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    Laudo não aponta contaminação após vazamento de óleo em rio no AC; especialista alerta para riscos

    14 hours ago

    Laudo da Sema não apontou contaminação no Rio Tarauacá após vazamento de 15 mil litros de óleo no Jordão Arquivo: Emanoel Farias/Sema Um laudo da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) não apontou contaminação nas amostras de água coletadas após o derramamento de 15 mil litros de óleo no Rio Tarauacá, no município de Jordão, interior do Acre, no dia 24 de abril. Segundo o órgão, a água pode ser utilizada pois todos os parâmetros analisados apresentaram resultados dentro da normalidade. 👉 O vazamento ocorreu após o naufrágio de uma balsa da Transportadora RI Ltda., à época, o acidente provocou preocupação entre moradores ribeirinhos, mobilizou órgãos ambientais e levou à decretação de situação de emergência no município. Após 4 dias do desastre, no dia 28 de abril, a Sema colheu as amostras. A Transportadora foi multada em R$ 3 milhões ainda podendo recorrer. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Conforme a Sema, o relatório técnico com os laudos laboratoriais foi encaminhado ao Ministério Público do Acre (MP-AC) e à Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) que acompanharam o caso. O g1 entrou em contato com representantes da empresa e com o MP-AC e, até a última atualização desta reportagem, não havia obtido resposta. Transportadora foi multada em R$ 3 milhões por derramamento de óleo em rio no Acre Em nota, a Sema, disse que o laudo confirmou que os compostos ligados ao combustível e outros metais não apresentou concentrações indicativas de contaminação. Ainda assim, o órgão disse que possui 17 pontos de monitoramento distribuídos em nove rios do Acre. (Veja mais abaixo) LEIA MAIS MP abre inquérito para apurar derramamento de óleo após naufrágio de balsa em rio do Acre Amostras de água são coletadas após derramamento de óleo em rio do AC: 'Irresponsabilidade com a população' Embora a turbidez estivesse elevada (variando de 530,09 a 898,50 nos laudos), a análise técnica apontou que essa condição era devida ao período chuvoso amazônico (caracterizado pelo aumento de sedimentos, matéria orgânica e partículas em suspensão durante as cheias) e não pelo vazamento. Além disso, os laudos destacaram resultados como a temperatura da água, oxigênio dissolvido (OD), demanda bioquímica de oxigênio (DBO), demanda química de oxigênio (DQO) e condutividade elétrica não indicaram alterações incompatíveis com a avaliação técnica feita. Os resultados foram: Óleos e Graxas: 4,00; Benzeno: 0,0034; Tolueno: 0,0019; Etilbenzeno: 0,0050; Xilenos: 0,0036; BTEX Total [soma desses compostos]: 0,0139; Benzo[a]pireno: 0,0139; Chumbo: 0,01 (não foram verificadas concentrações acima dos limites de referência) “Os laudos não identificaram qualquer tipo de contaminação relacionada ao derramamento de óleo. Como as análises não apontaram alteração na qualidade da água, ela pode ser consumida. Todos os resultados foram negativos para contaminação após a avaliação”, informou a Sema na nota. Especialista alerta Apesar do resultado da análise, o professor e pesquisador em Geografia, Ciência, Inovação e Tecnologia para a Amazônia, da Universidade Federal do Acre (Ufac), Rodrigo Peréa, explica que um laudo negativo não significa que o desastre ambiental deixou de existir. Segundo ele, a própria dinâmica dos rios amazônicos pode fazer com que o combustível desapareça rapidamente da coluna d’água, o que acaba dificultando sua detecção em análises feitas da forma como ocorreu, dias depois do desastre. "A água corrente se renova a cada segundo. Se as amostras foram coletadas dias após o pico do vazamento, ou em áreas onde a correnteza já havia levado o combustível, os níveis de óleo ficam abaixo do limite de detecção dos equipamentos. Um laudo não anula o desastre ambiental", ponderou. Ainda de acordo com o pesquisador, os maiores impactos não estão necessariamente dissolvidos na água, mas na superfície do