Pesquisa

    Canal de Denúncias PeloBrasil360

    Use o chat abaixo para enviar denúncias e relatos do seu bairro.

    Conformidade GDPR

    Utilizamos cookies para garantir a melhor experiência no nosso website. Ao continuar a usar o nosso site, aceita a nossa utilização de cookies, Política de Privacidade, e Termos de Serviço.

    Idosa esfaqueada duas vezes por companheiro diz que violência não começou com agressão física: 'Era ciumento, possessivo'

    9 hours ago

    Idosa esfaqueada duas vezes diz que violência não começou com agressão física Saber identificar um relacionamento abusivo e os sinais de violência é um dos pontos mais importantes para preservar a segurança das mulheres. Especialistas alertam que dificilmente as agressões começam de forma física, mas sim psicológica, de forma sutil. Conforme dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP), o Brasil teve uma média de quatro vítimas de feminicídio por dia em 2025, a mesma dos últimos cinco anos. No total, foram 718 registros no país, entre janeiro e junho. No Estado de São Paulo, 233 entre janeiro e novembro. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp O g1 conversou com uma idosa de 66 anos que foi vítima não só de uma, mas duas tentativas de feminicídio em Sorocaba (SP) . Segundo ela, que preferiu não se identificar, as agressões começaram de forma psicológica e evoluíram gradualmente. "Ele era muito ciumento, possessivo e agressivo. Tinha ciúme dos meus filhos, das minhas amigas e começou a querer me controlar, me proibir de ir à casa dos meus filhos. Usava palavrões, me xingava com palavras horríveis", relata. Viúva duas vezes, ela perdeu um dos braços em um acidente em 2014, e três anos depois iniciou um relacionamento com o agressor, um homem que conhecia há quase dez anos. "Me relacionei com esse rapaz mais jovem, solteiro. Achei que ele poderia me ajudar em todos os sentidos, inclusive por causa do meu braço. No começo, a gente se dava bem, mas, às vezes, ele surtava, e brigávamos feio", diz. De acordo com a advogada Bruna Natale, também de Sorocaba, dificilmente um relacionamento abusivo se inicia com agressões físicas. Por isso, ela reforça a importância de que as mulheres saibam reconhecer os sinais e as violências consideradas mais sutis. Advogada Bruna Natale, de Sorocaba (SP), fala sobre violência doméstica Arquivo Pessoal "A violência acaba por se desenvolver de forma gradual, com chantagens, mentiras, ciúme excessivo, ofensas, passando para controle e proibições, destruição de bens pessoais, confinamento, agressões físicas, abuso sexual e, por fim, feminicídio. Assim, reconhecer essas violências e tomar uma atitude o quanto antes é fundamental", explica. A idosa lembra que as agressões psicológicas passaram a se transformar em violência física, com apertões, empurrões e perseguição. Segundo ela, o homem chegou a criar situações e acionar a polícia como uma justificativa para vê-la. "Teve uma vez que ele me pegou de surpresa, apertou meus olhos e quase me deixou cega. Apertou meu pescoço com muita força, ficou bastante machucado. Até hoje faço tratamento médico e precisei tomar vários remédios", conta. "Ele jogava documentos e objetos dentro da garagem da minha casa e depois ligava para a polícia dizendo que eu não deixava ele entrar. Os policiais vieram na minha casa várias vezes", completa. Violência contra a mulher; imagem ilustrativa. Reprodução Em 2020, o homem foi preso depois de espancar e esfaquear a idosa. Ao g1, ela contou que passou por cirurgia, no entanto, a manipulação do agressor a fez se sentir culpada. "Mesmo após a facada, eu sentia um peso na consciência, me sentia culpada por achar que não tive paciência com ele", relata. O agressor ficou cinco anos preso e, durante esse tempo, enviava cartas para a vítima dizendo que a amava. Quando saiu do presídio, voltou a procurá-la. A idosa conta que reatou o relacionamento e deu uma nova chance ao homem. Eles se casaram em 2025. A psicóloga Thais Mazzoti, também de Sorocaba, explica que a forma como a mulher constrói a ideia de amor ao longo da vida pode afetar a mente da vítima, levando-a a sentir culpa em relacionamentos abusivos. "Quando essa configuração interna não é saudável, ela pode aprender a associar amor à dor, à espera, ao sacrifício e à tolerância excessiva. Assim, comportamentos que machucam passam a ser interpretados como algo que deve ser suportado, na esperança de que o outro mude", diz. Psicóloga Thais Mazzoti, de Sorocaba (SP), fala sobre sinais de violência contra a mulher Arquivo Pessoal Além disso, a psicóloga afirma que muitas vítimas de violência optam por retomar o relacionamento, mas que isso não é um ato de fraqueza ou de falta de inteligência emocional, mas sim um processo de adoecimento psíquico, no qual a consciência sobre o que está sendo vivenciado se perde aos poucos. "Muitas mulheres permanecem ou retornam a relacionamentos abusivos porque, ao longo do tempo, esse tipo de relação vai produzindo confusão emocional. As marcas do abuso fazem com que a pessoa deixe de reconhecer com clareza onde termina o afeto e onde começa a violência", pontua. A advogada explica que, mesmo em relacionamentos com agressões físicas, é comum que a vítima permaneça no chamado “ciclo da violência”, que passa por fases de tensão, agressão, arrependimento e lua de mel. "Nenhuma vítima é agredida na totalidade do tempo de convivência. Por isso, a mulher deve denunciar e tomar providências após a agressão, evitando acreditar no arrependimento do agressor, pois a próxima violência pode ocasionar sua morte", alerta. "É importante lembrar que ninguém tem o poder de mudar outra pessoa. A mudança só acontece quando parte de quem precisa mudar. Permanecer esperando essa transformação, muitas vezes, mantém a mulher em ciclos repetidos de violência, que tendem a se intensificar com o tempo. Por isso, é importante romper com a ideia de que amar é aguentar", acrescenta Thais. 