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    Rã levanta as patas enquanto 'canta' em cachoeira no litoral de SP; entenda o comportamento curioso

    10 hours ago

    Rã levanta as patas enquanto 'canta' em cachoeira no litoral de SP; entenda comportamento Uma pequena rã de cerca de quatro centímetros chamou a atenção do biólogo e herpetólogo André Moreira Assalim ao protagonizar uma cena curiosa: enquanto vocalizava sobre uma rocha, o animal levantava e movimentava as patas, como se estivesse fazendo sinais. O flagrante foi registrado em uma cachoeira da Vila de Itatinga, em Bertioga (SP). 📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram O comportamento, conhecido como exibição visual ou display, é uma estratégia de comunicação da espécie Hylodes asper. Além de vocalizar, os machos utilizam movimentos corporais para sinalizar a presença e defender territórios, especialmente em ambientes onde o barulho das corredeiras pode dificultar a comunicação sonora. Assalim, que trabalha há 14 anos com estudos de fauna e atua no setor privado de consultoria ambiental, estava realizando um levantamento na região quando reconheceu o canto da espécie. "Muitas pessoas confundem com o som de um passarinho, por ser uma das poucas espécies de anfíbios da Mata Atlântica que vocaliza de dia", conta. Rã levanta as patas enquanto 'canta' em cachoeira no litoral de SP; entenda comportamento curioso André Assalim VEJA TAMBÉM: Cactos em meio à Mata Atlântica: como essas plantas foram parar em Alcatrazes? Desmatamento na Amazônia coloca em risco US$ 22 bi, aponta análise Elas têm armadilhas e devoram pequenos animais: conheça as plantas carnívoras do Brasil Aproximação cuidadosa Ao seguir o som, encontrou o animal sobre uma rocha. A aproximação exigiu cuidado, já que essas rãs costumam interromper a vocalização diante de qualquer sinal de perigo. "Fui chegando perto devagar, para não assustar. [...] Sempre ando com equipamento fotográfico durante esses estudos e fui fazendo várias filmagens e chegando aos poucos perto dele. Por fim, consegui filmar bem de pertinho com a lente macro", relata. Apesar da experiência na Mata Atlântica, o biólogo afirma que havia observado esse comportamento apenas uma vez, e de longe. "É comum ouvir a espécie em corredeiras de ambientes florestados e preservados, porém, só tive a oportunidade de ver esse comportamento uma vez, de longe", explica. Por que a rã movimenta as patas? Segundo Assalim, os machos de Hylodes asper realizam os movimentos enquanto vocalizam sobre rochas ao longo das corredeiras. A exibição serve para sinalizar seus territórios a outros machos, em áreas utilizadas para reprodução e alimentação. No momento da gravação, outros cinco indivíduos também vocalizavam, separados por vários metros. O movimento ajuda a tornar o animal mais perceptível aos competidores, contribuindo para a defesa de recursos como alimento e poças d'água favoráveis à reprodução. Espécie é uma das rãs de corredeira existentes no Brasil André Assalim A estratégia ganha importância em cachoeiras, onde o som intenso da água pode interferir na comunicação. "Visto de cima, a rãzinha é cinza e camufla muito bem nas rochas, mas por baixo ela é branca, o que chama a atenção", explica o herpetólogo. De acordo com ele, ao movimentar as patas, o animal expõe partes mais claras do corpo, complementando a vocalização com sinais visuais. "Como a cachoeira ou corredeira pode ficar extremamente barulhenta dependendo da vazão, eles usam esse display de forma complementar", afirma. O comportamento também envolve um desafio: chamar a atenção de outros indivíduos da espécie sem se expor excessivamente a predadores, como aves, serpentes e mamíferos. Comunicação e conservação Para Assalim, o flagrante também chama a atenção para a complexidade da comunicação dos anfíbios e para impactos ambientais que nem sempre são facilmente percebidos. O biólogo cita como exemplo a construção de rodovias próximas a locais de reprodução. Mesmo sem atingir diretamente esses ambientes, o aumento do ruído e da iluminação pode afetar as espécies. "A ciência não entende completamente as formas como essas espécies percebem o ambiente (luz, som, partículas) e por isso não temos como avaliar com 100% de certeza quais impactos que causamos nela", destaca. Para o especialista, compreender esses comportamentos é fundamental para ampliar o conhecimento sobre a fauna e contribuir para sua conservação. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente
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