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    Técnico eleito por voto popular, show do intervalo e VAR antes do VAR: as ideias para o futebol que já passaram pelo Congresso

    há 18 horas

    Técnico eleito por voto popular: ideias para o futebol que já passaram pelo Congresso Desde 1947, deputados e senadores apresentaram 511 projetos de lei relacionados ao futebol no Congresso Nacional. Levantamento do g1 com dados da Câmara dos Deputados revela que, entre as propostas que não vingaram e acabaram arquivadas, há ideias que hoje soam curiosas, como a eleição direta para o técnico da Seleção Brasileira e a obrigatoriedade de shows musicais nos intervalos das partidas. O histórico legislativo também reúne propostas que anteciparam debates que só ganhariam força décadas depois. É o caso da utilização de recursos de vídeo na análise de jogadas, tema que viria a se concretizar anos mais tarde com a adoção do árbitro de vídeo (VAR) no futebol profissional. Eleição direta para técnico Uma das propostas mais curiosas surgiu em 1986, três anos após o início da campanha pelas Diretas Já. Antonio Pontes, o deputado que mais apresentou projetos relacionados ao futebol naquele período, propôs que o técnico e os dirigentes da seleção fossem escolhidos por meio de eleições diretas. A ideia foi formalizada no Projeto de Lei (PL) 8.482. Eleições diretas para a escolha da seleção de futebol e seus dirigentes era a proposta de um PL de 1986, de autoria do deputado Antonio Pontes. Reprodução/Câmara dos Deputados Na justificativa, o deputado criticava os critérios de convocação da seleção brasileira e citava jogadores que haviam sido cortados da equipe para a Copa do Mundo do México. Ao questionar as escolhas do então técnico Telê Santana, Pontes argumentou: "Conseguiu a façanha única de, numa mesma seleção, cortar nada menos do que quatro (repito, quatro) pontas — Marinho, Renato, Éder e Sídney. Isso só pode ser falta de critério." Telê Santana Arquivo Público O texto atribuía os "fatos lamentáveis" envolvendo a seleção à "falta de respeito aos direitos humanos que ainda perdura em nosso País". "Não se pode confundir independência com falta de respeito ao profissional do futebol, mesmo porque o jogador é um ser humano e um patrimônio do seu clube, e não pode ficar exposto a cortes feitos sem qualquer critério." Não foi um caso isolado. Nos anos seguintes, outros parlamentares também tentaram regulamentar por lei a composição da comissão técnica da seleção e os critérios para a escolha do treinador. Nenhuma dessas propostas avançou. Em 1990, o deputado Antônio Salim Curiati apresentou um projeto para que a comissão técnica da seleção contasse com dois ex-jogadores campeões do mundo. Segundo a justificativa, as "experiências vividas em campo" poderiam "revigorar o nosso futebol". "Há quem afirme que o nosso futebol acabou, já que há vinte anos não ganhamos uma Copa; que temos um futebol ultrapassado, enquanto os outros países evoluíram, inovaram e cresceram. Entendemos que nós também precisamos evoluir, inovar e voltar a crescer e a brilhar", dizia a justificativa da proposição. Em 1990, o deputado Antônio Curiati propôs a entrada de dois ex-atletas ganhadores da Copa do Mundo na comissão técnica da seleção brasileira Reprodução/Câmara dos Deputados Antidoping para árbitros A conduta dos árbitros também virou alvo de projeto de lei. O PL 8.497, de 1986, de autoria do deputado Antonio Pontes, tornava obrigatório o exame antidoping para árbitros e assistentes em todo o país. A proposta reagia ao sentimento de que os árbitros eram vistos como "pessoas superiores e intocáveis", acima das leis. O texto estendia aos árbitros as mesmas exigências feitas aos atletas e previa que partidas realizadas sem essa fiscalização não seriam reconhecidas pela Justiça Desportiva. O projeto ainda citava lances polêmicos para embasar a proposta. "Ainda estão bem vivos na memória dos torcedores acontecimentos deploráveis no setor de arbitragem, como gols feitos