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    Exposição inclusiva segue aberta no Centro Cultural João Fona e emociona visitantes cegos e com baixa visão em Santarém

    21 hours ago

    Visita à exposição inclusiva “Anãma Tapajós Divulgação A exposição inclusiva “Anãma Tapajós: Histórias e Memórias Impressas no Barro” segue aberta à visitação até o próximo dia 22 de maio, no Centro Cultural João Fona, na orla de Santarém, consolidando-se como um importante exemplo de acessibilidade cultural na região oeste do Pará. Nesta sexta-feira (15), cerca de 20 pessoas cegas e com baixa visão participaram de uma visita sensorial à mostra, vivenciando uma experiência marcada pela inclusão, autonomia e conexão com a arte por meio do tato e da audição. ✅ Siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp A ação reuniu integrantes da Associação Santarena para Inclusão de Pessoas Cegas e com Baixa Visão (ASSIC), que puderam explorar nove peças em alto-relevo acompanhadas de recursos de audiodescrição desenvolvidos especialmente para garantir acessibilidade ao público. Para muitos visitantes, foi a primeira oportunidade de participar de uma exposição adaptada às suas necessidades. O artista visual Vítor Matos, responsável pelas obras, destacou que o projeto nasceu justamente da necessidade de ampliar o acesso à arte para pessoas com deficiência visual. “A arte tem que ser acessível e inclusiva”, destacou o artista. A exposição foi realizada com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) de Incentivo à Cultura, por meio da Secretaria Estadual de Cultura (Secult), com apoio da Secretaria Municipal de Cultura. No idioma tupi-guarani, a palavra “anãma” faz referência à família, povo e ancestralidade, conceitos que atravessam toda a proposta artística da mostra. A consultora em audiodescrição Andréa Simone Colares ressaltou que o recurso vai além da inclusão de pessoas cegas, beneficiando também pessoas com baixa visão, autistas, disléxicas e analfabetas. Segundo ela, a experiência proporcionada pela exposição foi transformadora até mesmo em sua atuação profissional. “Quando ouvi a audiodescrição ao mesmo tempo em que tocava as peças, consegui compreender melhor cada detalhe. Antes, eu conhecia esse recurso apenas na teoria, mas agora tive a oportunidade de vivenciá-lo na prática”, explicou. Visita à exposição inclusiva “Anãma Tapajós Divulgação O presidente da ASSIC, professor Jeter Rezende, afirmou que iniciativas como essa representam um avanço importante na democratização do acesso à cultura. Segundo ele, além de incentivar a presença de pessoas cegas em espaços culturais, a proposta também chama atenção para a necessidade de práticas permanentes de acessibilidade. “Precisamos de pessoas apaixonadas pela acessibilidade e pela promoção de autonomia e cidadania às pessoas com deficiência”, declarou. Entre os visitantes, a emoção tomou conta durante a experiência sensorial. A auxiliar de serviços gerais Viviane Miranda, de 47 anos, contou que voltou ao museu após décadas e viveu um momento especial ao poder tocar as peças. “Quando vim aqui pela primeira vez, eu era muito nova e não tive essa oportunidade. Hoje, poder sentir as obras com as mãos é algo muito gratificante”, afirmou. Já Sabrina Kelly dos Santos participou pela primeira vez de uma exposição com audiodescrição e destacou a importância da iniciativa. “É um passo muito importante. Espero que essa experiência inspire outros artistas a produzirem materiais acessíveis”, disse. A mostra reúne 95 peças artísticas, entre remos em madeira, pinturas, tecidos e esculturas em barro, propondo uma imersão nas narrativas amazônicas ligadas à memória, território e ancestralidade. A exposição pode ser visitada gratuitamente de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, no Centro Cultural João Fona. Grupos escolares também podem agendar visitas guiadas pelo e-mail centroculturaljoaofona.semc@gmail.com. VÍDEOS: mais vistos do g1 Santarém e Região
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