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    Mãe de adolescente que denunciou estupro coletivo relata falta de apoio da escola: 'Ouvi da gestora que não passava de brincadeira'

    11 hours ago

    Mães denunciam que filhas sofreram estupro coletivo em escola no Cabo de Santo Agostinho A mãe de uma das duas estudantes de 14 anos que denunciaram ter sido vítimas de estupro coletivo dentro de uma escola municipal do Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife, disse, em entrevista à TV Globo, ter ouvido da gestora da instituição de ensino que a violência "não passava de uma brincadeira" (veja vídeo acima). O caso está sendo investigado pela Polícia Civil. Segundo a defesa das vítimas, uma das jovens chegou a contar o abuso à diretora da escola logo após o ocorrido, mas a gestora disse que iria "resolver" e pediu para que a estudante deixasse o assunto de lado. Quando foi à instituição, a mãe afirmou que não recebeu assistência da escola. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE "E eu ainda ouvi da gestora que isso não passava de uma brincadeira. Inadmissível a gente ouvir isso. Desde o acontecido, a gente não teve nenhum apoio, de prefeitura, de psicóloga. Ninguém nos procurou", disse uma das mães. Os dois abusos aconteceram com um mês de diferença, sendo o primeiro em julho e o mais recente, na segunda-feira (3). Os nomes das estudantes não foram divulgados nesta reportagem em conformidade com o que determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). "É um sentimento muito doloroso. Porque onde era para ter segurança dos nossos filhos, dentro de uma escola, não tem. A pergunta que não quer calar: onde é que estavam os gestores que ninguém viu, dentro da sala de aula, esse ocorrido?", afirmou. A mãe da outra estudante disse que a filha está muita abalada. "[Tenho] muita revolta, porque a minha filha hoje está com muito medo. Não está comendo, não está dormindo. Está muito assustada", disse. Em nota, a prefeitura do Cabo de Santo Agostinho informou que adotou as medidas cabíveis e um procedimento administrativo foi instaurado para apurar o caso (veja resposta mais abaixo). Ambas as denúncias são investigadas pela 14° Delegacia da Mulher, no bairro de Pontezinha. Procurada, a Polícia Civil disse que "por envolver menores de idade, o caso segue sob sigilo, e mais informações não podem ser divulgadas para preservar as vítimas", declarou. Mãe denuncia que filha foi estuprada dentro de sala de aula no Grande Recife Reprodução/TV Globo Abusos aconteceram no intervalo Segundo a defesa das estudantes, representada pela advogada Luanny Porto, os abusos foram praticados por cinco alunos. Conforme os relatos, os estudantes abordaram as vítimas enquanto elas estavam sozinhas na sala de aula, durante o intervalo escolar. Para a advogada, as ocorrências devem ser tratadas como estupros coletivos. O crime mais recente, ocorrido na segunda-feira (3), aconteceu quando a estudante decidiu lanchar dentro da própria sala, de acordo com a advogada. "Por volta de meio-dia, no horário do intervalo, uma das vítimas foi até a sala de aula para comer o lanche que trouxe de casa, pois não costuma consumir a merenda escolar. Ao chegar, foi surpreendida pelos jovens, colegas de classe, que apagaram a luz, deram uma rasteira e socos nela, e cometeram a violência. Levantaram a blusa, baixaram a calça dela e tocaram em seus seios e genitália", relatou a advogada. Ainda de acordo com a defesa das vítimas, após o término das aulas, no fim da tarde, a jovem voltou para casa, mas ficou com medo de contar o que aconteceu para mãe porque os agressores afirmaram que matariam a família caso contasse a alguém. "Ela não disse nada à mãe porque ficou com medo das ameaças de morte contra ela, a mãe e outros familiares. No dia seguinte, ela chorou muito para não ir à aula, mas a mãe insistiu, pois, até então, não sabia de nada. No meio da aula, a menina enviou uma mensagem pedindo socorro no celular da mãe", afirmou Luanny. Após a denúncia da primeira estudante, a outra jovem ficou encorajada pelo relato e decidiu denunciar o que aconteceu com ela no início de julho. Segundo Luana, esse primeiro caso aconteceu também dentro da sala de aula e na hora do intervalo. "Foi o mesmo modus operandi. Essa outra jovem também costuma comer na sala por sofrer bullying. Ela, inclusive, tem histórico de automutilação, algo de que a escola tem ciência, mas não fez nada. Registramos o boletim de ocorrência e fomos ao Instituto de Medicina Legal (IML), onde as duas passaram por exames sexológicos", contou a advogada. O Conselho Tutelar foi acionado e, desde terça-feira (4), as jovens não frequentam as aulas. Além disso, a defesa das vítimas informou que as estudantes e suas mães serão encaminhadas para acompanhamento psicológico, e uma notícia de fato será enviada ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Delegacia da Mulher no Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife Reprodução/TV Globo O que diz a prefeitura do Cabo Em nota, a prefeitura do Cabo de Santo Agostinho informou que: as estudantes estão sendo acolhidas e recebendo acompanhamento necessário, incluindo suporte jurídico e psicológico; foi instaurado procedimento administrativo para apuração dos fatos; o caso é acompanhado em articulação com o Ministério Público de Pernambuco, o Conselho Tutelar e demais autoridades responsáveis pela investigação; a gestão afirma que não houve omissão por parte da escola ou da Secretaria Municipal de Educação; "todas as medidas administrativas, pedagógicas e legais continuarão sendo adotadas para assegurar a proteção dos estudantes e o pleno esclarecimento dos fatos". O que dizem o Conselho Tutelar e do MPPE Em nota, o Conselho Tutelar da Regional 1, do Centro do Cabo de Santo Agostinho afirmou que: "todas as providências cabíveis, no âmbito de suas atribuições legais, foram devidamente adotadas, com o encaminhamento do caso aos órgãos competentes, dentre eles a Promotoria de Justiça da Infância e Juventude da Comarca do Cabo de Santo Agostinho"; "em respeito ao dever legal de sigilo e à proteção dos direitos dos envolvidos, [...] não fornecerá informações sobre o conteúdo do atendimento, procedimentos adotados ou dados que possam possibilitar a identificação das pessoas envolvidas". Também por meio de nota, o MPPE informou que a 1ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania do Cabo de Santo Agostinho "acompanha o caso desde 5 de agosto, adotando as medidas cabíveis para o prosseguimento das apurações e acionamentos da rede de proteção em favor das vítimas". VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias
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