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    Multidões protestam na França, Espanha, Itália, Bélgica e Albânia; confrontos incluem bombas, pedras e prisões

    10 hours ago

    Onda de protestos se espalha pela Europa Protestos na Europa contra o alto custo de vida, a perda de poder de compra e a deterioração dos serviços públicos levaram milhares de pessoas às ruas da França, Itália, Bélgica, Albânia e Espanha neste sábado (24). Embora não façam parte de um movimento único, várias das manifestações refletem insatisfação com as condições econômicas e com a resposta dos governos a problemas que afetam o dia a dia da população. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp As reivindicações, porém, variam de país para país e incluem pautas políticas e sociais específicas. França: mais recursos para escolas e serviços públicos, em meio à pressão do governo para controlar os gastos e o endividamento. Itália: medidas para enfrentar o custo de vida, os preços dos combustíveis e problemas em áreas como emprego, saúde, educação e moradia. Caminhoneiros, agricultores e metalúrgicos também organizaram bloqueios. Bélgica: insatisfação com o custo de vida e a deterioração dos serviços públicos, em um cenário de dívida e déficit elevados. Espanha: defesa das aposentadorias públicas e medidas urgentes contra a crise de moradia. Albânia: combate à corrupção, criação de empregos, melhoria da educação e pressão pela saída do primeiro-ministro Edi Rama. Apesar das diferenças entre as pautas, parte das cobranças esbarra em um desafio comum: a capacidade dos governos de responder às demandas da população em um cenário de pressão sobre as contas públicas e o orçamento das famílias. O aumento dos custos de energia e combustíveis encarece as despesas cotidianas, enquanto o endividamento elevado limita a margem para ampliar os gastos públicos. 👉 A dívida pública supera o equivalente a toda a produção anual de bens e serviços na Itália, França, Bélgica e Espanha. No segundo trimestre de 2026, o endividamento correspondia a 139,9% do Produto Interno Bruto (PIB) italiano, 119,1% do francês, 110,2% do belga e 101,4% do espanhol, segundo o Eurostat, órgão de estatísticas da União Europeia. 👉 Além da dívida elevada, alguns registram déficits públicos acima do limite de referência europeu, enquanto outros enfrentam inflação superior à média da zona do euro. Em 2025, os déficits equivaliam a 5,1% do PIB francês e 5,2% do belga, acima do limite de 3% previsto nas regras fiscais da União Europeia. Na Itália, a inflação chegou a 4,2% em setembro, ante 3,8% na zona do euro. Ao longo deste sábado, as manifestações também foram marcadas por confrontos entre policiais e grupos de manifestantes. A seguir, veja o que aconteceu em cada país e entenda as reivindicações que levaram a população às ruas. França Principais cidades da França têm mais um dia de protestos Na França, onde os protestos começaram a cerca de um mês, com estudantes do ensino médio reivindicando melhoras na educação pública, milhares foram às ruas de norte a sul do país. Na capital, Paris, segundo dados da polícia, cerca de 110 mil pessoas marcharam pacificamente. Não houve grandes incidentes como há uma semana, no entanto, ao final do ato, policiais tiveram que usar gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar pequenos grupos de jovens encapuzados. Centenas de pessoas reunidas em manifestação em Paris neste sábado (24) REUTERS/Abdul Saboor Em Marselha, a segunda maior cidade do país, jovens arrastaram grandes chapas de metal para bloquear uma rua, atearam fogo em latas de lixo e atiraram pedras e garrafas contra a polícia antimotim. Em Lyon, a terceira maior cidade francesa, a polícia usou gás lacrimogêneo para conter o início de tumultos, assim como em Pau, onde uma testemunha registrou em vídeo o momento em que uma correria começou depois que o gás foi lançado (veja abaixo). Polícia usa gás lacrimogêneo para dispersar protestos na França De acordo com as agência de notícias AFP e Reutars, também houve protestos com pequenos incidentes em Lille, Toulouse, Nantes, Nice, Clermont-Ferrand, Bordeaux e Grenoble. O Ministério do Interior francês afirma que 410 mil pessoas participaram dos protestos em todo o país, enquanto os sindicatos alegam que a participação foi o dobro. Segundo o ministro Laurent Nunez, quase mil pessoas foram presas - cerca de 100 após buscas preventivas que também resultaram na apreensão de itens que poderiam ser usados ​​como armas. Entre eles, bolas de metal, chumbinhos, fogos de artifício, estilingues, balas de aço, armas improvisadas, uma katana e armas de airsoft. Um dia antes, em uma coletiva de imprensa, ele anunciou um esquema de segurança reforçado, com 70 mil policiais e agentes especiais mobilizados para conter possíveis episódios de violência, saques e depredações como os que ocorreram no sábado passado. Embora as marchas contra o aumento do custo de vida "tenham transcorrido bem" nas cidades, os policiais se depararam posteriormente com "um nível extremamente elevado de violência" por parte de grupos "de extrema esquerda", disse Nunez a jornalistas. Itália Polícia entra em confronto com manifestantes na Itália Na Itália, assim como na França, o governo reforçou a segurança para lidar com possíveis distúrbios causados pelas manifestações, que causaram muitos prejuízos no último sábado. Em Milão, apesar do alto número de agentes do choque acompanhando a multidão, o protesto foi pacífico. Houve momentos de tensão, com centenas de pessoas entoando canções antifascistas e slogans contra a polícia, mas confrontos não foram registrados. Em Turim, no entanto, houve tumulto e a polícia usou cassetetes e escudos para repelir os manifestantes que tentavam marchar pelo centro da cidade, perto da Piazza Castello. Bélgica Policial de Bruxelas golpeando manifestante com cassetete e dando chute REUTERS Na capital belga, Bruxelas, agentes da polícia também foram flagrados agredindo manifestantes. Imagens feitas pela agência de notícias Reuters mostram manifestantes correndo e caindo enquanto eram cercados pela polícia, e policiais agredindo um deles com socos, chutes e golpes de cassetete. A manifestação reuniu centenas de pessoas, por volta das 13h no horário local, na estação central para uma marcha em direção à estação ferroviária Gare du Midi. Albânia Protestos na Bélgica e na Albânia têm confronto entre manifestantes e policiais Em Tirana, a capital albanesa, manifestantes atiraram muitas pedras contra os policiais, que usaram canhões e água para contê-los. Na Albânia, a população exige a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama, acusado de corrupção. "Os albaneses acordaram", disse o manifestante Daniel Tahiri, de 28 anos, que descreveu o governo como uma "ditadura com vestes de democracia". Pedras foram lançadas por manifestantes contra os policiais em Tirana, na Albânia REUTERS/Valdrin Xhemaj Espanha No centro de Madri, a capital espanhola, cerca de 25 mil pessoas se reuniram para defender as aposentadorias públicas, a um mês das eleições legislativas. A esquerda acusa a direita de querer abrir caminho para uma privatização parcial do sistema previdenciário. A marcha percorreu aproximadamente dois quilômetros, sem incidentes, entre a estação de Atocha e a rua Alcalá. Manifestantes exibem faixas e bandeiras durante protesto em defesa das aposentadorias públicas e por melhores salários no centro de Madri, na Espanha, em 24 de outubro de 2026. Oscar Del Pozo/AFP
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