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    Putin diz que Rússia reforçará defesa aérea após ataques de drones da Ucrânia

    7 hours ago

    O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou nesta quinta-feira (4) que a Rússia vai reforçar seus sistemas de defesa aérea para conter os recentes ataques de drones da Ucrânia, que têm alcançado áreas profundas do território russo. Respondendo a uma pergunta da Associated Press durante um encontro com chefes de agências internacionais de notícias, Putin reconheceu os danos causados pelos ataques ucranianos. "Infelizmente, alguns deles conseguem passar", disse o presidente sobre os drones que atingiram sua cidade natal, São Petersburgo. "A Rússia tem um sistema de defesa aérea. Precisamos melhorá-lo, fortalecê-lo, e faremos isso." A entrevista ocorreu paralelamente ao Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, evento anual usado por Putin para atrair investimentos. Horas antes da abertura do fórum, na quarta-feira (3), um ataque de drones ucranianos provocou um incêndio em um terminal de petróleo da cidade e atingiu uma base naval próxima. Putin também afirmou que a Rússia continua aberta a um acordo sobre a guerra na Ucrânia, desde que siga os entendimentos alcançados durante sua reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Anchorage, no Alasca. Segundo ele, a Ucrânia precisaria aceitar esses termos para que um acordo seja fechado. Putin descarta mediação da União Europeia O presidente russo rejeitou a ideia de que países da União Europeia possam atuar como mediadores nas negociações de paz entre Rússia e Ucrânia, alegando que eles não são partes neutras. "A mediação pressupõe neutralidade. Onde está a neutralidade aqui?", questionou. Putin acrescentou que eventuais mediadores precisam contar com a confiança dos dois lados. "Como a Rússia pode confiar em pessoas que passaram anos defendendo a necessidade de impor uma derrota estratégica ao país?", afirmou. Ao comentar o uso do míssil balístico de alcance intermediário Oreshnik, Putin disse que a arma foi lançada contra alvos que permitiram testar sua capacidade e precisão antes de ser utilizada contra objetivos próximos a áreas habitadas. "Atacamos uma região onde era conveniente observar os resultados", declarou. "Isso foi importante para decidir sobre o uso em larga escala do Oreshnik contra alvos definidos, inclusive em áreas povoadas." O presidente também reforçou seu objetivo de controlar toda a região de Donetsk, no leste da Ucrânia. Segundo ele, cerca de 15% do território da região continua sob controle ucraniano. Putin afirmou ainda que o "patriotismo e a determinação do povo russo" garantirão o alcance dos objetivos estabelecidos por Moscou na guerra. "As tropas russas estão avançando ao longo de toda a linha de frente", disse. Ataques de drones afetam fórum em São Petersburgo O ataque de drones ocorrido na quarta-feira atingiu a base naval de Kronstadt e um terminal de petróleo próximo, provocando uma grande coluna de fumaça preta sobre a segunda maior cidade da Rússia. O episódio representou mais um constrangimento para os esforços do Kremlin de minimizar os impactos da guerra, iniciada há quatro anos, e apresentá-la como um conflito distante da vida cotidiana dos russos. O ataque também evidenciou a crescente capacidade da Ucrânia de atingir alvos em profundidade no território russo e expôs vulnerabilidades nas cidades do país. Dezenas de voos sofreram atrasos ou foram desviados no aeroporto de São Petersburgo. As autoridades também interromperam temporariamente o serviço de internet móvel na tentativa de dificultar novos ataques. Putin já havia reduzido a escala do tradicional desfile do Dia da Vitória, realizado em 9 de maio, por temor de ataques de drones. Dias depois, uma ofensiva aérea de grande escala contra os arredores de Moscou matou três pessoas e expôs fragilidades na proteção da capital. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que as forças russas estão aumentando a pressão militar sobre a Ucrânia para evitar novos ataques desse tipo. Na terça-feira (2), a Rússia lançou centenas de drones e dezenas de mísseis contra Kiev e outras cidades ucranianas, em ataques que deixaram mortos. A versão russa do Fórum de Davos Putin utiliza o fórum econômico de São Petersburgo para destacar avanços da economia russa e estimular investimentos estrangeiros. Frequentemente comparado ao Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, o evento costuma reunir dezenas de milhares de participantes de vários países. Desde a invasão da Ucrânia, em 2022, autoridades e empresários ocidentais deixaram de comparecer ao encontro. Em resposta, a Rússia tem buscado ampliar a presença de representantes de outras regiões para reforçar sua defesa de uma "ordem mundial multipolar". A Arábia Saudita, convidada de honra deste ano, enviou uma grande delegação. Os presidentes do Uzbequistão e da Tanzânia, além do vice-presidente da China, também participam do evento. Um representante dos Estados Unidos, Rodney Mims Cook Jr., comparece ao fórum pela primeira vez em vários anos. Apesar disso, as perspectivas para a economia russa vêm se deteriorando à medida que o impulso inicial gerado pelos elevados gastos militares perde força. O governo aumentou impostos e ampliou o endividamento interno para controlar o déficit orçamentário. Questionado se a economia russa sofre com os custos da guerra, Putin parafraseou o escritor Mark Twain ao afirmar que "os rumores sobre a minha morte são muito exagerados". Segundo ele, a economia continua crescendo, embora a inflação siga sendo uma preocupação. "Tomamos deliberadamente medidas para desacelerar a economia", disse Putin, referindo-se à taxa básica de juros de 14,5% definida pelo Banco Central russo. "Pode-se dizer que esfriamos a economia ou que ainda não fizemos tudo o que era necessário, mas essas são medidas deliberadas. Não queremos que a inflação, ou hiperinflação, alcance 60%, 80%, como acontece em alguns países", afirmou. "Estamos lutando pela saúde da economia russa como um todo."
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