação. No dia 11 de maio, às 9h, será ouvida uma soldado; às 11h, e um primeiro‑tenente. Já no dia 14 de maio, às 9h, está prevista a oitiva de uma subtenente e, às 11h, de uma cabo. O Conselho de Justificação foi instaurado por resolução do secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, publicada no Diário Oficial em 31 de março. O procedimento administrativo ocorre de forma independente do processo criminal. Em depoimentos que deram anteriormente à Polícia Civil, o tenente havia dito que "estranhou esta ocorrência em específico, pois o local estava mais preservado do que o de costume numa situação dessas". As três agentes da PM tinham falado antes à investigação que eram amigas da policial morta. E que o marido dela "controlava as redes sociais" dela, a proibia de usar maquiagem e perfume, e espionava a esposa. Disseram ainda que Gisele queria se separar do tenente-coronel após descobrir que ele a traía. E que a mulher nunca teve tendências suicidas. 'Qualquer hora me mata': PM que morreu com tiro na cabeça se queixou de ciúmes de tenente-coronel em mensagem Acusação e prisão PM Gisele foi baleada e morta pelo marido, tenente-coronel Neto, segundo o MP. Oficial está detido há mais de um mês no Presídio Militar Romão Gomes (ao centro). Reprodução No dia 29 de abril, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, decidiu que a Justiça comum deverá julgar, se necessário, o tenente‑coronel da PM pelo assassinato da esposa policial no apartamento do casal, no Brás, centro da capital paulista. Geraldo Neto é réu na Justiça comum por feminicídio e fraude processual. Ele tem 53 anos; Gisele tinha 32. Ela deixou uma filha de 7 anos, fruto de um relacionamento anterior. O oficial está preso preventivamente desde 18 de março no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo. Ele é acusado de matar a esposa com um tiro na cabeça. Segundo o Ministério Público (MP), Gisele queria se separar e o marido não aceitava o fim do relacionamento. A acusação sustenta que o tenente‑coronel matou a esposa e tentou simular um suicídio. A defesa nega o crime e afirma que a soldado tirou a própria vida. O oficial alega que a mulher se matou após ele pedir o divórcio. No entanto, laudos periciais e investigações da Polícia Civil e do MP apontam que ele teria segurado a cabeça da vítima antes do disparo e alterado a cena do crime. Mensagens extraídas do celular do tenente‑coronel indicam, segundo o MP, um padrão de controle e violência doméstica. Em alguns trechos, ele se autodenominava “macho alfa” e exigia que a esposa se comportasse como uma “fêmea beta”. Além disso, vídeos gravados pelas câmeras corporais dos policiais militares que atenderam à ocorrência colocaram em xeque a versão de suicídio apresentada por Neto. Se condenado, a Justiça pode fixar indenização mínima de R$ 100 mil à família da vítima. No presídio, o oficial cumpre regime fechado, com permanência de cerca de 22 horas por dia em cela dividida com outros três policiais militares, além de direito a banho de sol diário e refeições regulares, conforme informou a Polícia Militar. O que é o Conselho de Justificação Corregedoria prende tenente-coronel da PM acusado de matar esposa e simular suicídio O Conselho de Justificação é um processo administrativo previsto na legislação militar e aplicado exclusivamente a oficiais da PM. Ele é instaurado quando há indícios de que um oficial praticou ato considerado incompatível com o decoro da classe, a honra pessoal ou o pundonor militar. O conselho é formado por três coronéis da PM, que analisam documentos, ouvem testemunhas e avaliam a conduta funcional e moral do oficial. Ao final, o colegiado emite um parecer sobre a compatibilidade do militar com o oficialato. "O Conselho de Justificação é muito parecido como um julgamento propriamente dito. A diferença é que aqui é uma esfera administrativa disciplinar. Não vai ser avaliada a conduta do assassinato, mas a fraude processual por usar a patente para intimidar subordinados durante a ocorrência da morte da esposa", disse ao g1 o advogado Gabriel Teixeira, membro da Comissão de Direito Militar da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Santa Catarina. Caso o Conselho de Justificação conclua que o oficial é incompatível com a carreira, o processo é encaminhado ao secretário da Segurança Pública e depois ao Tribunal de Justiça Militar (TJM), que pode determinar a perda do posto e da patente. A decisão final cabe ao tribunal e, posteriormente, é publicada no Diário Oficial pelo governador do estado. O julgamento administrativo ocorre independentemente do andamento da ação penal. Mesmo sem condenação criminal, um oficial pode ser expulso da corporação se a Justiça Militar entender que houve quebra de decoro incompatível com a função. Em 2 de abril deste ano, a PM aposentou Neto da corporação. Mesmo aposentado, ele continua recebendo o salário que — no mês de fevereiro de 2026, antes da prisão — foi de R$ 28,9 mil brutos, segundo o Portal da Transparência do governo paulista. Caso seja expulso da corporação pelo Conselho de Justificação, ele poderá perder esse benefício.
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