rio e nos sedimentos do fundo. Ele explica que a película de diesel bloqueia a troca de oxigênio entre a água e o ar, contamina a vegetação e afeta peixes, aves e insetos da região. "O dano causado por um derramamento de diesel não está apenas no que se dissolve na água. O impacto ocorre na superfície, na vegetação ciliar e nos organismos que dependem desse ambiente. Isso afeta diretamente a pesca e a segurança alimentar das comunidades ribeirinhas e indígenas", diz. Óleo se esconde Peréa também afirma que o comportamento do diesel nos rios amazônicos permite que parte do combustível fique retido em áreas de pouca correnteza e no fundo do rio. Segundo ele, as partículas de óleo aderem aos sedimentos, afundam e permanecem armazenadas na lama por anos. "O laudo da água pode dar negativo, mas a lama no fundo do rio continua retendo hidrocarbonetos. O rio não é um tubo reto e pode liberar lentamente substâncias tóxicas. Existem curvas e áreas de remanso onde o óleo fica acumulado e continua contaminando a base da cadeia alimentar", afirmou. O pesquisador explica ainda que peixes que ficam mais no fundo dos rios, como mandis, surubins e cascudos, podem absorver essas substâncias ao se alimentarem em áreas contaminadas. Segundo ele, isso cria uma contaminação silenciosa que pode atingir as populações que dependem da pesca. "O perigo agora não é mais enxergar a mancha de óleo descendo o rio, mas consumir peixes que se alimentaram em sedimentos contaminados. A contaminação pode permanecer entre um e três anos. Era necessário conter o diesel com barreiras flutuantes, alertar todas as comunidades rio abaixo e garantir abastecimento de água potável antes da chegada da pluma de óleo", disse. Questionado sobre os riscos para moradores que utilizam água do rio, Rodrigo Peréa afirma que o consumo representa risco à saúde. "Coar ou ferver a água não resolve o problema. A única alternativa segura é utilizar outra fonte, como água da chuva armazenada corretamente, água mineral ou poços sem conexão com o rio. O risco também se estende ao preparo de alimentos e banho", completou. Nota da Sema O Governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), concluiu que não há evidências de contaminação da água do Rio Tarauacá em decorrência do vazamento de óleo diesel ocorrido após o tombamento parcial de uma balsa no município de Jordão, em abril de 2026. A conclusão consta no Relatório Técnico Definitivo elaborado pelo Departamento de Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental da Sema. Após o acidente, a Sema coordenou ações emergenciais em conjunto com órgãos estaduais e federais, incluindo a instalação de barreiras de contenção, o bombeamento do combustível remanescente, a retirada da embarcação e o monitoramento da qualidade da água em pontos localizados nos municípios de Jordão e Tarauacá. As análises laboratoriais não detectaram concentrações de compostos associados ao óleo diesel, como óleos e graxas, benzeno, tolueno, etilbenzeno, xilenos, BTEX, benzo[a]pireno e chumbo, em níveis que indicassem contaminação do rio. Os parâmetros físico-químicos também permaneceram dentro das condições esperadas para o período, sendo a elevada turbidez compatível com o regime de cheias amazônico. Durante as vistorias de campo, as equipes técnicas não identificaram manchas persistentes de óleo, odores de combustível, nem registros de mortandade de peixes ou outros animais aquáticos nas áreas inspecionadas. A avaliação técnica aponta que as condições de forte correnteza e elevado volume de água contribuíram para a dispersão e diluição do material, enquanto a retirada da embarcação eliminou a fonte do derramamento. Com base nos resultados, a Sema informa que não há necessidade de adoção de medidas extraordinárias relacionadas ao evento e que o Rio Tarauacá continuará sendo acompanhado por meio da Rede Estadual de Monitoramento da Qualidade da Água, que possui 17 pontos de monitoramento distribuídos em nove rios do Acre. Reveja os telejornais do Acre
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