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    Reforma trabalhista ameaça futuro de brasileiros que moram na Argentina: 'faz repensar se não é um caminho voltar'

    há 3 meses

    Gaúcha que mora na Argentina relata incertezas após aprovação de reforma trabalhista Reforma trabalhista proposta pelo presidente argentino Javier Milei e aprovada pela Câmara dos Deputados na semana passada ameaça o futuro dos brasileiros que vivem e trabalham no país vizinho. Alguns já repensam sua permanência, enquanto o texto retorna ao Senado para apreciação final. A proposta amplia a jornada máxima para 12 horas, altera o cálculo de indenização por demissão e impõe restrições à licença médica. A reforma provoca preocupação em meio à queda no poder de compra, resultado da inflação alta combinada a salários congelados e ao fechamento de postos de trabalho. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp As mudanças fazem brasileiros reconsiderarem o futuro no país vizinho. Entre eles está a gaúcha Manuela Fonseca, de Porto Alegre, que vive na Argentina há mais de 10 anos. “Venho me questionando pela primeira vez, pelos últimos dois anos. Nunca esteve no meu horizonte voltar. Por mais que houvesse crises, era algo mais estável. Agora, me faz repensar se não é um caminho voltar para o Brasil”, afirma. “Não só eu como brasileira penso isso, mas muitos argentinos estão tomando essa decisão de migrar para o Brasil.” Manuela é assistente social formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e mora em Mar del Plata, a pouco mais de 400 quilômetros de Buenos Aires, onde leciona na Universidade Nacional de Mar del Plata. Segundo ela, a percepção de crise se intensificou. “Estou há 10 anos na Argentina e há 10 anos escuto que o país está em crise. Mas, realmente, é a primeira vez que a crise que a gente sente, como trabalhador, nos últimos dois anos, é muito mais do que em outros anos. Nosso poder de compra baixou muito. Alimentos subiram e gastos como aluguel, luz, água, internet e telefone dobraram, e o salário não acompanhou.” A professora afirma ter preocupação dupla em relação à reforma. Como trabalhadora imigrante, teme impactos diretos. Como assistente social, observa o risco de aumento da vulnerabilidade social. “Venho acompanhando como trabalhadora, mas também como alguém que se importa com as consequências dessa reforma. A gente trabalha com impactos do mundo do trabalho: emprego, desemprego, precarização, direitos. Isso afeta bairros e territórios. Me preocupa como trabalhadora, mas também como pesquisadora", comenta. A porto-alegrense relata sinais de declínio econômico mesmo antes da reforma trabalhista entrar em vigor. Segundo Manuela, moradores locais passaram a adotar práticas que não eram tão comuns no país, como a compra de alimentos no cartão de crédito. Conta ainda da vez em que pegou um carro de aplicativo cujo motorista se dividia em jornada dirigindo ônibus e precisava passar o dia rodando em diferentes veículos para chegar ao final do mês. Por mais que conheça o teor da reforma, Manuela convive com incertezas referentes ao seu futuro no país que há 10 anos pode chamar de casa. Por isso, alerta: brasileiros que pensam em se mudar para a Argentina devem estar preparados. “Se vier para cá, tem que vir com um trabalho muito bom. Vir para estudar, só se a pessoa tem condições econômicas para se manter. Não é um lugar que hoje garante possibilidade de melhorar no futuro. ‘Ah, vou vir para a Argentina para melhorar de vida’. Até pode acontecer, mas não é o contexto mais favorável para se mudar para a Argentina hoje. Não recomendo.” Casa Rosada, na Argentina Rafael Leal/g1 VÍDEOS: Tudo sobre o RS
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