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    Oposição busca derrubar governo da França após aprovação do acordo UE-Mercosul

    18 hours ago

    O primeiro-ministro francês Sébastien Lecornu, em foto de 6 de outubro de 2025. Reuters/Stephane Mahe/Pool O governo francês foi duramente criticado nesta sexta-feira (9) por rivais políticos e agricultores após não conseguir bloquear a aprovação do acordo comercial UE-Mercosul, com partidos de oposição de extrema direita e extrema esquerda apresentando moções de censura. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O partido de extrema esquerda França Insubmissa (LFI) apresentou uma moção na manhã de sexta-feira, enquanto o partido de extrema direita Reunião Nacional (RN), liderado por Marine Le Pen, afirmou que também apresentaria uma contra o presidente da Comissão Europeia em Bruxelas. É improvável, porém, que a RN e a LFI consigam votos suficientes no parlamento para derrubar o governo, liderado pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu. As moções de censura sublinham a reação política interna negativa que o governo do presidente Emmanuel Macron enfrenta devido ao acordo comercial com as nações sul-americanas, enquanto luta para aprovar um orçamento de 2026 já atrasado em um Parlamento sem maioria governista, algo sem precedentes na Quinta República francesa. Ainda assim, suas ameaças sublinham a perigosa corda bamba política em que o governo Macron continua a caminhar pouco mais de um ano antes da eleição presidencial de 2027, com analistas dizendo que o acordo poderia aumentar as chances da RN no próximo ano. "As moções têm pouca chance de serem aprovadas", disse Stewart Chau, analista do Verian Group, à Reuters. "Mas essa assinatura pode dar um impulso à RN. A França rural vota maciçamente na RN, e isso poderia apoiar uma narrativa anti-UE mais explicitamente", disse ele. LECORNU AFIRMA QUE MOÇÕES ENFRAQUECEM A VOZ DA FRANÇA A França votou contra o acordo do Mercosul. No entanto, o tratado exige apenas o apoio de maioria qualificada entre os Estados-membros da UE para que o acordo seja assinado pela Comissão Europeia e pelo bloco sul-americano. O Parlamento Europeu precisaria então ratificar o acordo. O presidente do partido RN, Jordan Bardella, disse que o voto de Macron contra o acordo foi mera postura, equivalendo a "uma traição aos agricultores franceses". Sua chefe, Marine Le Pen, pediu a Macron que ameaçasse suspender a contribuição da França para o orçamento da União Europeia. Mathilde Panot, do partido de extrema-esquerda LFI, disse que a França foi "humilhada" por Bruxelas e no cenário mundial. "Lecornu e Macron devem sair", escreveu ela no X. Lecornu disse que as moções de desconfiança enviaram um sinal negativo ao exterior em um momento em que a França deveria estar tentando convencer outras nações europeias e também estava atrasando as negociações orçamentárias. "Apresentar uma moção de censura neste contexto... é optar por enfraquecer a voz da França em vez de demonstrar unidade nacional em defesa da nossa agricultura", publicou Lecornu no X. ACORDO APARECENDO PRESTES A SER APROVADO Os Estados-membros da UE deram sinal verde provisório na sexta-feira para um acordo que seria o maior acordo de livre comércio de sempre e que levou mais de 25 anos a ser elaborado. A França juntou-se à Polónia, Hungria, Irlanda e Áustria na votação contra o acordo, não conseguindo atingir o nível mínimo para uma minoria de bloqueio. Com Donald Trump determinado a abalar o comércio global, a Comissão Europeia e países como a Alemanha e a Espanha argumentam que o acordo ajudará a compensar as perdas comerciais decorrentes das tarifas dos EUA e a reduzir a dependência da China, garantindo o acesso a minerais críticos. Os opositores, liderados pela França, o maior produtor agrícola da UE, afirmam que o acordo aumentará as importações de alimentos baratos, incluindo carne de vaca, aves e açúcar, prejudicando os agricultores nacionais. A França obteve concessões significativas de Bruxelas para proteger os agricultores do impacto total do acordo. Mas, embora as principais indústrias francesas se beneficiassem do acordo, incluindo produtores de vinho, queijo e leite, os pecuaristas, que representam um terço dos agricultores franceses, mobilizaram com sucesso a opinião pública contra ele.
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