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    Estudo indica como onças conseguem sobreviver e manter equilíbrio ecológico em áreas de cana-de-açúcar

    14 hours ago

    Onça-parda em área rural de Iracemápolis Lama/Unicamp Um artigo científico da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) apontou que a onça-parda pode se adaptar para viver, se reproduzir e manter seu papel ecológico de topo de cadeia em áreas agrícolas dominadas pela cana-de-açúcar. No entanto, isso só seria possível graças aos trechos de matas ciliares, represas e brejos nos arredores das monoculturas. Os trechos florestais funcionam como abrigo e área de circulação tanto para as onças-pardas, quanto para suas presas. A pesquisa foi feita durante dois anos em Iracemápolis (SP), onde 76% do território é ocupado pelo cultivo de cana-de-açúcar. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Piracicaba no WhatsApp “Décadas atrás, [Iracemápolis] reconstituiu a mata ciliar nas bacias hidrográficas locais e isto precisa ser lembrado. Essas reconstituições de florestas de galeria nas bacias hidrográficas podem ter repercussão positiva para a fauna e flora locais”, explica Eleonore Setz, professora do Instituto de Biologia da Unicamp e coordenadora do Laboratório de Ecologia e Comportamento de Mamíferos (LAMA). A pesquisadora informou que Iracemápolis representa o interior de São Paulo, com a substituição de grande parte da vegetação nativa por cana. Onça-parda em área rural de Iracemápolis Lama/Unicamp “Precisamos de água. Para produzir água, precisamos de vegetação nativa, florestas e Cerrado. Cuidando disso poderemos manter a onça-parda e seus serviços ecológicos”, complementa. O estudo mostrou que as onças foram registradas mensalmente, sem diferença entre a safra e entressafra, indicando serem residentes na região, e que os animais de porte médio evitam áreas mais frequentadas pelo felino. Além disso, a análise confirmou a reprodução de onças-pardas no município. O estudo ainda mostrou que outros 23 animais frequentam os espaços analisados. Entre as espécies estão: lobo-guará, jaguatirica, gato-do-mato, veado-catingueiro e tamanduá-bandeira. Gato-do-mato em área rural de Iracemápolis Lama/Unicamp Caça no canavial e risco a longo prazo A pesquisa observou que as onças-pardas usam as plantações de cana para ampliar as oportunidades de caça. Nesse cenário, ela se alimenta, majoritariamente, de pequenos roedores. No entanto, em um cenário ideal, a alimentação da onça-parda é composta por animais maiores, como cateto (porco-do-mato), veado, tapiti e capivara – animais não predominantes em áreas majoritariamente agrícolas. A mudança alimentar pode comprometer a espécie a longo prazo, explicou a pesquisadora. “[A dieta de pequenos roedores] pode dificultar a alimentação dos filhotes, ela [onça-parda] precisa caçar mais presas, pode emagrecer, reduzir a produção de filhotes, produzir mais filhotes machos", conta Eleonore. Pegada de tamanduá-bandeira em zona rural de Iracemápolis Lama/Unicamp Conservação e 'espécie guarda-chuva' A onça-parda é considerada uma "espécie guarda-chuva". Isso significa que, ao proteger as áreas necessárias para sua sobrevivência, também se preservam o ecossistema e as outras espécies que vivem nesse ambiente. A pesquisadora alerta para a manutenção da vegetação nativa em espaços dominados por agricultura. “A onça-parda, como carnívora e de grande porte (maior do que outros carnívoros da nossa região) tem o papel ecológico de predadora de topo, e assim controla a grande área que a sustenta. Em áreas com onça-parda, geralmente tem todos os outros [animais]. Sem ela, eles competem entre si, e se excluem e no final sobra só o gambá”, conta. Pegadas de lobo-guará em zona rural de Iracemápoli Lama/Unicamp Vi uma onça-parda, e agora? Se uma onça cruzar o caminho de um humano, a especialista informou que é preciso evitar movimentos bruscos, dando passagem para que ela possa ir embora livremente. “Se ficar desconfiado que ela tem alguma presa escondida, ou filhotes, afaste-se devagar sem dar as costas. Se ficar muito aflito pode levantar os braços, ‘blefar’, nunca correr! Ela é um gato, que se sente desafiado pela corrida!”, informa. 'Poderia ter levado uma boa mordida', diz bióloga sobre homem que puxou onça atropelada pelo rabo no interior de SP 'Poderia ter levado uma boa mordida', diz bióloga sobre homem que puxou onça pelo rabo Sobre o estudo A pesquisa foi elaborada por Camila Menezes Siqueira e Eleonore Zulnara Freire Setz, do Instituto de Biologia da Unicamp e coordenadora do Laboratório de Ecologia e Comportamento de Mamíferos (LAMA) da Unicamp. O estudo foi publicado nesta quinta-feira (24) na Revista do Instituto Florestal e contou com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). VÍDEOS: tudo sobre Piracicaba e região Veja mais notícias sobre a região em g1 Piracicaba
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