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    PF aponta influência de Rodrigo Bacellar no Executivo e ligação com empréstimos a frigorífico

    3 months ago

    PF aponta influência de Rodrigo Bacellar no Executivo e ligação com empréstimos a frigorífico Novos documentos da investigação da Polícia Federal obtidos pelo RJ2 indicam que a influência do presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar, ia além do Legislativo e alcançava também o Poder Executivo estadual. Bacellar foi denunciado por obstrução de Justiça, acusado de vazar informações de uma operação da Polícia Federal, e é alvo de apurações que investigam a extensão de seu poder dentro do governo. Um dos principais pontos da investigação envolve um empréstimo concedido pela Agência de Fomento do Estado do Rio de Janeiro (AgeRio) a um frigorífico do qual Bacellar é suspeito de ser sócio oculto — o que ele nega. Segundo a PF, o empreendimento pode ter sido utilizado para lavagem de dinheiro. Documentos mostram que a AgeRio concedeu dois financiamentos à empresa: um de R$ 629 mil e outro superior a R$ 2 milhões. O caso também já era investigado pelo Ministério Público. A investigação aponta ainda que Bacellar teria sido consultado sobre a resposta da AgeRio às autoridades. Em mensagens encontradas no celular apreendido pela PF, os esclarecimentos enviados ao Ministério Público foram repassados ao deputado. Em seguida, ele encaminha o documento ao advogado com a mensagem: “Cláudio mandou para André que o prazo é segunda e que fizeram essa defesa, mas se precisar que mude algo eles põem lá”. Para a Polícia Federal, “Cláudio” pode se referir ao governador Cláudio Castro, e “André”, a André Luiz Vila Verde de Oliveira à época. O advogado responde: “Resposta é essa mesma”. Bacellar então questiona: “Tá certo? Manda eles enviarem assim?”, recebendo confirmação. Planilhas Outro ponto destacado pela PF são planilhas apreendidas que indicariam a influência do parlamentar na indicação de cargos no Executivo. Os documentos listam nomes de deputados, áreas de atuação política e pedidos feitos a Bacellar, como espaços no governo, dezenas de cargos e estrutura para campanhas eleitorais. Em outro material, aparecem nomes de indicados e dos ocupantes de cargos em órgãos como o Detran e a Faetec, sugerindo atuação em áreas como trânsito e educação. Para os investigadores, os dados indicam um possível “loteamento” da estrutura administrativa do estado. Bacellar chegou a ser preso sob suspeita de vazar informações de uma operação contra o Comando Vermelho para o então deputado TH Joias. Ele foi solto uma semana depois. Desde então, aliados indicados por ele para cargos no governo, como na Secretaria Estadual de Educação e no Departamento de Estradas de Rodagem, foram exonerados. Nesta semana, Bacellar pediu afastamento da Alerj pela quinta vez, em licenças sucessivas de curto prazo, mantendo-se formalmente no cargo. Atualmente, ele está em Teresópolis, onde permanece em uma casa que divide com Jansens Calil Siqueira, apontado como responsável pelo frigorífico investigado. O que dizem os citados Procurados pela reportagem, o deputado Rodrigo Bacellar e o frigorífico citado na investigação não responderam até a última atualização desta matéria. Em nota, a Agência de Fomento do Estado do Rio de Janeiro (AgeRio) informou que todos os esclarecimentos enviados ao Ministério Público foram elaborados com base nos fatos apurados. A agência afirmou ainda que o financiamento concedido ao frigorífico seguiu todos os critérios exigidos antes da liberação do crédito.
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