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    Soltos, presos e foragido: o paradeiro dos suspeitos em esquema de R$ 27 milhões que usou saúde de MS como moeda de troca

    14 hours ago

    Operação Gutenberg Dez dias após a deflagração da Operação Gutenberg, que revelou um suposto esquema de corrupção investigado por movimentar R$ 27 milhões, 12 dos 16 alvos de mandados de prisão continuam presos. Três investigados estão em liberdade e um permanece foragido. ➡️ Segundo o Ministério Público, vagas em hospitais e a realização de cirurgias eram condicionadas à compra de livros da Editora Avante. Conforme a investigação, os suspeitos usavam regulação de vagas, exames e cirurgias do Sistema Único de Saúde (SUS) em Mato Grosso do Sul para pressionar prefeitos a comprar livros da empresa investigada. A operação indicou que acesso aos serviços de saúde era usado como "moeda de troca" nas negociações. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp RELEMBRE - Durante a operação realizada na terça-feira em 7 de julho, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) foi às ruas para cumprir 16 mandados de prisão e 43 mandados de busca e apreensão. Ao todo, 15 pessoas foram presas em Campo Grande, Dourados e em uma cidade de Goiás. Um investigado continua foragido. Os agentes também apreenderam mais de R$ 70 mil em dinheiro vivo e cheques já preenchidos. Presos, soltos e foragido Heyder Bartz é o único foragido entre os alvos de mandados de prisão. Redes sociais/Reprodução FORAGIDO - Heyder Bartz Ele é o único entre os alvos de mandado de prisão que está foragido. Heyder Bartz é apontado pelo Gaeco como um dos chefes da suposta organização. Segundo o Ministério Público, ele integrava, ao lado da dentista Rossana Paroschi Jafar e do empresário Francisco Anizio dos Santos, o núcleo responsável pelas decisões administrativas e financeiras da Editora Avante. Proprietário da empresa Superconteúdo Marketing Digital, Heyder é descrito pelos investigadores como responsável pela gestão estratégica do grupo, incluindo a definição de pagamentos e a divisão dos valores obtidos com o esquema. O Ministério Público afirma que a atuação de Heyder e de Anizio foi decisiva para todo o esquema criminoso" A investigação aponta que a participação direta de Heyder aparece em mensagens obtidas após a quebra do sigilo telemático dos investigados. A defesa Heyder Bartz esclarece que, "até o presente momento, não teve acesso formal à decisão que supostamente determinou a expedição do mandado de prisão, razão pela qual não foi possível tomar ciência de seus exatos fundamentos. Contudo, ressalta-se que a defesa já estabeleceu contato voluntário com os agentes e autoridades responsáveis pela condução do caso, colocando o cliente integralmente à disposição da Justica para cooperar com as investigações e prestar todos os esclarecimentos necessários, sendo informados que eventual intimação chegaria posteriormente em outro momento". SOLTOS - Jessyca, Joatan e Geancarlo Jessyca Duarte Burgatt, filha de Ed Carlo Britto Burgatt, foi a primeira investigada a deixar a prisão. Em 11 de julho, a Justiça substituiu a prisão preventiva por prisão domiciliar após a defesa alegar que ela é lactante. Segundo o MPMS, parte dos valores ligados ao suposto esquema teria sido repassada ao pai dela por meio de pessoas próximas, entre elas a própria Jessyca; Joatan Gomes Peixoto deixou a prisão nessa quinta-feira (16), com monitoramento por tornozeleira eletrônica. A medida cautelar valerá por, no mínimo, 180 dias. Conforme a defesa, representada pelo advogado André Stuart, a decisão considerou a necessidade de cuidados com a família do investigado; Geancarlo Leal de Freitas. O servidor público foi solto pela Justiça nesta sexta-feira (17). Ao g1, o advogado dele, Thiago Bunning, afirmou que os fatos foram esclarecidos, comprovando que o cliente não teve participação em nenhum crime investigado. “Ele foi preso apenas por ser servidor público municipal em Dourados (MS). O cargo ocupado por ele