'Quanto mais você fica perto, mais sofre' Violência contra a mulher Jainni Victória Com 29 dias de casada, em julho de 2025, a mulher foi novamente esfaqueada pelo agressor, que foi preso e condenado a dois anos e 11 meses de prisão. "Ele tentou me matar. Me pegou pelas costas no momento em que eu estava abrindo o portão. A polícia já estava do lado de fora para prendê-lo. Ele não me machucou mais porque a faca quebrou o cabo e ficou enroscada no meu ombro, justamente do lado em que eu não tenho o braço. Eu consegui abrir o portão, corri para fora e contei tudo para a polícia. Foi a gota d’água", relembra. Após a segunda tentativa de feminicídio, ela afirma que se arrependeu de ter dado uma segunda chance e se casado com o agressor. Com mais uma cicatriz, a vítima convive com outra sequela da violência sofrida. "Me arrependo muito de ter casado com ele. Tenho o sobrenome dele, porque minha documentação ainda não foi regularizada, mas já pedi o divórcio. As cicatrizes ficaram: da cirurgia, das facadas nas costas, que ainda doem muito porque pegaram em cima do nervo. A dor é forte e recente", diz. "Quando ele sair da cadeia, eu não quero mais ver ele nem de perto, nem de longe. A mulher tem que pedir ajuda às pessoas certas e se afastar cada vez mais. Quanto mais você fica perto, mais sofre. Eles são mentirosos, manipuladores e chantagistas. A gente acredita que vai melhorar, mas é mentira. Quando vê, o pior já aconteceu e não tem volta", finaliza. Denúncia e acolhimento Aplicativo SP Mulher Segura Divulgação Em Sorocaba (SP), foram registradas mais de 500 ocorrências de violência doméstica somente em março de 2025, segundo dados apresentados pela delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). A advogada orienta que, em qualquer caso de violência, seja psicológica ou física, a vítima ligue imediatamente para o 190, da Polícia Militar, ou para a Central de Atendimento à Mulher vítima de violência doméstica, no ramal 180. "Se possível, a recomendação é se afastar do agressor e buscar atendimento médico. Também é recomendado denunciar o agressor na Delegacia de Defesa da Mulher, registrar boletim de ocorrência e solicitar medidas protetivas de urgência, sempre com o acompanhamento de um advogado ou defensor público", reforça Bruna. De acordo com o Governo de São Paulo, no estado, as mulheres também podem procurar uma das 142 delegacias da Defesa da Mulher ou as unidades que atendem remotamente. A denúncia pode ser feita pelo boletim de ocorrência online, no site oficial, ou no aplicativo "SP Mulher Segura", disponível em IOS e Android. "A Lei Maria da Penha reconhece atualmente cinco tipos de violência contra a mulher: física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. Nem todas essas violências deixam marcas físicas, porém, os direitos são os mesmos, principalmente a fixação de medidas protetivas de urgência", pontua. Acompanhamento psicológico A psicóloga Thaís Mazzoti também reforça que o acompanhamento psicológico é parte crucial na recuperação das vítimas. Ela também destaca a importância de uma rede de apoio familiar que acolha as mulheres que passam por essas situações. "O acolhimento deve ocorrer de forma ética, respeitosa e livre de julgamentos, reconhecendo a singularidade de cada história e vivência. Em muitos casos, essas mulheres encontram-se em relações marcadas pela dependência emocional, financeira ou afetiva, o que dificulta a percepção do abuso e a possibilidade de rompimento, mesmo quando a condição violenta já se faz presente", diz. "Diante disso, torna-se essencial a existência de uma rede de apoio capaz de orientar, acolher e fortalecer essa mulher, oferecendo informações claras sobre seus direitos e sobre os serviços e órgãos aos quais ela pode recorrer. O acompanhamento por profissionais qualificados, tanto para o cuidado da saúde mental quanto da saúde física, é um elemento central nesse processo", finaliza. Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Sorocaba (SP) Google Street View/Reprodução *Colaborou sob supervisão de Júlia Martins Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM A
    Clique aqui para Ler Mais
    Artigo Anterior
    Trump intensifica ataque a presidente do Fed com ameaça de acusação criminal
    Artigo Seguinte
    Programa da Usina Hidrelétrica Ilha Solteira ensina a visitantes como a energia elétrica é produzida

    Relacionados Notícias do Brasil Atualizações:

    Tem a certeza? Deseja eliminar este comentário..! Remover Cancelar

    Comentários (0)

      Deixe um comentário