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    Preocupação ou body shaming? Caso de Ariana Grande expõe limites dos comentários sobre o corpo

    6 hours ago

    Revista diz que Ariana Grande fará pausa na carreira: entenda motivo Os comentários frequentes sobre a aparência foram um dos fatores que fizeram a cantora Ariana Grande decidir por uma pausa na carreira e por evitar aparições públicas após o fim de sua turnê. Segundo o agente da artista, a decisão foi tomada para tirar uma pausa da "exposição constante e interminável". ➡️Ariana vem chamando atenção nas redes sociais por sua magreza extrema, algo que ficou ainda mais evidente no novo clipe da cantora, "Petal". No vídeo, a personagem enfrenta críticas sobre a aparência e a carreira. Ainda que parte das críticas seja de admiradores que se preocupam com a saúde da cantora, uma outra parcela se enquadra no que especialistas definem como body shaming. 👉A expressão body shaming se refere a atitudes, comportamentos e comentários que ridicularizam ou critiquem de modo pejorativo e preconceituoso a aparência física de alguém em relação a qualquer característica. De acordo com a psicóloga e docente da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, Christina Marcondes Morgan, enxurradas de comentários sobre a aparência, como o que aconteceu com a cantora, são muito prejudiciais à saúde mental e podem ajudar a desencadear transtornos alimentares. "A mega exposição nas redes sociais com comentários sobre a aparência pode ser avassaladora para alguém que esteja sensível ao tema e que já tenha uma autoavaliação prejudicada, extremamente baseada no peso e forma do corpo", comenta Morgan, que também é vice-coordenadora do Programa de Atenção aos Transtornos Alimentares (Proata). Para os especialistas, esse movimento é ainda mais delicado em um momento de retorno à exaltação da magreza, algo que pode também agravar problemas de saúde mental. LEIA MAIS: Antes da pausa, Ariana Grande falou sobre dor da fama em disco delicado e contido Por que Ariana Grande vai pausar sua carreira e evitar aparições públicas Body shaming e a saúde mental Ariana Grande em imagem de divulgação do disco 'Petal' (2026) Divulgação A principal consequência da manifestação de críticas e depreciação ao corpo alheio, o body shaming, é o sentimento de vergonha em relação à própria aparência. E, ainda que os comentários possam parecer positivos para aquela pessoa, eles em geral não são vistos assim para quem os recebe. Rogéria Taragano, psicóloga clínica especializada em transtornos alimentares e supervisora de Psicologia no Ambulatório de Anorexia Nervosa do Ambulim, no Instituto de Psiquiatria da USP, analisa que, geralmente, as afirmações têm um efeito bastante negativo, podendo agravar todo um conjunto de sintomas em torno de um transtorno alimentar, por exemplo. Por esse motivo, observações sobre a aparência física de alguém devem ser feitas sempre com muita cautela, e de preferência fora de um ambiente de exposição como as redes sociais. "O corpo alheio não deve ser assunto, não deve ser uma preocupação alta. Se houver de fato uma preocupação genuína com alguém, ela deve se referir à saúde da pessoa como um todo, ao bem-estar, e deve ser compartilhada preferencialmente no privado, em alguns casos somente quando for solicitada", analisa Taragano. Morgan também afirma que as pessoas nunca devem comentar de maneira descuidada sobre a aparência do outro, especialmente se forem temas sensíveis para a pessoa. Ela reitera que preocupações sobre a saúde não são expressas através de comentários e, sim, por meio de "uma conversa cuidadosa, partindo de alguém que tenha intimidade para falar sobre o assunto". Exaltação da magreza nas redes sociais Outro ponto de alerta colocado pelas especialistas é a exaltação da magreza, muito presente nas redes sociais. Ou seja, não há só um movimento constante de crítica a determinados tipos de corpos, mas uma busca muitas vezes inatingível por um modelo exposto constantemente na internet. "Há indícios de que o excesso de tempo nas redes sociais contribua para a superexposição a essas imagens, com a ideia de que seguindo aquela ou outra influencer, a magreza está ao alcance de todos. O controle do peso é associado a sucesso, determinação, autocontrole", comenta Morgan. Nesse processo de tentar chegar a um corpo que na maioria das vezes não existe, muitos acabam desenvolvendo relações problemáticas com a comida e com o próprio corpo. Ela destaca que entre 1985 e 2019 houve um aumento de casos de anorexia nervosa entre meninas jovens, de 10 a 14 anos. E um dos principais fatores que podem ter ajudado nesse crescimento foi justamente o surgimento das redes sociais. "Temos um agravamento dos quadros de transtornos alimentares com a valorização dessa magreza extrema, que nada mais é do que anorexia nervosa. É um transtorno mental grave, que pode resultar até em morte", analisa Taragano. Aparência e os transtornos alimentares Apesar de uma perda de peso muito significativa ser um indício da presença de um transtorno alimentar, as especialistas indicam que a aparência não é o único indicativo. ⚠️Outros comportamentos já podem dar sinais de que algo não vai bem: Mudança dos hábitos alimentares, com alimentação às escondidas ou cercada por rituais. Preocupação excessiva com o corpo e a comida, com pensamentos a respeito disso o tempo todo, às vezes evitando situações sociais em que haja comida. Excesso de atividade física, com uma qualidade compulsiva ou obrigatória. Isolamento social, com possível desenvolvimento de quadros como ansiedade e depressão. Uso constante de roupas largas ou que cobrem o corpo todo, mesmo em dias mais quentes. "É um quadro de origem multifatorial. Há fatores biológicos, familiares, traços de personalidade, aspectos sociais que, conjugados, vão levar ao desenvolvimento do transtorno", detalha Taragano. Por esse motivo, um acompanhamento multidisciplinar, com a presença de psiquiatras, psicólogos e nutricionistas, é tão importante nesse caso. Aos amigos e familiares que estão por perto, as especialistas recomendam sempre que se coloquem disponíveis para ouvir e tentar entender por quais situações a pessoa está passando. "Pessoas com transtorno alimentar, em geral, não se percebem doentes, têm baixa crítica em relação à gravidade do quadro e normalmente isso dificulta a procura de ajuda", comenta.
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