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    Mudanças nas recomendações de vacinação nos EUA confundem pais e prejudicam crianças, dizem médicos

    19 hours ago

    EUA mudam diretriz de vacinação infantil Mudanças recentes nas recomendações federais de vacinação infantil nos Estados Unidos têm gerado confusão entre pais, aumentado a hesitação em relação às vacinas e podem colocar crianças em risco, alertam médicos e entidades médicas do país. Especialistas afirmam que a nova abordagem, anunciada nesta semana pelo governo norte-americano, enfraquece a mensagem de que as vacinas são seguras, eficazes e fundamentais para a prevenção de doenças graves. A pediatra Molly O'Shea, que atende em dois consultórios no estado de Michigan, diz que já vinha observando um crescimento do ceticismo vacinal entre as famílias antes mesmo das mudanças. Em uma de suas clínicas, localizada em uma região majoritariamente democrata, pais têm optado por esquemas alternativos, espaçando as doses. Na outra, em uma área republicana, há famílias que deixaram de vacinar completamente os filhos. Segundo ela, as novas diretrizes tendem a agravar esse cenário. “Elas criam um ambiente de incerteza sobre o valor, a necessidade e a importância das vacinas”, afirma. Para a médica, a forma como as recomendações foram reformuladas pode levar pais a acreditar que apenas um grupo restrito de crianças realmente precisa ser imunizado. Reprodução O que mudou nas recomendações A principal alteração foi a interrupção das recomendações universais para vacinas que protegem contra seis doenças. A partir de agora, esses imunizantes passam a ser indicados apenas para crianças consideradas de alto risco ou mediante um processo chamado de “tomada de decisão clínica compartilhada” entre pais e profissionais de saúde. Esse conceito, segundo pediatras, é pouco compreendido e potencialmente problemático. A chamada decisão compartilhada não significa apenas conversar sobre a vacina —algo que já faz parte da rotina médica—, mas um processo individualizado, no qual a imunização deixa de ser indicada de forma ampla para todas as crianças de determinada faixa etária. No site do Comitê Consultivo sobre Práticas de Imunização, a definição afirma que, nesse modelo, a vacinação não é recomendada para todas as pessoas de um grupo, mas avaliada caso a caso, com base no diálogo entre o profissional de saúde e o paciente ou responsável. Vacinas afetadas pelas novas diretrizes Hepatite A – deixa de ser recomendada para todas as crianças; passa a ser indicada para grupos de maior risco ou mediante decisão clínica compartilhada. Hepatite B – segue a mesma lógica: recomendação restrita a situações específicas ou decisão compartilhada com profissional de saúde. Rotavírus – deixa de integrar o calendário universal infantil. Vírus sincicial respiratório (VSR) – recomendação passa a ser direcionada a crianças de alto risco. Gripe – deixa de ser universal e passa a depender de decisão clínica compartilhada. Doença meningocócica – indicada apenas para grupos específicos ou após avaliação individual. A vacina contra a Covid-19 já havia migrado para o modelo de decisão clínica compartilhada no ano passado. Pesquisas recentes do Centro de Políticas Públicas Annenberg mostram que a maioria dos adultos nos EUA não entende bem o que esse conceito significa. Apenas cerca de 20% sabiam que a decisão compartilhada pode indicar que uma vacina não é necessária para todos, mas benéfica para alguns. Menos de um terço reconhecia que farmacêuticos também fazem parte dos profissionais habilitados a participar desse processo. Assessoria Críticas da comunidade médica Para médicos e entidades científicas, as mudanças ocorrem em um momento particularmente sensível, em que as taxas de vacinação infantil já vinham caindo e doenças evitáveis, como sarampo e coqueluche, voltaram a causar surtos no país. Na sexta-feira (9), a Academia Americana de Pediatria e mais de 200 organizações médicas, de saúde pública e de defesa dos pacientes enviaram uma carta ao Congresso pedindo investigação sobre as alterações no calendário vacinal. No documento, os grupos questionam por que evidências científicas consolidadas teriam sido ignoradas e por que o comitê técnico responsável não debateu publicamente as mudanças. O secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., afirmou que as novas recomendações alinham o país a padrões internacionais e reforçam a transparência e o consentimento informado. Médicos, no entanto, discordam e dizem que a medida semeia dúvidas injustificadas sobre vacinas amplamente testadas e consideradas seguras. Vacinação de bebês contra a Covid em Boa Vista PMBV/Divulgação Impacto na prática médica Além da confusão entre pais, pediatras alertam para impactos práticos no atendimento. Segundo O'Shea, vacinas enquadradas como decisão compartilhada podem deixar de ser aplicadas em visitas rápidas apenas para imunização, exigindo consultas mais longas com profissionais de saúde. Isso pode dificultar, por exemplo, campanhas de vacinação em massa, como clínicas de gripe. O pediatra Steven Abelowitz, fundador da Ocean Pediatrics, na Califórnia, diz que recebeu relatos de pais confusos logo após o anúncio das mudanças. Para ele, a decisão federal “joga gasolina em um incêndio de desconfiança” que já vinha se espalhando. “Já vimos o que acontece quando a vacinação cai: mais hospitalizações e até mortes por doenças que poderiam ser evitadas”, afirma. “Estamos, na prática, retrocedendo décadas.” Pais divididos Apesar do cenário, muitos médicos dizem que continuarão seguindo as recomendações científicas tradicionais e orientando as famílias a manterem o calendário vacinal completo. Parte dos pais também pretende seguir nesse caminho. É o caso de Megan Landry, mãe de Zackary, de 4 anos, paciente de O'Shea. “É minha responsabilidade proteger a saúde do meu filho”, diz. “As vacinas são uma das formas mais eficazes e bem estudadas de fazer isso.” Para ela, confiar em evidências científicas e em profissionais de saúde é essencial —não apenas para proteger o próprio filho, mas também a coletividade. Outras famílias, porém, demonstram crescente desconfiança. Para O'Shea, a maior preocupação é a mensagem implícita de que os especialistas não seriam confiáveis. “Quando levo meu carro ao mecânico, confio que ele sabe o que está fazendo”, compara. “Com a medicina deveria ser o mesmo.” Médicos alertam que, se a tendência persistir, o custo poderá ser alto: mais crianças doentes, mais internações e o retorno de doenças que já haviam sido controladas pela vacinação em larga escala.
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