com a mão; bolas que não entraram (agora mesmo isso ocorreu no Jogo Brasil com a Alemanha Oriental, embora o árbitro não fosse brasileiro) mas o gol foi validado; e até recentemente, quando todo o Brasil assistiu, pela TV, ao pênalti em Cláudio Adão não assinalado pelo árbitro José Roberto Wright, na final do Campeonato Carioca de Futebol de 1985, entre Bangú e Fluminense" O VAR antes do VAR VAR - CBF Cisco Nobre/GloboEsporte.com Algumas propostas anteciparam debates que só ganhariam forma décadas depois. Em 1975, o deputado Ney Lopes apresentou um projeto para utilizar gravações em vídeo na análise de partidas de futebol profissional. O Projeto de Lei 1.563 previa que imagens registradas por emissoras de televisão pudessem ser usadas como prova na Justiça Desportiva — uma ideia que antecedeu em décadas a adoção do árbitro de vídeo (VAR). Na justificativa, o parlamentar argumentava que o "olho da objetiva" — referência à lente da câmera — não tem paixões nem sofre pressões, sendo um instrumento mais confiável para avaliar a atuação dos árbitros. Em 1975, o deputado Ney Lopes propôs o uso de "video-fita" no julgamento de lances em jogos de futebol profissional. Reprodução/Câmara dos Deputados Em 1982, o deputado Pedro Lauro foi além com o PL 6.470. O projeto previa a instalação de quatro telões nos estádios para que a equipe de arbitragem pudesse revisar lances polêmicos durante a partida. PL de 1982, de autoria do deputado Pedro Lauro, introduzia o "vídeo-tape" para analisar jogadas. Reprodução/Câmara dos Deputados O autor argumentava que a velocidade do jogo tornava impossível alcançar total precisão apenas com a observação humana. Sustentava ainda que o uso do recurso, ao contrário do que muitos imaginavam, aumentaria o tempo de bola rolando ao reduzir discussões e controvérsias durante as partidas. As duas propostas foram rejeitadas. O árbitro de vídeo (VAR) só seria adotado no Campeonato Brasileiro em 2019, após iniciativa da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), mais de quarenta anos depois da primeira tentativa de introduzir o uso de imagens na arbitragem por meio de um projeto apresentado no Congresso. Show no intervalo Nas décadas de 1970 e 1980, o Congresso debateu projetos que tornariam obrigatória a apresentação de bandas de música amadora no intervalo dos jogos de futebol. Em 1974, o deputado Braz Nogueira propôs que bandas amadoras se apresentassem obrigatoriamente em partidas profissionais. Segundo ele, esses grupos musicais faziam parte do patrimônio cultural brasileiro, mas estavam desaparecendo por falta de apoio. Em 1974, o deputado Braz Nogueira propôs a "exibição de corporações musicais amadoras" durante os intervalos de jogos de futebol. Reprodução/Câmara dos Deputados Em 1981, o deputado Daniel Silva retomou a ideia no PL 4.561. Além de defender a música nacional, ele argumentou que as bandas ofereceriam entretenimento e ajudariam a manter o público dentro dos estádios, reduzindo riscos ligados à violência urbana. "A apresentação, de forma obrigatória, de corporações musicais amadoras no intervalo de partida de futebol com ingresso pago, servirá, sem dúvida, para reverter essa expectativa, além de constituir-se numa solução que apresenta a vantagem da segurança, já que hoje a população tem medo de sair às ruas ou formar aglomerações, por causa do aumento da criminalidade". Para os dois parlamentares, os estádios seriam o lugar ideal para levar a música ao grande público. Em 1981, um projeto de lei apresentado pelo deputado Daniel Silva estabelecia a obrigatoriedade de apresentações de corporações musicais durante os intervalos de jogos. Reprodução/Câmara dos Deputados As propostas foram rejeitadas. Para os críticos, a ideia de Daniel Silva violava a livre iniciativa e, ironicamente, copiava um modelo típico dos espetáculos esportivos norte-americanos — o mesmo tipo de influência estrangeira que os defensores do projeto costumavam criticar.
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