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    Mesmo com investimentos em energia limpa batendo recordes, petróleo está longe de perder importância no mundo

    há 2 meses

    A economia mundial ainda é extremamente dependente do petróleo, mesmo com investimentos em energia limpa batendo recordes A economia mundial é extremamente dependente do petróleo, mesmo com os investimentos em energia limpa batendo recordes. A guerra no pedaço do planeta que comercializa boa parte do petróleo global escancara o tamanho da nossa dependência desse único recurso. Vivemos em um mundo movido a petróleo. “Produtos que são negociados internacionalmente têm um conteúdo invisível de derivados de petróleo. Isso influencia o mercado de capitais e, com isso, influencia o mundo como um todo”, afirma Luciano Losekann, professor de economia da UFF e coordenador do grupo Energia e Regulação. 40% da matriz energética global vem do petróleo. E a vida moderna só fez aumentar esse consumo ao longo dos anos. É o que move a maioria da frota de mais de 1,3 bilhão de carros pelo mundo. “Nós estamos avançando nas chamadas fontes renováveis, mas também avançamos no consumo de fontes de combustíveis fósseis. Ou seja, ano passado, foi o recorde histórico de produção de fontes renováveis, mas também foi um recorde de produção de fósseis. Então, eles vão caminhando juntos”, diz David Zylbersztajn, ex-diretor geral da ANP e professor da PUC-Rio. Os Estados Unidos são os maiores consumidores. Para o motor da economia americana girar, lá se vão 20 milhões de barris de petróleo por dia. A China consome 14 milhões - a maior parte vinda dos países árabes. O Brasil, 3,2 milhões de barris diários e, mesmo sendo autossuficiente em petróleo bruto - o que significa dizer que a produção bastaria para atender à demanda interna -, o Brasil não está imune às consequências da guerra. Nosso país importa 30% de diesel por dois motivos: porque o petróleo extraído aqui tem menos diesel na composição; porque as refinarias não estão adaptadas para produzir diesel que dê conta da demanda. “O Brasil, em termos de transporte, é um país sobre quatro rodas movidas a diesel. Claro que você tem a gasolina do automóvel, que tem etanol, mas todo o transporte urbano e o transporte rodoviário é essencialmente a diesel”, explica David Zylbersztajn. O Brasil tem a 14ª maior reserva de petróleo do mundo. O primeiro lugar fica com a Venezuela, mas boa parte ainda não é explorada. A Arábia Saudita ocupa o segundo lugar nesse ranking. Mas juntas, as reservas de seis países do Oriente Médio passam de 860 bilhões de barris e eles são os maiores vendedores de petróleo para o mundo. “A característica desses países, dessa região conflitada, são países que produzem muito, mas consomem pouco. Então, têm uma capacidade de exportação muito grande. 20% da demanda mundial passa por lá. O que é muita coisa”, afirma David Zylbersztajn. Mesmo com investimentos em energia limpa batendo recordes, petróleo está longe de perder importância no mundo Jornal Nacional/ Reprodução A interdição do Estreito de Ormuz e também bombardeios a refinarias e instalações de petróleo e gás diminuem a oferta e pressionam o preço. O barril, que custava cerca de US$ 70 antes da guerra, desde o dia 12 de março oscila em torno dos US$ 100. A guerra no Irã evidencia as consequências econômicas do conflito para o mundo todo e a fragilidade dos países diante da alta do barril. Esse cenário instável, dizem os especialistas, pode ser também o combustível para acelerar os investimentos em transição energética. Mesmo com dois terços dos investimentos globais em energia sendo destinados para alternativas mais limpas - como a energia solar, por exemplo -,o petróleo está longe de perder importância no mundo. “A transição energética vinha em um movimento e foi muito questionada nos últimos anos em função dos resultados alcançados e dos custos. Muitos países voltaram atrás nos incentivos. Hoje, eu acho que esse cenário se mostra favorável à retomada do processo de substituição de fontes e dos incentivos às renováveis”, diz Luciano Losekann. “Mas é um processo que vai ser, na prática, mais lento do que a gente gostaria. E, seguramente, a gente vai ter que conviver, primeiro com o petróleo durante muito tempo, e eventuais crises do petróleo durante muito tempo. Pelo menos nos últimos quase 60 anos, a gente tem vivido alguns ciclos e crise do petróleo", afirma David Zylbersztajn. LEIA TAMBÉM Guerra entra em nova fase com ataques a instalações de energia; veja locais bombardeados e reação de Trump Após disparada do petróleo, países europeus e Japão falam em ajudar a liberar Estreito de Ormuz Petróleo em alta encarece diesel e gasolina; veja como guerra pesa no bolso do brasileiro Quais países poderão lucrar com a guerra no Irã — e quais serão os mais atingidos? Governo corre contra o tempo para evitar uma ‘crise do diesel’ ainda maior Premiê do Catar diz que ataque do Irã a polo de gás tem 'impacto significativo' no fornecimento global de energia
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