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    Para evitar alterações na PEC 6x1, Motta faz manobra regimental com apoio do governo e do Centrão

    6 hours ago

    Câmara aprova fim da escala 6x1 e redução da jornada de trabalho Para evitar alterações na proposta de emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala 6x1, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), se utilizou de uma manobra regimental para impedir que destaques fossem votados no plenário. Destaques são sugestões de alteração no texto principal, apresentados pelos partidos e votados após a aprovação do chamado texto-base. A medida de Motta teve como objetivo garantir a aprovação do parecer acordado entre a Cúpula da Câmara, líderes partidários do Centrão e o governo. Em linhas gerais: redução da jornada semanal de 44h para 40h, em transição de 1 ano; redução em 60 dias da escala de 6x1 para 5x2 (cinco dias trabalhados e dois de folga); sem redução de salários. Apesar de passar as últimas semanas criticando o relatório e defendendo uma transição mais longa, de até 10 anos, o PL apresentou nesta quarta-feira (27) destaques para acabar com a transição e reduzir ainda mais a escala - de 5x2 para 4x3 (quatro dias trabalhados e três de folga). Nos bastidores, parlamentares do PL admitem que a medida tinha como função constranger o governo. Embora inicialmente defendesse as mudanças, o governo teve que firmar um acordo com Hugo Motta pelo texto do relator para viabilizar a votação. Governistas vieram a público no plenário dizer que a tentativa do PL tinha função eleitoreira e lembraram que o líder do partido, Sóstenes Cavalcante (RJ), era um dos signatários de uma emenda para estabelecer uma transição de 10 anos. Sóstenes disse que foi induzido ao erro. Manobra regimental O governo e a cúpula da Câmara sabiam que, caso os destaques do PL fossem colocados em votação, os deputados ficariam constrangidos de votar contra - já que as mudanças beneficiariam ainda mais os trabalhadores e 2026 é um ano eleitoral. Ou seja, isso desmantelaria o relatório acordado, do deputado Leo Prates (Republicanos-BA). Para evitar isso, Motta fez a manobra: ao invés de votar o parecer de Prates, coloco em votação uma "emenda aglutinativa" apresentada pelo líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS) O texto tem mesmo conteúdo do parecer original, mas com pequenas mudanças para justificar a nova apresentação: em vez de transição de "60 dias", o termo usado é "dois meses", por exemplo. Além disso, houve uma alteração na ordem dos artigos. Como os destaques faziam referência ao substitutivo de Leo Prates, a manobra prejudicou todos os destaques apresentados. Técnicos da Câmara divergem sobre o uso da medida. Alguns dizem que a manobra nunca foi usada antes e cria um precedente perigoso para que, a depender da vontade do presidente da Casa, nunca mais sejam votados destaques em PECs. Outro técnico afirma que, embora rara, a manobra já foi utilizada no passado. A avaliação deste técnico é que o PL errou na apresentação do destaque e deveria ter escrito, expressamente, que o destaque seria "redirecionado para dispositivo de igual teor na hipótese de aglutinativa". Isso, na prática, poderia manter o destaque ativo mesmo com a apresentação de novo texto. Comissão especial Outra manobra regimental já tinha acontecido mais cedo, durante a votação do parecer na comissão especial. Na votação, o PL também apresentou um destaque para reduzir a escala para 4 dias trabalhados e 3 de folga. Ao contrário do plenário, que exige quórum qualificado de 3/5 do plenário (308 votos), na comissão especial a votação se dá por maioria simples - o que permite a votação simbólica, sem registro de votos e, portanto, sem a digital dos deputados. A exceção para a votação simbólica é quando há pedido de votação nominal, mas isso só pode ser feito a cada 1 hora. Para evitar que o PL pedisse votação nominal neste destaque, o governo se antecipou e pediu o registro de votos durante o texto-base, votado antes. Com isso, a votação do destaque do PL na comissão especial precisou ser simbólica.
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