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    Governo do Amazonas pagou R$ 22,1 milhões por aluguel de um mamógrafo; valor compraria 237 equipamentos, aponta CGU

    15 hours ago

    Sede do Governo do Amazonas Bruno Zanardo/Secom O Governo do Amazonas pagou R$ 22,1 milhões pelo aluguel de um mamógrafo entre setembro de 2014 e outubro de 2023, segundo uma nota técnica da Controladoria-Geral da União (CGU) obtida com exclusividade pelo g1. De acordo com os auditores, o valor desembolsado seria suficiente para comprar 79 conjuntos completos para realização de mamografias — cada um formado por mamógrafo, digitalizadora e impressora a seco — ou 237 equipamentos, com base em preços de licitações públicas. O levantamento integra uma consultoria realizada pela CGU após inspeções em hospitais da rede estadual e análise de contratos da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM). O documento aponta indícios de sobrepreço e superfaturamento, pagamentos por serviços sem cobertura contratual, equipamentos não localizados ou sem funcionamento, falhas na fiscalização dos contratos e crescimento das despesas indenizatórias da pasta. No relatório, os auditores afirmam que há “evidências de má gestão dos recursos destinados à saúde amazonense”. Segundo a CGU, foram identificados pagamentos por serviços que não eram prestados integralmente, equipamentos contratados que não foram entregues ou estavam fora de operação e ausência de controle efetivo sobre a execução dos contratos. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp O g1 questionou o Governo do Amazonas sobre as conclusões da CGU e questionou quais providências foram adotadas após os apontamentos da nota técnica. Até a última atualização desta reportagem, não houve resposta. Governo remaneja R$ 126 mi: valor foi destinado a emendas parlamentares Aluguel do mamógrafo Segundo a CGU, o contrato analisado previa inicialmente custo mensal de R$ 890 mil. Com a inclusão do mamógrafo, o valor passou para R$ 1.100.930, um acréscimo de R$ 210.930 por mês apenas pela disponibilização do equipamento. Durante inspeção no Instituto da Criança do Amazonas (Icam), os auditores verificaram que o funcionamento do mamógrafo dependia também de uma digitalizadora e de uma impressora a seco. Com base em licitações públicas, a CGU calculou que a compra dos três equipamentos custaria, em média, R$ 279,2 mil. Mesmo assim, apenas o aluguel do mamógrafo custou R$ 22.168.743 ao longo de pouco mais de nove anos. Segundo os auditores, esse montante seria suficiente para comprar cerca de 79 conjuntos completos para mamografia ou 237 equipamentos individualmente. Auditoria encontrou equipamentos quebrados e contratos com falhas A nota técnica foi elaborada após visitas presenciais e análise documental em seis unidades da rede estadual para verificar denúncias sobre a gestão hospitalar e o atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). No Hospital Universitário Francisca Mendes, a CGU encontrou dois equipamentos de hemodinâmica quebrados havia pelo menos dois meses, situação que, segundo o relatório, contribuía para o atraso de exames de cateterismo e aumento da fila de pacientes. Na mesma unidade, os auditores identificaram que uma empresa continuava prestando serviços e sendo remunerada mesmo após o encerramento do contrato com a SES-AM. Também foram encontrados equipamentos previstos contratualmente que não estavam no hospital, enquanto outros, sem previsão no contrato, permaneciam armazenados sem utilização. O relatório ainda aponta que um aparelho de raio-X sem cobertura contratual permanecia sem uso, enquanto outras unidades da rede estadual enfrentavam falta desse tipo de equipamento. Na Policlínica Cardoso Fontes, a CGU registrou problemas estruturais e verificou que um contrato de esterilização com custo mensal superior a R$ 8 milhões não estava sendo executado durante a inspeção. Segundo os auditores, os profissionais utilizavam um botijão de gás para esterilizar materiais. Já no Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, a equipe encontrou equipamentos fora de funcionamento e pacientes internados em corredores. De acordo com a CGU, a demora na manutenção dos aparelhos contribui para o aumento das filas por exames e procedimentos. Além das inspeções, a Controladoria analisou a execução financeira da SES-AM e apontou crescimento das despesas indenizatórias — modalidade utilizada para remunerar serviços prestados sem cobertura contratual. Os pagamentos passaram de R$ 296,4 milhões em 2020 para R$ 558,1 milhões em 2023, segundo o relatório.
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