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    Fome recua no país, mas Amapá registra alta e lidera insegurança alimentar na Região Norte

    13 hours ago

    Brasil sai do mapa da fome, mas indicadores são negativos na Região Norte A Região Norte tem a realidade mais alarmante do país quanto ao acesso à comida: apenas 37,7% dos lares têm segurança alimentar. O dado contrasta com o cenário nacional no mês em que o Brasil completa um ano oficialmente fora do Mapa da Fome. Enquanto o país avança, o Amapá caminha no sentido oposto e lidera os índices negativos na Amazônia, registrando 9,3% de seus domicílios em situação de insegurança alimentar grave. O que representa cerca de 81 mil pessoas sem ter o que comer diariamente. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AP no WhatsApp Em Macapá, a geladeira da diarista Kátia Santos tem apenas água no congelador e pouca comida na gaveta. O pouco que ela tem em casa não é suficiente para o almoço dos quatro filhos pequenos. “Hoje nós temos um pedaço de frango que sobrou de ontem. Aí é o que vai ser feito o almoço. Eu sempre falo, eu não almoçando, mas meus filhos comendo, para mim está ótimo”, diz a diarista. Diarista Kátia Santos vive em situação de insegurança alimentar, em Macapá. João Pantoja/Rede Amazônica O cenário regional contraria a tendência nacional. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Os indicadores mostram que, embora a fome tenha diminuído no país, 18,9 milhões de famílias brasileiras ainda enfrentam algum grau de insegurança alimentar. No Norte, contudo, a proporção de lares que vivem com a garantia de comida na mesa vem caindo. Impacto do clima e da economia local Para o técnico do IBGE Joel Lima, o empobrecimento do prato na Amazônia está ligado a fatores climáticos e econômicos. “Não nos parece ser uma coincidência que os estados que têm maior percentual de domicílios, de moradores em insegurança alimentar moderada ou grave, serem da região norte. Tem algo a ver tanto com as questões estruturais de produção de alimentos que está acontecendo agora, recente, questão das secas ou cheias extremas, as mudanças climáticas, e também por essa questão mesmo da economia dessas regiões ser muito dependente do Estado, poder estatal”, falou. Técnico do IBGE Joel Lima, do Amapá. João Pantoja/Rede Amazônica LEIA MAIS: Valor da cesta básica em Macapá supera R$ 700 e acumula alta em junho União reconhece situação de emergência nos 16 municípios do AP por surto de vírus respiratórios Número de mortes no trânsito dobra no Amapá nos primeiros cinco meses de 2026, aponta polícia Quando o foco se fecha no Amapá, o estado lidera negativamente com o nível mais crítico de fome da região. O índice aumentou em relação ao ano anterior e hoje representa 22 mil lares amapaenses. A economista e pesquisadora em desenvolvimento territorial Lúcia Tereza Ribeiro do Rosário explica que o Amapá vive o paradoxo de ter fartura natural, mas não produzir o próprio sustento. “Por outro lado, a gente tem uma baixa capacidade de produção alimentar. E isso encarece os produtos. Por que isso acontece? Porque a gente tem que trazer alimentos de fora. E isso encarece a nossa alimentação. Fica mais complicado para as pessoas poderem comer. Pessoas em situação de vulnerabilidade, exemplo, pessoas de baixa renda. No momento em que há uma alta de preços de alimentos, isso faz com que ela tenha uma baixa capacidade de adquirir esses alimentos”, afirma a economista. R$ 1.010 para sustentar 5 pessoas Para sobreviver, Kátia faz faxinas esporádicas quando consegue alguém para olhar os filhos. No entanto, o sustento fixo da casa depende inteiramente de benefícios sociais do governo, que somam R$ 1.010 por mês para sustentar cinco pessoas. “Mas eu falo assim, eu nunca perco a esperança. Eu quero poder trabalhar, voltar a trabalhar para dar o que comer e que beber para os meus filhos. Eu falo, eu vou lutar e vou até o fim para conseguir coisas melhores para os meus filhos, principalmente na alimentação”, relata a diarista. Kátia vive com pouco mais de mil reais fixos por benefícios do governo. João Pantoja/Rede Amazônica Para reverter a insegurança alimentar no Amapá e nos demais estados do Norte, a pesquisadora Lúcia Rosário aponta três frentes de ações necessárias para o poder público: Emprego e renda: Ampliar as políticas locais de geração de trabalho para reduzir a dependência exclusiva de auxílios; Integração de benefícios: Melhorar as políticas de proteção social regionais, integrando de forma mais eficiente as ações das prefeituras e do estado com o governo federal; Produção local: Promover políticas públicas voltadas para o fortalecimento da agricultura e o barateamento da alimentação regional. VÍDEOS com as notícias do Amapá:
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