é de fiscal de obras particulares, não tem nenhuma relação com os fatos investigados. Geancarlo é servidor há 26 anos, nunca foi investigado ou processado. Não conhece nenhum dos investigados e nem as empresas investigadas”, disse a defesa por meio de nota. Da direita para a esquerda Gabriel Taquino de Paula , Paulo e Douglas de Melo, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, na fileira de cima. Ed Carlo Britto Burgatt, Olívia Jafar e Rossana Paroschi Jafar na fileira de baixo. Redes Sociais PRESOS - Rossana, Olívia, Felipe, Giovanni, Rhayane, Eronivaldo, Ed Carlo, Francisco, Matheus, Douglas e Gabriel Rossana Paroschi Jafar, empresária; Olívia Paroschi Jafar, médica e filha de Rossana; Felipe Paroschi Jafar, ex-comissionado na Agesul e filho de Rossana; Giovanni Paroschi Jafar, filho de Rossana; Rhayane Souza Fanaia, ex-nora de Rossana; Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, ex-prefeito de Fátima do Sul e assessor parlamentar; Ed Carlo Britto Burgatt, coordenador de regulação de MS; Francisco Anizio dos Santos; Matheus Oliveira Peixoto; Paulo Rogério de Melo, empresário; Douglas Henrique de Melo, empresário e filho de Paulo; Gabriel Taquino de Paula. A defesa de Francisco Anizio dos Santos, Ed Carlo Britto Burgatt, Gabriel Taquino de Paula e Matheus Oliveira Peixoto disse que ainda não teve acesso aos autos. O g1 não conseguiu localizar as defesas de Rossana, Olívia, Felipe, Giovanni e Rhayane. As defesas de Paulo Rogério de Melo e Douglas Henrique de Melo não se manifestaram. A defesa de Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior disse que ainda não teve acesso à íntegra do processo e "tampouco aos fundamentos da decisão, motivo pelo qual qualquer manifestação seria prematura. Tão logo tenha conhecimento dos autos, a defesa se pronunciará pelas vias adequadas". Saúde de MS como 'moeda de troca' Família Paroschi Jafar, suspeita de esquema em Campo Grande. Redes sociais/Reprodução A Operação Gutenberg, deflagrada em 7 de julho de 2026 pelo Gaeco, investiga uma organização criminosa que utilizava a regulação de vagas do SUS como "moeda de troca" para forçar prefeituras a comprar livros paradidáticos. O esquema, classificado pelo MP como "repugnante", é suspeito de condicionar o acesso da população a exames, cirurgias e leitos hospitalares à assinatura de contratos com a Editora Avante, movimentando cerca de R$ 27 milhões em recursos públicos entre 2022 e 2024. As investigações revelaram que o grupo interferia diretamente nos setores de compras das prefeituras, oferecendo um "manual" com o passo a passo para burlar licitações. Esse material incluía orientações desde a elaboração de estudos técnicos preliminares até a emissão de pareceres jurídicos e notas fiscais, permitindo que a empresa direcionasse as contratações por inexigibilidade de licitação. 🔎 O grupo é apontado como uma sucessão familiar do esquema investigado anteriormente na Operação Lama Asfáltica, mantendo modelos similares de atuação sob o comando de Rossana Paroschi Jafar. O núcleo do esquema contava com a participação decisiva de Ed Carlo Britto Burgatt, então coordenador de regulação da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS), que usava seu cargo para privilegiar ou punir municípios conforme o interesse da editora. Mensagens interceptadas mostram Burgatt e o advogado Gabriel Taquino de Paula discutindo a suspensão de serviços de saúde, com frases como: "Deixa o povo sem leito lá"; "Só opera se fechar", caso os prefeitos não aceitassem os contratos de livros; Em contrapartida, prefeituras parceiras recebiam liberações rápidas de exames complexos e "vagas zero". Financeiramente, a organização operava de forma estruturada para ocultar e pulverizar o dinheiro obtido ilegalmente. Segundo o MP, a Editora Avante era registrada em nome de "laranjas", e os recursos eram distribuídos por meio de saques fracionados e transferências para familiares dos líderes para dificultar o rastreamento.
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