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    Fim da escala 6x1: setores apontam elevação de custos de produção e dizem que debate não pode ser contaminado por eleições

    10 hours ago

    O Senado realizou nesta quarta-feira (1º) uma sessão de debates sobre a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. Durante a discussão, representantes do setor produtivo apontaram possível elevação de custos de produção e defenderam que o tema não seja influenciado pelo calendário eleitoral (entenda mais abaixo). Antes da sessão, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), se reuniu com parlamentares governistas e representantes de centrais sindicais para discutir o texto, que ainda não começou a tramitar formalmente na Casa. Na ocasião, Alcolumbre defendeu a redução da jornada sem transição. O presidente do Senado quer que o fim da escala 6x1 passe a valer na data da promulgação da proposta. Agora no g1 O debate no plenário contou com a presença de integrantes do governo, como os ministros Luiz Marinho (Trabalho e Emprego) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), além de senadores e deputados envolvidos na articulação da proposta. Representantes do setor produtivo destacaram impactos econômicos da medida e defenderam cautela na análise do texto. 🔎 O termo “setor produtivo” é usado para se referir a empresas e às entidades que representam empregadores, como confederações e federações da indústria, do comércio e de serviços. O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) e diretor da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Ivo Dall’Acqua Júnior, afirmou que a proposta pode ter efeitos amplos sobre a economia. "Qualquer alteração estrutural na organização da jornada ultrapassa a relação entre empregado e empregador. Seus efeitos repercutem sobre toda a economia", disse. Segundo ele, embora o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores seja legítimo, é necessário discutir os impactos e o formato de implementação. "Todos desejamos mais qualidade de vida para o trabalhador. Nossa divergência não está no objetivo, mas no caminho para alcançá-lo. Mudanças dessa magnitude precisam considerar produtividade, geração de emprego, competitividade das empresas, sustentabilidade das contas públicas e o custo de vida da população", afirmou. Dall’Acqua citou ainda experiências internacionais e disse que, em outros países, a redução da jornada foi implementada de forma gradual, com acompanhamento ao longo do tempo. Sessão de Debates - Fim da escala 6x1 no Brasil. Edilson Rodrigues/Agência Senado Calendário eleitoral Já o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, defendeu mais flexibilidade nas regras trabalhistas e criticou modelos mais rígidos. "O tema é complexo. O moderno é a negociação e a liberdade. Não podemos estar engessados", disse. "A legislação engessa e tira o valor da inteligência de cada brasileiro. Temos que pensar em um Brasil moderno, em que haja liberdade para definir o que é melhor", afirmou. Skaf também fez críticas à possibilidade de influência do calendário eleitoral no debate. "Podemos debater, mas não em véspera de eleição e não com motivação eleitoral", disse. O presidente da CNC, Ricardo Albano, reforçou o discurso de se debater a forma de implementação da escala 6X1 e não o conceito. "O nosso compromisso não é ser contra, é encontrar a forma adequada, inteligente e racional. E que seja uma verdadeira conquista como foram tantas outras conquistas trabalhistas que tiveram no Brasil", argumentou. Albano acrescentou que equalização dos impactos não será eficiente se for feita de forma rápida. Nesse contexto, defendeu que a discussão não seja "atropelada por motivações eleitorais". O setor produtivo vem defendendo, desde a tramitação da proposta na Câmara dos Deputados, a necessidade de um período de adaptação às novas regras. Durante a análise do texto, entidades empresariais pediram prazo maior para implementação. Aspectos sociais Por outro lado, integrantes do governo defenderam a proposta e afirmaram que o debate deve considerar aspectos sociais. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, disse que a discussão vai além dos impactos econômicos. "Esse não é apenas um debate econômico, é um debate humano", afirmou. Ele citou dados sobre saúde mental, como aumento de casos de burnout e ansiedade, e defendeu que a redução da jornada pode impactar positivamente a produtividade. "Um trabalhador mais descansado é mais produtivo. Se cobramos qualificação, é preciso dar tempo para que ele possa se qualificar", disse. O ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Márcio França, afirmou que a proposta representa uma mudança estrutural nas relações de trabalho. "Essa será a maior mudança estrutural nos direitos trabalhistas desde a Constituição de 1988. É uma medida que impacta diretamente a vida do trabalhador", disse. Já a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), rebateu o argumento de que a proposta esteja ligada ao calendário eleitoral e defendeu que o tema seja tratado como pauta estrutural. "Isso tem a ver com vida. E não é romance, nem poesia, nem filosofia — é vida real, é direito, é humanização das relações. Por isso, o debate sobre a redução da jornada deve ser tratado como agenda estratégica do país", disse. "Essa não é uma PEC de ocasião. Ela foi protocolada em 2019", completou. Reunião com Alcolumbre Representantes das centrais sindicais reforçaram o apoio à redução da jornada sem corte de salários. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, afirmou que a pauta tem respaldo social. "Tivemos uma conversa muito positiva sobre o fim da escala 6x1 e a redução da jornada. Saímos com a avaliação de que o tema deve avançar com seriedade no Senado", disse Nobre, após a reunião com Alcolumbre e antes da sessão de debates. Já a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou, na mesma ocasião, que o debate ainda está em fase de construção. "Não há divergência de mérito. O que estamos tratando são os procedimentos e a forma de tramitação", disse. A PEC foi aprovada pela Câmara dos Deputados no fim de maio e aguarda leitura e início da tramitação no Senado. O texto prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, além da garantia de ao menos duas folgas semanais. Pela proposta, a diminuição da carga horária deve ocorrer de forma escalonada, ao longo de até 12 meses após a promulgação. O fim da escala 6x1 passaria a valer 60 dias após a conclusão do processo legislativo. Ainda não há previsão para a votação da proposta no Senado. - Esta reportagem está em atualização
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