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    Flávio vê fortalecimento de Lula em ano eleitoral e pede aos EUA adiamento de tarifas contra o Brasil

    10 hours ago

    O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou uma manifestação ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) em que pede o adiamento, por 180 dias, da aplicação, por parte do governo norte-americano, de novas tarifas, de 25%, contra exportações brasileiras. No documento de 86 páginas, Flávio Bolsonaro diz que o tarifaço aplicado pelos Estados Unidos contra o Brasil em 2025 não surtiu efeitos positivos e não mudou o comportamento das autoridades brasileiras. Para o senador, as investidas tarifárias da gestão Trump contra o Brasil tem, ao contrário, fortalecido politicamente, em um ano eleitoral, o governo Lula, que tem enquadrado as ações no campo econômico como ataques à soberania nacional. "Pesquisas de opinião pública brasileiras mostram que a posição eleitoral do atual governo se fortaleceu precisamente durante os períodos em que a pressão tarifária dos EUA foi mais evidente", diz trecho do documento de Flávio. O presidente Lula tem atribuído as ameaças tarifárias dos EUA a supostas articulações da família Bolsonaro, sobretudo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, contra instituições brasileiras. O petista, inclusive, já chamou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro como "traidores da pátria". No documento, encaminhado nesta quarta-feira (1º), Flávio se apresenta como pré-candidato do PL à Presidência da República e lembra que se reuniu recentemente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e como o secretário de Estado, Marco Rubio, para tratar das tarifas. Na carta, o parlamentar se refere à investigação "Seção 301" da Lei de Comércio de 1974, sobre atos e práticas do Brasil relacionados a comércio digital (PIX), tarifas, corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento. Com base nessa investigação, o USTR propôs novas tarifas contra produtos brasileiros a serem aplicadas nas próximas semanas. 🔎Essa legislação permite a adoção de medidas comerciais quando um país considera que práticas de outro governo são injustas e prejudicam empresas americanas. Agora no g1 Em outra frente, o governo do presidente Lula também enviou nesta quarta uma resposta à investigação dos norte-americanos. No documento, assinado pelo ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores), o Brasil afirma que o USTR não comprovou que atos, políticas ou práticas brasileiras sejam discriminatórios ou imponham barreiras ao comércio dos Estados Unidos. Prazo para negociação Para o pré-candidato do PL ao Palácio do Planalto, uma saída para o impasse entre os dois países poderia ser a suspensão, com um prazo de 180 dias, extensível por mais 90 dias caso haja progresso nas negociações, com o retorno automático das tarifas caso o governo brasileiro não se engaje, de boa-fé, nas negociações. "O governo atual teria esse período para se engajar em negociações de boa-fé, sem a perspectiva de dividendos eleitorais, ou enfrentaria as consequências da retomada dessas ações. Esse mesmo período daria à oposição no Congresso o tempo e a legitimidade para pressionar o governo atual a intensificar seus próprios esforços de negociação de boa-fé", afirma Flávio. "No caso de uma vitória da oposição, o presidente eleito nomearia imediatamente um negociador para conduzir as negociações adiante, também de boa-fé", completa o parlamentar. Apesar das afirmações do senador do PL, o governo brasileiro montou um grupo, composto por políticos, economistas e diplomatas, para tratar das tarifas com autoridades dos Estados Unidos. Esse grupo de trabalho já participou de quatro rodadas de negociações com os norte-americanos. A reunião mais recente ocorreu nesta quinta-feira (2). Flávio também apresenta outros argumentos para defender a suspensão da aplicação de novas tarifas contra produtos brasileiros, como: custos para os EUA: o senador aponta que as tarifas prejudicam a economia americana, citando que os EUA possuem um superávit comercial com o Brasil, que empresas americanas são os maiores investidores estrangeiros no país e que a retaliação brasileira afetaria exportadores e consumidores americanos. outras alternativas: Flávio sugere que, em vez de tarifas generalizadas, os EUA possuem ferramentas mais eficazes e direcionadas, como sanções financeiras e restrições de visto baseadas na estrutura da Lei Magnitsky para alcançar os responsáveis específicos pelas práticas contestadas pelos norte-americanos, sem punir a população e o setor produtivo brasileiro como um todo. Para Flávio, a sociedade e o setor produtivo do Brasil não apoiam, em sua maioria, a postura do governo Lula em relação aos Estados Unidos. remédio inadequado: o parlamentar diz reconhecer preocupações legítimas dos EUA em alguns pontos, mas contesta a ideia de tarifas "cegas" como remédio adequado para a resolução desses problemas. O senador Flávio Bolsonaro (PL) durante evento em São Paulo Theo Daolio/Modusfocus/Estadão Conteúdo
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