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    Reino Unido vai compartilhar arma secreta com a Ucrânia

    9 hours ago

    Ucrânia ataca infraestrutura econômica da Rússia e deixa mortos; Putin ameaça com retaliação O Reino Unido deve dar acesso à Ucrânia ao sistema de mísseis Storm Shadow, desenvolvidos em parceria com a França. A medida, anunciada nesta segunda-feira (24) pelo primeiro-ministro Andy Burnham, permitirá que os ucranianos produzam as armas no próprio país. 🔎O Storm Shadow, como o míssil é chamado no Reino Unido, e o SCALP, nome usado pela França, são versões da mesma arma, desenvolvida pela fabricante europeia MBDA. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A Ucrânia já utiliza os dois mísseis contra alvos militares russos. Eles são lançados por aviões de combate e usados principalmente contra instalações protegidas, como bunkers e centros de comando. A transferência de tecnologia, porém, não deve mudar o rumo da guerra de imediato. A produção de um míssil desse é cara - cerca de 1 milhão de libras (R$ 7,02 milhões) -, e exige uma cadeia de fornecedores que ainda precisará ser estruturada em território ucraniano. Especialistas avaliam que pode levar anos até que a produção local alcance uma escala relevante. A familiaridade da Ucrânia com o Storm Shadow e o SCALP pode acelerar o processo, mas não elimina os desafios industriais. LEIA TAMBÉM Rússia quer aumentar produção de mísseis e recrutar 300 mil novos soldados para guerra na Ucrânia, afirma Zelensky Coreia do Norte lança mísseis balísticos em meio a exercícios conjuntos de EUA e Coreia do Sul EUA estão vulneráveis? Como a baixa nos estoques de mísseis ameaça a defesa norte-americana Autossuficiência bélica A dificuldade expõe um problema mais amplo enfrentado pelos países ocidentais. Reino Unido e outros integrantes da Otan passaram décadas investindo em armas de alta tecnologia, mas produzidas em quantidades relativamente pequenas. Em uma guerra longa, os estoques podem acabar rapidamente. O próprio Reino Unido mudou sua estratégia. O país deixou de comprar novos Storm Shadow e passou a desenvolver um novo míssil de longo alcance, o Brakestop, com menos dependência de componentes estrangeiros e custo inferior ao da arma franco-britânica. A Ucrânia, por outro lado, ampliou rapidamente sua indústria militar durante a guerra. O país passou a produzir drones e outros armamentos em grande escala, usando em alguns casos componentes comerciais de baixo custo. Os drones de longo alcance se tornaram uma das principais formas de Kiev atacar instalações russas a centenas de quilômetros da fronteira. Esse avanço, porém, não resolve todos os problemas. A Ucrânia ainda depende de países aliados para armas mais complexas, principalmente sistemas capazes de interceptar mísseis balísticos russos. O exemplo mais urgente é o Patriot, fabricado nos Estados Unidos. A escassez de interceptadores tem deixado parte da defesa aérea ucraniana vulnerável às ondas de ataques russos. Em agosto, o presidente Volodymyr Zelensky disse que as entregas de interceptadores em 2026 haviam caído para cerca de um terço do volume recebido no ano anterior. A falta de Patriots também se agravou por causa da demanda gerada por outros conflitos. A Ucrânia pediu autorização para fabricar os interceptadores em seu território, mas o governo de Donald Trump recuou de um apoio inicial à ideia. Enquanto isso, empresas ucranianas tentam desenvolver alternativas próprias. A Fire Point, por exemplo, produz mísseis de cruzeiro e drones capazes de atingir alvos a longa distância dentro da Rússia. A Ucrânia também trabalha no desenvolvimento de interceptadores próprios, com apoio europeu. O desafio é maior: destruir um míssil em alta velocidade exige tecnologia muito mais complexa do que a empregada em drones de ataque. A iniciativa também provocou reação da Rússia. O Kremlin acusou o Reino Unido de aumentar seu envolvimento no conflito e afirmou que o compartilhamento de tecnologia representa uma escalada da participação britânica na guerra. Apoio europeu A visita de Burnham acontece no mesmo dia em que a União Europeia anunciou um novo pacote de ajuda de € 6,1 bilhões (R$ 36 bilhões) para a Ucrânia. O dinheiro faz parte de um empréstimo de € 90 bilhões concedido ao país. Segundo a Comissão Europeia, o reforço militar é cada vez mais urgente diante dos ataques russos. Em julho, a Rússia lançou quase 400 mísseis contra a Ucrânia. Mais da metade dos recursos será destinada à área militar. O objetivo é reforçar a defesa aérea da Ucrânia e aumentar a disponibilidade de mísseis e munições. Entre as principais necessidades estão os interceptadores Patriot. O anúncio ocorreu no mesmo dia em que a Ucrânia celebra 35 anos de independência. Zelensky se reuniu nesta segunda com líderes europeus que integram a chamada Coalizão dos Dispostos. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou apoio ao país e afirmou que a UE mantém seu compromisso com os ucranianos. Míssil de cruzeiro Storm Shadow, fabricado pelo Reino Unido. AP Photo/Lewis Joly, File
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