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    Novo poço para resolver falta de água na Unesp em Jaboticabal, SP, tem previsão de quatro meses; aulas serão remotas

    6 hours ago

    Campus da Unesp em Jaboticabal, SP Reprodução/EPTV O novo poço que deve resolver a falta de água no campus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Jaboticabal (SP) tem previsão de quatro meses para ficar pronto, de acordo com a diretoria da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV). A perfuração de um poço tubular profundo de 550 metros é apontada pela universidade como a solução técnica para restabelecer o abastecimento e permitir o retorno das atividades presenciais. Segundo a instituição, a contratação está em fase de preparação da documentação. A universidade não informou o custo da obra nem uma data para a volta das aulas presenciais. Atualmente, o campus funciona com 30% do volume necessário para manter as atividades. As atividades presenciais estão suspensas desde 10 de agosto e atingem 2,5 mil alunos. As aulas do 2º semestre da graduação e as atividades da pós-graduação começam de forma remota e síncrona na segunda-feira (17), por portaria assinada em 12 de agosto, e devem seguir assim enquanto durar a falta de água. Questionada sobre os efeitos da crise hídrica, a Unesp afirmou que nenhuma pesquisa foi prejudicada, que não houve alteração no plantel de animais do campus e que não haverá mudança nas bolsas dos alunos. Faça parte do canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Agora no g1 O que a faculdade já tentou A rede do campus chegou a ser ligada à rede pública de Jaboticabal, mas o volume se mostrou insuficiente diante da demanda da unidade, também porque o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) precisa garantir o abastecimento da cidade, segundo a direção. O uso de caminhões-pipa foi avaliado e considerado inviável pelo volume necessário e pela logística envolvida. Por fim, dois poços que eram usados exclusivamente em atividades de pesquisa foram ligados à rede principal — são eles que garantem hoje os cerca de 30% do volume necessário. "Foram esgotadas, no âmbito da Unidade, as alternativas técnicas razoavelmente disponíveis para o restabelecimento da capacidade hídrica do poço existente", diz o documento. Segundo a direção, sem o volume adequado não é possível manter a higienização das instalações sanitárias, garantir a produção das cerca de 850 refeições diárias do restaurante universitário nem assegurar o fornecimento de água potável. LEIA MAIS Falta de água deixa mais de 2,5 mil alunos sem aulas presenciais na Unesp em Jaboticabal, SP Campus também é fazenda A Fazenda de Ensino, Pesquisa e Extensão (FEPE), ligada à FCAV, ocupa 816,3 hectares, segundo informação institucional da unidade. A área inclui 230 hectares de culturas anuais, 112 de pastagens, 103,3 de experimentos de campo, 38 de frutíferas e 37 de exploração florestal. O campus mantém instalações onde são criados animais de produção, como bovinos, suínos, caprinos, ovinos e espécies aquáticas, conforme a descrição institucional da faculdade, e abriga o Hospital Veterinário "Governador Laudo Natel". Segundo a Unesp, os animais estão recebendo o volume de água necessário e não é mais preciso usar caminhão-pipa, porque a demanda foi equalizada. O plantel não foi alterado e o hospital segue em funcionamento. "A interrupção das atividades acadêmicas não constituiu, portanto, uma escolha administrativa ordinária, mas consequência direta da impossibilidade material de funcionamento da Unidade em condições adequadas", diz o texto. Campus da FCAV na Unesp em Jaboticabal (SP) Divulgação/Unesp O que dizem os estudantes Entre os alunos, a preocupação é com o calendário e com os gastos que continuam correndo mesmo sem aula. Uma estudante do curso de Ciências Biológicas, que preferiu não se identificar, contou que o adiamento foi comunicado por e-mail na sexta-feira (7), três dias antes da data prevista para o início das aulas. Ela mora em outra cidade e deixa o carro no estacionamento da rodoviária para pegar o ônibus até o campus, despesa que segue sendo paga mesmo com as aulas suspensas. "A gente tem que pagar esse estacionamento não importa se tem férias, se tem problema no poço. A gente tem que pagar para não perder a vaga, e são R$ 200 que fazem a diferença", disse. A estudante também citou o efeito de uma eventual reorganização do calendário sobre quem depende de transporte oferecido pelas prefeituras das cidades vizinhas. "Tem o pessoal de Sertãozinho, de Barrinha, de Matão, que vai com o ônibus da prefeitura deles, mas que só roda no período letivo. Se a gente precisar ter aula mais pra frente, em dezembro, em janeiro, esse pessoal talvez não consiga ir para as aulas porque não vai ter o meio de transporte", afirmou. A universidade informou que o calendário será reorganizado para evitar prejuízos aos estudantes, sem detalhar como. Além dos impactos financeiros e da preocupação com o calendário, os estudantes também temem prejuízos à formação acadêmica. Outra aluna, que também preferiu não se identificar, destacou a possibilidade de perda de atividades práticas e extracurriculares durante o período de suspensão. "Eu acho que uma das principais preocupações é que os estudantes não percam tanta essa vivência prática e extracurricular da universidade, porque a gente sabe que a formação não acontece somente dentro da sala de aula. A gente na Unesp tem aula prática, atividade de campo, projetos de pesquisa, semanas acadêmicas, viagens acadêmicas, que também fazem parte da nossa formação". Falha começou em julho A bomba do poço caiu repentinamente em 24 de julho. Segundo a direção, o poço está em operação há mais de 32 anos e passou a receber manutenções preventivas a partir de agosto de 2023, mas a sequência de ocorrências indica que a capacidade operacional está severamente comprometida. Equipes técnicas da faculdade e profissionais externos trabalham desde então sem restabelecer o abastecimento. A suspensão vale de 10 a 16 de agosto e atinge a FCAV, os programas de pós-graduação e o Colégio Técnico Agrícola "José Bonifácio". *Sob supervisão de Lucas Zanetti Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca
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