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    Lama, chuva e riscos diários: estudantes encaram travessia a pé em ponte comprometida por cheia no Acre

    2 months ago

    Estudantes encaram travessia a pé em ponte comprometida por cheia no interior do Acre A ponte sobre o Igarapé Rapirrã que liga o município de Plácido de Castro, no interior do Acre, à Vila Evo Morales, na Bolívia, segue interditada para o tráfego de veículos após a cheia do Rio Abunã que já afeta centenas de moradores. A medida foi adotada por órgãos estaduais e municipais após vistoria técnica que identificou comprometimento na estrutura. Segundo a Defesa Civil, o bloqueio total para veículos ocorre devido a um colapso em partes da ponte, como o balanço e a transversina. Apesar disso, a travessia ainda é permitida para pedestres e ciclistas, situação esta que, segundo moradores, também oferece riscos. (Veja vídeo acima) 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Estudantes que atravessam a fronteira para cursar medicina na Bolívia relataram ao g1 o medo de atravessar a ponte a pé para poder ir à faculdade. Osvaldo Junior, de 39 anos, contou que sai de Rio Branco ainda de madrugada para chegar em Plácido de Castro. "Para chegar a pé [na faculdade] é em média de 20 minutos, andando rápido. Há um desgaste maior e fora o risco, porque se ela foi interditada, é porque corre o risco de acidente com pedestre. A gente tem que ir, porque tem que estudar, mas é nesse risco diário", relatou. A estudante Alexandria Jardim também descreveu as dificuldades enfrentadas no percurso, que para ela começa ainda em Senador Guiomard, distante 73 km da cidade fronteiriça. "Às vezes a gente pega chuva, tem estrada de barro, então chegamos sujos na faculdade, atrasados. Sem contar que percorremos todo o caminho, passa por estrada esburacada, chega aqui e tem que passar por isso. No começo, a gente sabia que estava sujeito a esse risco, sempre tem essas alagações, eles seguram [a ponte] com corda, a esperança é que elas não quebrem", disse ao se referir às amarrações improvisadas usadas para dar sustentação à ponte. Estudantes relatam medo ao atravessar ponte sobre o Igarapé Rapirrã, em Plácido de Castro Jhenyfer de Souza/g1 A interdição começou no fim de março e, de acordo com os órgãos responsáveis, deve continuar até que o nível da água diminua e uma nova avaliação seja realizada. Sem a passagem de veículos, os estudantes têm recorrido a alternativas improvisadas para completar o trajeto. Ainda segundo os relatos, há transporte pago do outro lado da ponte, muitas vezes em veículos com carroceria. "Tem alunos que pagam para ir até a faculdade, vão em pé atrás de carro. O ramal não dá acesso por causa da lama", contou a estudante Amanda Vitória, moradora de Plácido de Castro. Ponte sobre o Igarapé Rapirrã, em Plácido de Castro, no interior do Acre Jhenyfer de Souza/g1 Impacto no comércio Do lado boliviano, comerciantes também relatam prejuízos. O empresário Ruan Sousa afirma que a interdição afeta diretamente a economia local. "O comércio fica prejudicado porque tanto Bolívia quanto Brasil precisam um do outro. Quando os carros passam, a ponte treme, é perigoso. É necessário fazer uma intervenção", afirmou. A situação da ponte ocorre em meio à elevação do nível do Rio Abunã, que atingiu 12,93 metros, ultrapassando em 33 centímetros a cota de transbordo. Pelo menos três comunidades foram alagadas, afetando mais de 100 famílias. Na área urbana, duas famílias precisaram deixar suas casas e foram acolhidas por parentes e amigos. Não há registro de desabrigados até o momento. Entre os dias 1º e 3 de abril, o município registrou cerca de 280 milímetros de chuva, o que levou o governo do estado a decretar situação de emergência em Plácido de Castro e outros cinco municípios. Ruan Sousa é comerciante do lado boliviano e relata prejuízos Jhenyfer de Souza/g1 Intervenções Na última terça-feira (7), engenheiros do Deracre fizeram nova vistoria e mantiveram a recomendação de interdição. Em nota, os órgãos responsáveis reforçaram que a liberação para veículos só ocorrerá após a redução do nível da água e uma nova análise da estrutura. O prefeito da cidade, Camilo da Silva (PP), disse que a gestão municipal faz o acolhimento e os atendimentos necessários às famílias afetadas com distribuição de cestas básicas, disponibilização de abrigos e acompanhamento da evolução da cheia do manancial e igarapés. "Essa semana nós tivemos desse lado de cá, que é do Rapirrã, onde a ponte foi extremamente comprometida. A enchente, pela primeira vez, quase banhou a ponte. E aí nós tivemos a comunidade boliviana que nos procurou pedindo socorro e entramos em contrato com o Deracre que designou uma equipe especializada que veio avaliar a ponte e achou por bem interditar até que haja uma vazante para fazer uma avaliação melhor, temendo que um risco maior pudesse acontecer", complementou. O presidente da comunidade boliviana, Rodolfo Encinas, relatou a preocupação diante da interdição da ponte, uma vez que sem ela, ambos os lados ficam afetados, causando prejuízos financeiros e colocando a integridade da população em risco. "Nós, moradores de Puerto Evo Morales, Montevidéu e da comunidade de Montevidéu, estamos muito preocupados porque dependemos desta ponte para o nosso sustento. Recebemos turistas e estudantes que vêm à universidade e precisam atravessá-la a pé, o que nos preocupa. Esperamos que este problema com a ponte seja resolvido em breve", disse. Estudantes fazem travessia em ponte sobre o Igarapé Rapirrã, em Plácido de Castro; apenas pedestres e ciclistas podem atravessar Jhenyfer de Souza/g1 Pessoas com mobilidade reduzida e ciclistas atravessam ponte sobre o Igarapé Rapirrã, em Plácido de Castro Jhenyfer de Souza/g1 Cordas seguram estrutura de ponte sobre o Igarapé Rapirrã, em Plácido de Castro, no Acre Jhenyfer de Souza/g1 VÍDEOS: g1
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