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    MPF aponta falta de participação social e cobra mais debates sobre o projeto Praça Onze Maravilha

    8 hours ago

    MPF aponta falta de participação social no projeto Praça Onze Maravilha O Ministério Público Federal (MPF) enviou nesta sexta-feira (8) um documento à Câmara de Vereadores do Rio apontando que o projeto Praça Onze Maravilha, que prevê uma revitalização urbana na região central da cidade, ainda precisa de mais discussão e de estudos adequados. Segundo o órgão, a proposta não conta com participação social e o texto precisa ser aperfeiçoado e debatido com a população carioca, principalmente com os moradores da área afetada. O projeto foi aprovado em primeira discussão na Câmara na última terça-feira (5). A proposta já passou por audiências públicas com moradores e comerciantes da região. Um dos cartões-postais do Rio, o Sambódromo fica na região da Praça Onze, cenário conhecido mundialmente por sediar os desfiles de carnaval. A área também é endereço de famílias que vivem no local há décadas. A Prefeitura do Rio apresentou o projeto em 20 de novembro de 2025, Dia da Consciência Negra. O Praça Onze Maravilha prevê uma grande requalificação urbana em uma área que engloba parte do Centro, da Lapa, Catumbi, Estácio e Cidade Nova. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Projeto Praça Onze Maravilha Reprodução/TV Globo Entre as mudanças previstas estão a demolição do Elevado 31 de Março, ao lado do Sambódromo, além da criação de novas vias, moradias e equipamentos culturais. A previsão de investimento é de cerca de R$ 1,7 bilhão, com recursos privados. As obras devem seguir até 2032. Na quarta-feira (6), durante a segunda audiência pública promovida pela Câmara, moradores e comerciantes levaram dúvidas e preocupações sobre o projeto. Entre os principais pontos levantados estão o medo de que as mudanças não contemplem quem já vive na região e a possibilidade de aumento no custo de vida. “Foi um momento importante para os moradores ouvirem projeto e também para que vereadores ouvissem a reclamação dos moradores, que passa muito pela questão da regularização fundiária, casas insalubres e também a Vila Operária que tá em risco de cair”, disse a coordenadora de desenvolvimento territorial do Circo Crescer e Viver, Faby Soares. 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum detalhe. Baixe o GloboPop. Projeto Praça Onze Maravilha Reprodução/TV Globo Sem plano de habitação Segundo o MPF, um dos principais pontos de atenção é a falta de um plano para habitação de interesse social, ou seja, a garantia de moradia digna para quem já vive na região. O órgão também alertou para o risco de privatização de terrenos públicos e para a possibilidade de moradores terem que deixar a área, principalmente as populações mais pobres. “Em relação à habitação de interesse social não há previsão qualquer sobre como isso vai se dar, que tipo de iniciativa vai ser realizada lá, apesar de haver um plano municipal de habitação de interesse social”, afirmou o procurador da República, Júlio José Araújo Júnior. “Essa operação urbana, que a nosso ver é uma operação urbana consorciada, ela deve prever que qualquer recurso que for utilizado ali sobre direito de construir, sobre investimentos que forem feitos por atores privados, tem que reverter para aquele lugar, de maneira exclusiva para aquele lugar”, acrescentou. O projeto Praça Onze Maravilha ainda passará por uma segunda e última votação na Câmara, prevista para a próxima semana. Mais de 70 emendas já foram apresentadas pelos vereadores. Morador da Vila Operária desde que nasceu, há 55 anos, o promotor de eventos Sérgio disse que apoia as mudanças, mas pede atenção aos moradores da região. “O projeto é bom, desde que abrace todo mundo, porque o Estácio e a Cidade Nova não só Sambódromo. (...) A gente quer a melhoria porque é importante, mas também atenção pra nossa região.” O que dizem a Prefeitura e a Câmara do Rio A Prefeitura do Rio declarou que o projeto não prevê desapropriações de áreas ocupadas e que a operação foca exclusivamente em terrenos públicos subutilizados e espaços liberados pela derrubada do Viaduto 31 de Março para novas construções. A prefeitura disse também que a proposta promove a preservação de imóveis históricos, como a Vila Operária, e prevê a implantação de novos equipamentos culturais, como a Biblioteca dos Saberes. Ainda segundo a prefeitura, o diálogo com a sociedade é base da proposta e o projeto vem sendo objeto de audiências públicas, seminários e debates técnicos em diferentes espaços e para diversos grupamentos de moradores e organizações de classe nos últimos meses, destacando ao menos cinco encontros. A Câmara de Vereadores do Rio disse que o projeto segue sendo amplamente debatido e analisado na Casa e que, até agora, já foram realizadas duas audiências públicas, reunião técnica e seminário. A Câmara afirmou ainda que o projeto está sendo analisado por técnicos de 11 comissões e que todos os questionamentos apresentados estão sendo considerados.
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