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    Khamenei diz que 'não vai recuar' diante dos protestos e acusa manifestantes de agir como mercenários para os EUA

    3 days ago

    Protestos no Irã já são considerados os maiores dos últimos anos contra o regime do país O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, disse nesta sexta-feira (9) que seu governo "não vai recuar" diante dos protestos generalizados que ocorrem na capital Teerã há quase duas semanas. Em seu primeiro pronunciamento desde que os protestos escalaram e tomaram uma nova proporção, ainda nas primeiras horas de 2026, Khamenei chamou os manifestantes de “vândalos” e “sabotadores”, em um discurso transmitido pela TV estatal. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp “Na noite passada, em Teerã, um grupo de vândalos e arruaceiros veio e destruiu um prédio que pertencia ao Estado, ao próprio povo, apenas para agradar o presidente dos Estados Unidos”, disse Khamenei, pedindo a Trump que “cuide do seu próprio país”. O líder supremo iraniano disse também que as mãos do presidente dos EUA, Donald Trump, “estão manchadas com o sangue de mais de mil iranianos” e previu que o líder americano, que classificou como “arrogante”, seria “derrubado” como a dinastia imperial que governou o Irã até a Revolução de 1979. A quinta-feira no Irã foi considerado um "dia sangrento" dos protestos por conta da repressão policial aos manifestantes. Khamenei ordenou um apagão da internet e da rede telefônica, o que aprofundou a crise. (Leia mais abaixo) Protestos no Irã Manifestantes marcharam no centro de Teerã, Irã, contra a situação econômica do país Fars via AP O Irã intensificou a repressão contra manifestantes contrários ao regime nesta quinta-feira (8), no momento em que a onda de protestos chega ao 12º dia no país. Também nesta quinta, o presidente dos EUA, Donald Trump, mencionou a situação do país asiático. "Deixei claro para eles que, se começarem a matar pessoas — o que tendem a fazer durante seus distúrbios, eles têm muitos distúrbios —, se fizerem isso, nós os atingiremos muito duramente", disse o presidente dos Estados Unidos durante uma entrevista ao apresentador de rádio conservador Hugh Hewitt. Os protestos no Irã eclodiram em 28 de dezembro, quando comerciantes de Teerã organizaram uma manifestação contra o aumento dos preços no país e o colapso da moeda local, o rial, o que desencadeou uma onda de ações semelhantes em outras cidades. Outras pautas foram incluídas por outros manifestantes. Desde então, os atos se espalharam por 25 das 31 províncias iranianas, segundo uma contagem da AFP, e deixaram dezenas de mortos, incluindo membros das forças de segurança. Imagens publicadas na rede social X mostram grandes manifestações nas ruas (veja abaixo). Initial plugin text De acordo com vídeos cuja autenticidade foi verificada pela AFP, os manifestantes entoavam slogans como "é a batalha final, Pahlavi voltará", em alusão à dinastia derrubada pela Revolução Islâmica de 1979, ou "Seyyed Ali será destituído", em referência ao líder supremo Ali Khamenei, no poder desde 1989. O Irã está "atualmente sujeito a um corte de internet em escala nacional", afirmou a ONG de vigilância de segurança cibernética Netblocks, com base em dados em tempo real. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, voltou a pedir nesta quinta-feira "a máxima moderação" frente aos manifestantes, bem como o "diálogo" e a escuta às "reivindicações do povo". Quarta-feira sangrenta Ainda não se sabe o número de mortos nos protestos. Segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, pelo menos 45 manifestantes, incluindo oito menores, morreram nos atos. A quarta-feira (7) foi o dia mais sangrento, com 13 mortos, de acordo com esta organização, que também indicou que "centenas" de pessoas ficaram feridas e que mais de 2 mil foram detidas. As manifestações são as maiores no Irã desde as que ocorreram após a morte da jovem Mahsa Amini, em 2022 presa por violar as rígidas normas de vestuário para mulheres.
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