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    Irã acelera execuções de dissidentes, denunciam ativistas

    há 3 semanas

    Manifestante segura foto do iraniano Vahid Bani Amerian, preso e executado no Irã, durante manifestação contra o regime dos aiatolás, em Bruxelas, na Bélgica, em abril de 2026. Omar Havana/ Reuters Em meio a bombardeios, negociações, o bloqueio do Estreito de Ormuz e impasses, o Irã aumentou internamente a repressão a manifestações e acelerou execuções de prisioneiros, segundo apontam organizações internacionais. Ao menos 21 pessoas foram executadas pelo regime dos aiatolás desde o início da guerra dos EUA contra o Irã no Oriente Médio, em 28 de fevereiro. O Iran Human Rights, organização de direitos humanos que monitora a repressão do regime dos aiatolãs, afirmou que as execuções diárias de prisioneiros políticos, manifestantes e pessoas acusadas de espionagem alcançaram níveis "alarmantes" após o conflito. "Estamos acompanhando a situação dos direitos humanos no Irã com grande preocupação", disse o diretor Iran Human Rights, o ativista norueguês-iraniano Mahmood Amiry-Moghaddam, à DW. Amiry-Moghaddam atribui a alta à falta de atenção da comunidade internacional ao cenário interno do Irã. "Numa situação em que a comunidade internacional dedica atenção limitada às violações de direitos humanos dentro do Irã, a República Islâmica utiliza essa margem para executar prisioneiros com o menor custo político possível", afirma. Já um relatório da ONG Anistia Internacional divulgado nesta segunda-feira (18) apontou que o número de execuções no mundo aumentou impulsionado pela alta no Irã. Já em 2025, o número de execuções havia atingido níveis que não se viam há décadas. De acordo com a Iran Human Rights, ao menos 1.639 pessoas foram executadas, ou o maior número em 35 anos. E a situação continuou a se agravar. À sombra da guerra, agora predomina um clima de medo. Milhares de cidadãos presos De acordo com o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, cerca de 4 mil cidadãos iranianos foram detidos desde o início da guerra sob o pretexto de "razões de segurança", e ao menos 21 pessoas foram executadas. "Nem ouso imaginar o que as execuções sucessivas dos últimos dias provocaram na atmosfera das alas políticas das prisões", afirmou um dos mais conhecidos ativistas estudantis de direitos civis no Irã, Zia Nabavi, que foi preso várias vezes nos últimos anos. Ele está entre os poucos ativistas que, apesar das severas restrições, continuam a se manifestar ocasionalmente nas redes sociais. A internet está fortemente restrita no Irã desde o fim de fevereiro. O regime intensificou as ações contra conexões feitas por VPN e terminais via satélite, que permitem contornar a censura estatal. Essa situação dificulta consideravelmente a comunicação dentro e fora do país. "Por meio da colaboração com colegas no Irã, com os quais só conseguimos entrar em contato com muita dificuldade, ficamos sabendo que o andamento dos processos judiciais de prisioneiros políticos foi acelerado e, ao mesmo tempo, tornou-se mais opaco", disse o advogado de direitos humanos Saeid Dehghan à DW. "Isso permite que sentenças de morte sejam pronunciadas e executadas mais rapidamente." Dehghan, que vive no Canadá, é fundador da rede YekKalameh Lawyers Network ("Uma Palavra") e atua, junto com advogados iranianos de direitos humanos, na documentação de violações de direitos civis pelo regime. Também diversos juristas independentes que atuam em questões políticas foram presos ou convocados para interrogatório. O sistema de segurança os intimida sistematicamente e elimina dissidentes e manifestantes. "A pressão sobre prisioneiros políticos doentes aumentou. Um exemplo disso é Narges Mohammadi, que sofre de uma doença cardíaca." A premiada com o Nobel da Paz Narges Mohammadi encontra-se hospitalizada em estado crítico. Outros prisioneiros políticos doentes, que aparentemente são tratados como reféns, também teriam, segundo as leis da República Islâmica do Irã, direito à liberdade condicional ou a solturas previstas em lei, diz Dehghan. Direitos humanos como requisito para negociações Dehghan e outros ativistas de direitos humanos alertam para a repetição de um padrão conhecido da República Islâmica, já observado na década de 1980: pouco antes do fim da Guerra Irã-Iraque, milhares de prisioneiros políticos foram executados. Centenas de manifestantes presos durante os protestos nacionais de janeiro enfrentam atualmente acusações que podem levar à pena de morte. "É fundamental que a comunidade internacional dê muito mais prioridade à situação dos direitos humanos no Irã e à situação da população, e que esse tema seja abordado nas negociações políticas com a República Islâmica", afirmou Amiry-Moghaddam, da Iran Human Rights. A suspensão das execuções e a libertação de prisioneiros políticos devem estar entre os requisitos centrais de qualquer negociação com a República Islâmica. "Mudanças fundamentais serão, em última análise, conquistadas pelas próprias pessoas no Irã", diz Amiry-Moghaddam.
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