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    Irmã de homem morto pela PM após 24 tiros em SP diz que ele tinha esquizofrenia: 'Não sabem lidar com uma pessoa?'

    10 hours ago

    PM atira 24 vezes contra homem em surto e 45 contra jovem com celular A irmã de Antonio Nunes Batista questionou a atuação de policiais militares que atiraram aos menos 24 vezes contra ele durante uma abordagem na Vila Dionísia, na Zona Norte de São Paulo, no dia 3 de outubro. Ela afirma que o irmão tinha esquizofrenia e que os agentes poderiam ter tentado outras formas de contê-lo. “Ele gesticulava, ele falava, ele gritava. É uma pessoa que tem esquizofrenia. Eles não sabem lidar com uma pessoa dessa?”, indagou Isabel Nunes Batista na segunda-feira (12) à TV Globo. No dia da ocorrência, três policiais dispararam contra Antonio, que estava caído no chão após ter sido imobilizado com uma arma de choque, segundo o boletim de ocorrência. Ele chegou a ser levado a um pronto-socorro da região, mas morreu. De acordo com o registro policial, os PMs estavam em patrulhamento quando encontraram um homem aparentemente em surto, que estaria portando uma faca e uma barra de ferro e ameaçando pedestres. PMs atiram 24 vezes e matam homem já caído no chão durante abordagem na Zona Norte de SP Arquivo Pessoal Os policiais afirmaram que utilizaram uma arma de choque para tentar contê-lo, mas que a medida não teria sido suficiente.Diante da continuidade da suposta investida armada, três PMs disseram ter efetuado disparos com suas armas de fogo para repelir o ataque. Imagens obtidas pela TV Globo e g1, porém, mostram o homem já caído quando começam os disparos. De acordo com o BO, nenhum dos três policiais utilizava câmeras corporais (leia mais abaixo). “Diz que usaram o taser [arma de choque]. Como é que o taser não consegue conter uma pessoa daquele porte, daquele tamanho? Ele era magrinho, bem magro”, afirmou Isabel. No local da ocorrência, a perícia apreendeu 24 estojos de munição, três cartuchos de arma de eletrochoque, um garfo e uma faca (leia mais abaixo). Antonio Nunes Batista, de 40 anos, morreu após ser baleado por policiais militares na Zona Norte de SP. Reprodução O professor de Segurança Pública da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP) Rafael Alcadipani afirma que a Polícia Militar tem protocolos para ocorrências que envolvem pessoas em surto, inclusive quando há ameaça a terceiros, e que a atuação dos agentes precisa ser analisada à luz dessas orientações. “Isso não é normal. O protocolo da Polícia Militar geralmente usa o método Giraldi, em que são dois disparos que devem ser efetuados para neutralizar essa ameaça”, afirmou. Para o especialista, as circunstâncias dos dois casos precisam ser esclarecidas. “As análises preliminares indicam que parece que os protocolos não foram seguidos como deveriam, e é preciso que se investigue. Porque, quando você liga para a polícia em uma situação como essa, você espera que a situação não fique pior do que ela estava”, disse. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que os policiais envolvidos foram afastados preventivamente das atividades operacionais, "conforme os procedimentos adotados para a apuração dos fatos" (leia mais abaixo). PMs atiram 24 vezes e matam homem já caído no chão durante abordagem na Zona Norte de SP Vídeo da ação Um vídeo gravado por testemunhas mostra policiais militares atirando ao menos 24 vezes contra Antonio Nunes Batista, de 40 anos, depois de ele cair no chão durante uma abordagem na Vila Dionísia, na Zona Norte de São Paulo. O caso aconteceu na Rua Afonso Lopes Vieira. As imagens obtidas pela TV Globo e g1 registram o momento em que Antonio é atingido por uma arma de choque, cai no asfalto e permanece aparentemente imóvel antes de os agentes começarem a disparar. No áudio, é possível ouvir dezenas de tiros (veja vídeo acima). Segundo a versão relatada pelos agentes, Antonio estaria armado com uma faca e uma barra de ferro e ameaçaria pedestres. Após ser baleado, Antonio foi socorrido por uma unidade de resgate e levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Peri 3. A morte foi constatada na unidade de saúde. De acordo com o B.O., a perícia realizada no local recolheu 24 estojos deflagrados de munição calibre .40, um fragmento de projétil e três cartuchos de arma de eletrochoque. Os peritos também recolheram uma faca com cabo de plástico branco e um garfo de churrasco danificado. Uma barra de ferro, mencionada pelos policiais no relato da ocorrência, não aparece entre os objetos descritos como apreendidos pela perícia. O que mostram as imagens No início da gravação, Antonio aparece na calçada, vestindo uma blusa branca e segurando uma sacola. Do outro lado, no meio da rua, pelo menos cinco policiais militares apontam armas em sua direção. Há veículos parados no trânsito, e não é possível ouvir o diálogo entre os agentes e o homem. Na sequência, o homem parece tentar sair do local da abordagem. Os policiais acionam uma arma de choque, e ele cai no chão. É nesse momento que os policiais começam a atirar. A gravação registra uma sequência de disparos enquanto Antonio permanece caído. O vídeo não permite ouvir com precisão o que foi dito durante a abordagem nem esclarecer, por si só, o que aconteceu antes do início da gravação. Investigação O caso foi registrado como homicídio decorrente de oposição à intervenção policial, resistência e porte de arma branca. De acordo com o B.O., apesar dos três policiais que atiraram em Antonio não utilizarem câmeras corporais, o policial militar responsável pela condução da ocorrência e outros integrantes da equipe, ouvidos como testemunhas, estavam com o equipamento. Ainda segundo o registro policial, quando a Polícia Civil solicitou acesso imediato às gravações, foi informada de que as imagens precisariam ser requisitadas formalmente ao órgão responsável. O DHPP fez o pedido por e-mail. Os investigadores também identificaram que câmeras de segurança de dois ônibus que estavam parados em frente ao local poderiam ter registrado a abordagem. O que diz a SSP "A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informa que as circunstâncias da morte de um homem de 40 anos, ocorrida na madrugada do último sábado (3), na Vila Dionísia, zona norte da capital, estão sendo rigorosamente apuradas pelos órgãos competentes. Policiais militares foram acionados para atender a uma ocorrência envolvendo um homem aparentemente em surto, que portava uma faca e uma barra de ferro e ameaçava pedestres. Durante a abordagem, o homem avançou em direção aos policiais, que utilizaram dispositivos de eletrochoque por duas vezes, sem sucesso. Diante da continuidade da ameaça, os agentes efetuaram disparos de arma de fogo. O homem foi socorrido à UPA Peri 3, mas não resistiu. As armas dos policiais envolvidos foram apreendidas para perícia, e as imagens das câmeras corporais foram solicitadas para análise. Também foram requisitados exames necroscópico e toxicológico ao Instituto Médico Legal (IML). O caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que instaurou inquérito policial. Paralelamente, foi aberto Inquérito Policial Militar (IPM), com acompanhamento da Corregedoria da PM. Os policiais envolvidos foram afastados preventivamente das atividades operacionais, conforme os procedimentos adotados para a apuração dos fatos. A PM reforça seu compromisso com a transparência e a rigorosa apuração de todas as circunstâncias da ocorrência, assegurando que eventuais irregularidades identificadas sejam tratadas nos termos da legislação vigente."
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