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    'Quantas Marielles ainda serão mortas?', diz Cármen Lúcia ao votar no caso Marielle no STF

    há 3 meses

    Cámen Lúcia: 'Quantas Marielles o Brasil permitirá que sejam assassinadas?' Em seu voto no caso Marielle nesta quarta-feira (25), a ministra Cármen Lúcia questionou quantas vítimas como a vereadora do Psol serão assassinadas no país até que a ideia de Justiça seja recuperada. "Eu me pergunto, senhoras e senhores, quantas 'Marielles' o Brasil permitirá sejam assassinadas até que se ressuscite a ideia de Justiça nesta pátria de tantas indignidades", questionou. "Quantos Anderson nós ainda vamos ver chorar quantos vão ficar órfãos pra que o Brasil resolva que isso não pode continuar e que esse estado de direito não é retórica", prosseguiu. A ministra afirmou ainda que o julgamento do caso tem feito mal a ela. "Esse processo me faz mal, pela impotência do direito diante da vida dilacerada. Esse processo tem me feito muito mal, até fisicamente, em que leio e releio, vejo vídeos sobre tudo o que passou", revelou. A declaração foi dada na retomada do julgamento na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Cármen Lúcia votou após o relator, o ministro Alexandre de Moraes — que entendeu pela condenação dos irmãos Brazão — e do o ministro Cristiano Zanin, que acompanhou integralmente o relator. Ministra Cármen Lúcia na terceira Sessão do julgamento do caso Marielle Franco no STF. Rosinei Coutinho/STF Impacto moral Cármen Lúcia também abordou o impacto moral do crime e criticou a desumanização presente na execução. “Aprendi que se pode arrancar a alma de um ser humano sem lhe rasgar as carnes”, ponderou. “Ódio desmedido, descaso humano sem limites. Esse julgamento é testemunho tímido da resposta que o direito pode dar", completou. A ministra destacou ainda a gravidade da execução que matou Marielle e Anderson. “Essa rajada de metralhadora riscou a noite, estilhaçou não apenas os corpos dessas pessoas, feriu o Brasil", mencionou. Em outra parte do voto, abordou a vulnerabilidade de mulheres na sociedade e no exercício do poder. “Nós, mulheres — mesmo eu branca, mesmo eu ministra — somos mais ponto de referência do que sujeito de direito [...]. Matar uma de nós é muito mais fácil. Matar fisicamente, matar moralmente, matar profissionalmente. Continua sendo", afirmou. Nesse contexto, Cármen Lúcia também mencionou Marinete Silva, mãe de Marielle: “Dona Marinete, não ache que é só a sua filha. É mais fácil matar uma de nós do que matar um dos outros três aqui, porque se imagina que não vai acontecer nada", disse. STF começa a julgar os 5 réus acusados de ordenar o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes Jornal Nacional/ Reprodução O caso Em junho de 2024, o Supremo tornou réus os acusados. Domingos, Rivaldo, Ronald e Robson Calixto estão presos preventivamente diante do risco de atrapalharem as investigações. No ano passado, Chiquinho Brazão foi autorizado a cumprir prisão domiciliar diante do diagnóstico de graves comorbidades. Segundo a Procuradoria-geral da República, o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro Domingos Brazão e o irmão, o deputado federal Chiquinho Brazão, sem partido, foram os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018. A assessora Fernanda Chaves ficou ferida. Também foram denunciados o delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio Rivaldo Barbosa, acusado de ajudar a planejar o crime, e o policial militar Ronald Paulo de Alves, acusado de acompanhar os deslocamentos de Marielle. Já o ex-assessor Robson Calixto Fonseca, conhecido como Peixe responde por integrar a organização criminosa com os irmãos Brazão. De acordo com a acusação, o motivo foi a atuação política da vereadora para atrapalhar interesses dos irmãos Brazão, entre eles, a regularização de áreas comandadas por milícias no Rio de Janeiro.
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