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    Papa pede fim das 'narrativas divisivas' no mundo diz preferir Real Madrid ao Barcelona em visita à Espanha

    23 hours ago

    O papa Leão XIV acena ao chegar ao aerorpoto de Madri para visita à Espanha, em 6 de junho de 2026. Yara Nardi/ Reuters O papa Leão XIV pediu a líderes mundiais neste sábado (6) que moderem as "narrativas divisivas e polarizantes" usadas para fragmentar eleitorados e ganhar popularidade. O pedido do pontífice, que no começou do ano travou embates com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi feito no primeiro dia da visita do pontífice à Espanha. A viagem do papa é centrada na questão migratória europeia, que tem dividido e dominado no debate público no continente. Antes da chegada ao país europeu, no entanto, o papa foi questionado, em seu avião, se prefere o Real Madrid ou o Barcelona, os dois principais clubes de futebol da Espanha. "O papa é para todos os times, mas Prevost é para o Real Madrid", revelou o pontífice em referência ao seu nome real, Robert Prevost. O papa também elogiu o "compromisso ativo com a paz" e a "fidelidade ao direito internacional" da Espanha — recentemente, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, também teve atritos com Trump ao condenar a guerra no Irã. O próprio pontífice, que é dos Estados Unidos, foi duramente criticado pelo presidente norte-americano por sua posição antibelicista. Em Madri, sem se referir a Trump, Leão XIV lamentou que a mensagem da paz "nestes tempos, infelizmente, ressoe para alguns como ingênua e para outros como provocadora". A 'ferida aberta' dos abusos "Não é do meu interesse discutir com Trump", diz papa Durante o voo para Madri, o pontífice abordou ainda outro grande ponto de sua viagem: os abusos sexuais dentro da Igreja, com cujas vítimas tem previsto se reunir nestes dias. "Os abusos ainda são uma ferida aberta", disse Leão XIV aos jornalistas da comitiva papal. O rei da Espanha, Felipe VI, saudou a "clareza e a firmeza" do papa frente aos abusos sexuais, ao lhe dar as boas-vindas no Palácio Real de Madri. A Defensoria Pública da Espanha avaliou, em um relatório publicado em 2023 que, desde 1940, mais de 200.000 menores poderiam ter sofrido agressões por parte de religiosos católicos. O governo de Sánchez e a Igreja espanhola assinaram, no fim de março, um acordo para indenizar as vítimas de crimes sexuais, após anos de reticências e nebulosidade por parte da hierarquia eclesiástica. Depois da recepção no Palácio Real, o papa encerrará o dia com uma vigília de oração perto do estádio Santiago Bernabéu, do Real Madri, que deve reunir cerca de 400.000 fiéis. Embora a prática religiosa tenha diminuído consideravelmente neste reduto histórico do catolicismo na Europa, o pontífice conta com vários atos multitudinários em sua agenda. No domingo, tem previsto reunir um milhão de fiéis em uma missa na praça de Cibeles, em pleno centro de Madri. No avião, Leão XIV disse estar "satisfeito" com os informes de um maior interesse dos jovens pela religião. "Se confrontados com a pergunta de se querem ver Bad Bunny ou se querem ver o papa, acho que muitos vão ver Bad Bunny. Mas também acho que haverá alguns que virão ver o papa. E isso diz alguma coisa", afirmou, com um sorriso, em alusão ao cantor porto-riquenho, que se apresenta nestes dias em Madri Homenagem aos migrantes Na segunda-feira, Leão XIV se tornará o primeiro papa a comparecer no Parlamento espanhol, onde dará um discurso para os legisladores das duas câmaras. No dia seguinte, o pontífice irá para Barcelona, onde o aguarda uma agenda apertada que terminará na quarta-feira com uma missa na Sagrada Família, há meses transformada na igreja mais alta do mundo. No dia seguinte, o papa voará até o arquipélago das Ilhas Canárias, situado em frente à costa africana e principal porta de entrada de migrantes irregulares na Espanha. Ao lado de Pedro Sánchez, se reunirá com migrantes e fará uma oferenda de flores em homenagem aos milhares de migrantes mortos na perigosa travessia para tentar chegar à Europa. Ao contrário de outros países vizinhos, o Governo de Sánchez impulsionou recentemente um plano amplo de regularização de migrantes sem documentos, que deveria normalizar a situação de meio milhão de pessoas, em sua maioria latino-americanas. A medida lhe rendeu fortes críticas do conservador Partido Popular e do Vox, a terceira força política do país. Para a visita do pontífice de 70 anos foram mobilizados cerca de 15.000 efetivos da Polícia Nacional e da Guarda Civil. Esta é sua primeira viagem a um país da União Europeia fora da Itália e a primeira de um pontífice à Espanha desde a de Bento XVI, em 2011. dt/du/pc/mvv
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