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    Finalista da Copa, Argentina tem incentivo à imigração europeia em sua Constituição e foi de país indígena para maioria branca

    17 hours ago

    Fãs argentinos comemoram vitória sobre o Egito na Copa nas ruas de Buenos Aires Luis Robayo/AFP A campanha da seleção da Argentina na Copa do Mundo extrapolou os gramados e fomentou debates nas redes sociais que foram além do futebol e reacendeu debates sobre racismo e sobre a própria formação da sociedade argentina, com forte influência europeia. Mas o que pouca gente sabe é que a Argentina tem até um artigo específico em sua Constituição para fomentar a vinda de imigrantes do Velho Continente. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Por que Brasil e Argentina tratam o racismo de forma diferente? Entenda as leis dos dois países O Artigo 25 da Constituição argentina diz: "O Governo Federal fomentará a imigração europeia; e não poderá restringir, limitar nem impor qualquer imposto sobre a entrada no território argentino de estrangeiros que tenham como objetivo cultivar a terra, desenvolver as indústrias e introduzir e ensinar as ciências e as artes". O texto é de 1853 e foi escrito no contexto de uma nação que tinha conquistado sua independência da Espanha há menos de 40 anos. O trecho, porém, ainda aparece na versão atualizada da Constituição. A permanência desse artigo no texto constitucional é ultrapassada, afirmou ao g1 o comentarista da GloboNews Ariel Palacios. “Esse artigo é totalmente anacrônico, deveria ser removido, porque na prática o governo não estimula essa imigração e nunca fez campanhas públicas para trazer europeus, até porque eles [europeus] estão muito mais confortáveis atualmente na União Europeia”, afirmou Palacios. Uma outra legislação sobre o tema, a Lei de Migrações de 2003, afirma que a imigração deve ocorrer sob os princípios da “igualdade e universalidade” e não distingue o continente de origem. A virada étnica Herança da colonização espanhola, esse artigo específico é um indicativo de como a Argentina atual foi construída e como sua sociedade passou de uma maioria indígena para uma maioria branca. Segundo Palacios, as cidades argentinas eram compostas no início por uma minoria de colonizadores espanhóis e o restante de indígenas. Além disso, mais de 200 mil africanos escravizados também foram levados ao território entre o século XVI e início do século XIX. A Espanha então incentivou a vinda de seus cidadãos para a colônia, política se manteve depois que a Argentina se tornou independente, em 1816, com uma grande onda de europeus chegando ao país em meados do século XIX e no século XX. Cerca de 7 milhões de imigrantes, principalmente da Espanha e da Itália, chegaram entre 1850 e 1950. Uma outra onda de imigrantes do leste europeu rumou à Argentina após a queda da União Soviética, segundo Palacios. Em paralelo, as parcelas da população negra e de povos originários foram diminuindo ao longo dos séculos, como consequência de alguns fatores: genocídios derivados da expansão territorial guerras civis - com recrutamento desproporcional de negros uma epidemia devastadora de febre amarela, em 1871, que atingiu bairros pobres com mais força. ''A população de afro-argentinos foi morta nas guerras da independência e nas guerras civis, que duraram décadas. Eles sempre eram colocados na linha de frente. Foi devastador", afirmou Palácios. Já os povos originários foram vítimas de massacres e genocídios, explicou. Esses dois movimentos - a chegada de imigrantes europeus e a queda da população originária - contribuíram para uma virada demográfica na Argentina. 👉 Segundo um censo realizado em 2022, a parcela de descendente dos povos originários encolheu para apenas 2,9%. A população negra é ainda menor, de 0,7% do total de 46,2 milhões de habitantes contabilizados naquele ano. Apesar disso, Palacios afirma que a população argentina tem um certo grau de miscigenação para além do que as estatísticas mostram, porque o costume na época da colonização era dos espanhóis se casarem com as mulheres indígenas. Palacios ressalta ainda que a cultura dos povos originários tem grande influência nos ritmos mais populares da Argentina - como o tango. O tango vem da milonga, que tem origem na música africana, explica o advogado e ativista argentino Alí Delgado, em entrevista à Deutsche Welle. Segundo ele, a Argentina sofreu um apagamento racial deliberado ao longo dos séculos. "A Argentina acha que não é racista porque a Argentina acha que não existem pessoas negras no país [...] Dizem que é o país mais branco da América do Sul, a Paris das Américas, da América Latina. A Argentina não é branca. Se fosse, eu não estaria aqui", afirmou Delgado à DW. "Somos negros, somos argentinos, e a Argentina também é negra", concluiu o ativista (veja a entrevista completa de Delgado no vídeo abaixo). Como a Argentina fomentou por séculos o mito de um país branco e europeu
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