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    Galípolo diz que BC não negocia mandato e cita Focus como 'bússola' da política monetária

    2 months ago

    Veja os vídeos que estão em alta no g1 O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (9) que a autoridade monetária não está disponível para negociar o seu mandato e defendeu a conclusão do processo de autonomia institucional do órgão. A declaração foi feita durante participação na Premiação Anual Rankings Top 5 2025, evento promovido pelo BC para reconhecer as instituições que mais acertaram projeções do Boletim Focus. Segundo Galípolo, a autonomia da instituição vai além de dispositivos legais e está relacionada à capacidade do Banco Central de preservar seu mandato e tomar decisões técnicas mesmo diante de pressões externas “A autonomia significa algo que é muito caro ao Banco Central, que não é estar disponível para negociar o seu mandato”, afirmou. Ele acrescentou que fortalecer a estrutura institucional do órgão é importante para garantir que decisões técnicas não sofram consequências políticas no futuro. “É importante completar o processo de autonomia justamente para que quem decide não negociar algumas questões não seja punida por isso amanhã.” Galípolo também disse que a autonomia envolve uma postura institucional dentro do próprio Banco Central, que inclui reconhecer problemas internos quando necessário. “Quando tiver alguma coisa errada ter a coragem de apontar o que é de errado dentro do Banco Central e não só pedir desculpas, mas cortar na carne.” Expectativas do mercado e política monetária Galípolo também ressaltou que as projeções do mercado financeiro por meio do boletim Focus têm papel relevante na análise feita pelo Banco Central para definir a política monetária. “As expectativas são sempre muito relevantes na condução da política monetária, mas em momentos como esse fica ainda mais sublinhada a relevância da gente tá analisando as expectativas como uma referência importante sobre aquilo que vai acontecer no desdobramento da economia.” O presidente do BC destacou que a pesquisa semanal funciona como uma espécie de retrato de como economistas e agentes financeiros enxergam o cenário econômico. “Importa também o Focus enquanto uma fotografia de como os agentes econômicos estão percebendo o futuro, como eles imaginam que o futuro vai ser.” Segundo ele, essa percepção influencia decisões de consumo, investimento e formação de preços — fatores que acabam impactando os próprios resultados da economia. “E são essas decisões que vão ser tomadas a partir da percepção de hoje que vai criar o futuro.” Inflação em alta nas projeções As declarações ocorrem em um momento em que as expectativas de inflação voltaram a subir nas projeções do mercado financeiro. De acordo com o Boletim Focus divulgado na segunda-feira (6), analistas elevaram pela quarta semana consecutiva a previsão para o índice oficial de inflação neste ano. A estimativa para o IPCA passou de 4,31% para 4,36%. O levantamento do Banco Central é elaborado com base em projeções de mais de 100 instituições financeiras. Segundo analistas do mercado, parte da revisão está associada à alta recente do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra no Oriente Médio. A valorização da commodity pode pressionar os preços de combustíveis e, consequentemente, a inflação no Brasil. Para os anos seguintes, o Focus também registrou ajustes nas estimativas. A previsão de inflação para 2027 subiu de 3,84% para 3,85%, enquanto a projeção para 2028 passou de 3,57% para 3,60%. Já a expectativa para 2029 permaneceu em 3,50%. Desde 2025, o país opera sob um sistema de meta contínua de inflação, cujo objetivo é manter o índice em 3% ao ano, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante sua sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, em Brasília, nesta terça-feira, 08 de outubro de 2024. Galípolo reconheceu que há anos as projeções de crescimento do Brasil vêm sendo revistas "sistematicamente ao longo do ano para cima, surpreendendo positivamente em relação a crescimento". CLÁUDIO REIS/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO
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