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    Tarifaço dos EUA encarece produtos brasileiros e pressiona pequenas e médias empresas; veja como

    16 hours ago

    Tarifaço dos EUA atinge os pequenos exportadores. Reprodução/Jornal Nacional As micro e pequenas empresas brasileiras, responsáveis pela maior parte dos empregos formais do país, já buscam alternativas para enfrentar as novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos. Cerca de 40% das empresas brasileiras que exportam para o mercado americano são de pequeno porte e tendem a ser mais vulneráveis a barreiras comerciais. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Vender para os Estados Unidos nunca foi simples. Além dos custos de frete e da concorrência com marcas locais e internacionais, exportadores agora precisam lidar com o aumento das tarifas sobre produtos brasileiros. A empresária Amanda já sente os efeitos da medida. Segundo ela, um dos produtos mais vendidos da marca, um modelo de biquíni, passou de US$ 36 para US$ 60 no mercado americano. "O primeiro e mais vendido é o nosso cortininha e ele foi de 36 dólares para 60 dólares", afirma. O impacto é ainda mais significativo porque parte das vendas foi fechada antes dos anúncios mais recentes de aumento das tarifas. "Eu envio esse produto com o preço fechado, então eu cubro esse valor. Mas, no final, vai um pouco de custo para todo mundo porque eu repasso para o importador, que muito possivelmente vai repassar para o comprador final", diz. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que micro e pequenas empresas representam 40% das companhias brasileiras que exportam para os Estados Unidos. Apesar disso, respondem por apenas 1,6% do valor total exportado. Mesmo com participação modesta no volume financeiro das exportações, o segmento tem peso relevante na economia brasileira por concentrar a maior parte dos empregos formais. Segundo o presidente do Sebrae Nacional, Rodrigo de Sousa Soares, as micro e pequenas empresas representam 95% dos CNPJs do país. "Esse ano já foram abertos quase 3 milhões de pequenos negócios no Brasil, que geraram cerca de 450 mil empregos no país, mais de 60% dos empregos gerados no Brasil. Por isso, qualquer impacto nas exportações pode também afetar o nível de emprego", afirma. Os Estados Unidos são atualmente o principal destino das exportações realizadas por micro e pequenas empresas brasileiras, à frente de China e Argentina. Entre os produtos vendidos estão máquinas, materiais elétricos, móveis, calçados e roupas. Em muitos casos, são mercadorias desenvolvidas especificamente para atender ao padrão e ao gosto do consumidor americano, o que dificulta a busca por novos compradores. Para o economista Mauro Rochlin, da Fundação Getulio Vargas (FGV), setores como o de confecções podem enfrentar dificuldades para redirecionar suas vendas. "Quando a gente fala de moda, fala de um produto muito específico, que pode agradar um mercado, mas não necessariamente outros mercados. Há uma dificuldade de adaptação e, por isso, empresas de confecção vão encontrar desafios para se reposicionar." Segundo ele, a adaptação para novos mercados pode exigir mudanças no próprio produto. "O que o brasileiro tem para oferecer para o americano não é exatamente o que o europeu vai se interessar. Ele vai ter que adaptar o produto ao novo mercado, e o custo dessa adaptação não é baixo." GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional Apesar das dificuldades, algumas empresas já começam a buscar alternativas. Uma marca de moda praia afirma que pretende manter as negociações com os Estados Unidos, mas também avalia oportunidades em outros destinos. A empresária Marina vê potencial especialmente no mercado europeu e no Caribe. "O mercado europeu também é bastante interessante, porque gosta de um produto com design diferenciado, com detalhe, com acabamento. E o Caribe também é um supermercado para praia", afirma.
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