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    Na primeira encíclica do pontificado, Papa Leão XIV reconhece valor das novas tecnologias, mas faz alerta sobre riscos do mau uso

    7 hours ago

    Leão XIV pede uso responsável da inteligência artificial O Papa Leão XIV publicou nesta segunda-feira (25) a primeira encíclica do pontificado. É um dos documentos mais importantes da Igreja Católica. É uma carta do Papa endereçada a cerca de 1,4 bilhão de fiéis. Leão XIV escolheu a inteligência artificial como tema prioritário. A encíclica reconhece o valor das novas tecnologias, mas faz um alerta sobre os riscos do mau uso. A reportagem é da Ilze Scamparini. O Papa já estava na sala quando as luzes diminuíram. Na tela, uma sequência de imagens reconstruiu a história do progresso humano: as primeiras engrenagens, as fábricas da Revolução Industrial, os computadores, os robôs, os rostos digitais criados por máquinas. Quando o vídeo terminou, Leão XIV destacou que a inteligência artificial pode ter consequências ainda maiores do que as grandes transformações industriais do fim do século 19. Na primeira apresentação pública de uma encíclica - uma carta através da qual o Papa aborda temas da doutrina católica e transmite ensinamentos -, o Papa recorreu à memória de Leão XIII, que em 1891 publicou a “Rerum Novarum”, o texto que denunciou a miséria e as injustiças que acompanharam a Revolução Industrial. A encíclica desta segunda-feira (25), chamada “Magnifica Humanitas”, é o resultado de dez anos de reflexões de um Papa com formação em matemática. Nela, Leão XIV entra em um dos debates mais sensíveis do nosso tempo. O mundo volta a atravessar uma mudança de época, e a Igreja, disse o Papa, não pode assistir em silêncio a uma tecnologia capaz de alterar a vida humana em escala global. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Na primeira encíclica do pontificado, Papa Leão XIV reconhece valor das novas tecnologias, mas faz alerta sobre riscos do mau uso Jornal Nacional/ Reprodução Leão XIV exaltou e elogiou cientistas e engenheiros que trabalham com entusiasmo em tecnologias capazes de aliviar sofrimentos imensos, e lembrou que é necessário escutar também aqueles que não têm voz quando são tomadas decisões capazes de gerar novas formas de exclusão e sofrimento. Afirmou que algoritmos já estão afetando decisões sobre emprego, saúde e segurança, muitas vezes reproduzindo preconceitos e injustiças. Na encíclica, o Papa diz que não se deve renunciar à tecnologia, mas impedir que ela domine o ser humano: "É preciso retirá-la dos monopólios, torná-la discutível, contestável e, portanto, habitável, devolvendo-a à pluralidade das culturas humanas e das formas de vida". A tecnologia, ainda segundo o texto, deve oferecer um apoio inteligente à atividade humana e contribuir para aliviar as pessoas de trabalhos pesados e perigosos, e seguir sempre o princípio do papel insubstituível da pessoa. O Papa também aconselha a proteção dos jovens e destaca o papel primordial da educação para saber usar bem as inovações tecnológicas. O Papa defendeu o “desarmamento” da inteligência artificial e fez um paralelo com a energia nuclear, que também exige controle público, responsabilidade moral e limites. Ele disse que espera que a reflexão desta segunda-feira (25) possa inaugurar uma nova era de artesãos da esperança que continuarão a construir o canteiro de obras do nosso tempo: "Não devemos ter medo da inteligência artificial, mas manter em mente a questão do humano. Não podemos ser descuidados com nossas ferramentas tecnológicas mais potentes". Na primeira encíclica do pontificado, Papa Leão XIV reconhece valor das novas tecnologias, mas faz alerta sobre riscos do mau uso Jornal Nacional/ Reprodução Entre os convidados estavam cardeais, embaixadores, professores e representantes das grandes empresas de tecnologia. Um deles, o pesquisador Christopher Olah, cofundador da empresa americana Anthropic, estava na mesa ao lado de Leão XIV. Chris Olah disse que existe uma possibilidade real de a inteligência artificial eliminar milhões de empregos em todo o mundo e que é preciso garantir que os benefícios da IA sejam compartilhados no mundo inteiro. Agora, o Vaticano trata a inteligência artificial como a nova questão social do século 21. Ao criticar a velocidade da corrida tecnológica, Leão XIV pediu mais controle político e regras mais duras para empresas e governos, e fez uma recomendação: continuemos humanos. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Papa lança sua 1ª encíclica; texto aborda inteligência artificial Papa lança sua 1ª encíclica na próxima semana; texto aborda IA e pode virar novo ponto de atrito com Trump Papa Leão XIV sobre uso de IA na guerra: 'Não é permitido confiar decisões letais ou irreversíveis a sistemas artificiais'
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