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    Escritório de Nelson Wilians emitiu notas que somam R$ 37 milhões para empresa fantasma de Curaçao, aponta PF

    1 day ago

    Advogado Nelson Wilians é alvo de operação da PF O escritório do advogado Nelson Wilians emitiu notas que somam R$ 37,8 milhões para uma empresa fantasma sediada em Curaçao, no Caribe, em esquema de lavagem de dinheiro envolvendo jogos de azar online e evasão de divisas, segundo investigação da Polícia Federal. Nelson Wilians foi um dos 17 alvos de busca e apreensão da Operação Arena, deflagrada nesta quinta-feira (13). A operação investiga um grupo empresarial do Nordeste suspeito de utilizar estruturas societárias e financeiras no exterior para ocultar a origem e a destinação de recursos provenientes da exploração de jogos de azar e apostas esportivas. O valor teria sido pago ao escritório pela PixStar, apontada pelos investigadores como uma empresa fictícia utilizada para dar aparência legal à movimentação de recursos. Segundo a investigação, as notas fiscais não especificavam de forma concreta os serviços que teriam sido prestados. Elas eram emitidas conforme surgia a necessidade de justificar a entrada dos valores no Brasil e “formar caixa”, segundo os investigadores. Ao todo, as 15 notas fiscais identificadas pela PF somam R$ 37.824.000. O escritório de Nelson Wilians aparece, segundo a investigação, como um dos principais beneficiários das movimentações envolvendo a PixStar. Como funcionava o suposto esquema de lavagem de dinheiro da PixBet Arte/G1 Para a PF, as notas serviam para justificar a entrada de somas milionárias no Brasil sob a aparência de pagamentos por serviços advocatícios. A suspeita é de que os valores estivessem relacionados às atividades de jogos de azar e apostas esportivas investigadas pela operação. Segundo a investigação, a PixStar era usada como um “ardil” para sustentar a narrativa de que a atividade de apostas era exercida fora do Brasil antes da autorização legal desse tipo de operação no país. 🔎 Wilians é dono de um dos maiores escritórios de advocacia empresarial do Brasil e soma 1,4 milhão de seguidores em uma rede social. Em setembro do ano passado, ele também havia sido alvo da PF por suposta participação em esquema de fraudes e desvios do INSS. O advogado Nelson Wilians presta depoimento à CPMI do INSS WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO Operação Arena A operação foi autorizada pela Justiça Federal da Paraíba e também determinou a quebra dos sigilos bancário e telemático dos investigados e o sequestro de até R$ 1,1 bilhão. No total, 17 mandados de busca e apreensão foram expedidos nos estados da Paraíba, de São Paulo, de Sergipe, do Rio de Janeiro e do Paraná. O principal alvo da investigação é a PixBet, empresa da Paraíba. Segundo a PF, foram identificados pagamentos entre a PixBet e a PixStar, sediada em Curaçao. Nelson Wilians é suspeito de atuar como operador financeiro do grupo investigado e de ocultar bens que teriam sido obtidos de forma ilegal, segundo a investigação. Os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, por crimes como evasão de divisas e lavagem de dinheiro, além de outros crimes contra o sistema financeiro nacional. O advogado Nelson Wilians tem mais de 1,4 milhão de seguidores no Instagram é tem um dos maiores escritórios de advocacia da América Latina. Reprodução/Redes Sociais A defesa de Nelson Wilians afirmou que a relação entre o escritório e a PixBet é “estritamente profissional” e decorre da prestação de serviços de advocacia. Segundo o advogado Santiago Schunck, que representa Wilians, a atuação do escritório se limita ao exercício regular da advocacia e não se confunde com as atividades empresariais dos clientes. "A atuação do escritório em favor de seus clientes limita-se ao exercício regular da advocacia, não se confundindo com as atividades empresariais por eles desenvolvidas. O escritório repudia qualquer tentativa de associar a atuação profissional de seus advogados às atividades ou condutas atribuídas a seus clientes", afirmou. "É preciso ter cautela para que o legítimo exercício da advocacia não seja indevidamente criminalizado em razão da natureza ou das atividades daqueles que o advogado representa", completou a nota. O g1 tenta contato com a defesa dos outros envolvidos. Operação da PF sobre lavagem de dinheiro cumpre mandados em 5 estados Fraude no ICMS em SP Em 15 de julho, o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA/SP) deflagrou uma operação contra uma organização investigada por suposta venda de créditos falsos de ICMS para reduzir indevidamente o imposto devido ao estado. O esquema teria sonegado R$ 3,8 bilhões em créditos tributários. Um dos núcleos principais do grupo investigado é ligado a um grupo econômico do advogado Nelson Wilians, cujo escritório também foi alvo de buscas na ocasião. Anne Wilians, esposa de Nelson, advogada e sócia dele, também está entre os alvos. Assim como, em Londrina, a advogada Mayra de Paula, que segundo a investigação é “sócia” de Wilians nas fraudes. Em nota na época, o escritório de Wilians informou que "a gestão das operações mencionadas era de responsabilidade exclusiva do escritório De Paula Advogados & Consultoria Jurídica, sem qualquer vínculo societário ou de controle com o NWADV. Ao identificar inconsistências, o escritório encerrou a parceria e comunicou seus clientes" (veja nota completa abaixo). LEIA TAMBÉM: Advogada do Paraná é alvo de operação contra fraude de mais de R$ 3 bilhões em ICMS Escritórios de advocacia são suspeitos de fraudar R$ 3,8 bilhões em créditos de ICMS, em SP Como funcionava o esquema em SP De acordo com a investigação, a organização usava empresas de fachada, inativas ou sem estrutura operacional. Essas empresas emitiriam documentos fiscais para dar circulação artificial a créditos de ICMS, depois incorporados à escrituração fiscal de contribuintes. Eles simulavam ter créditos tributários pra vender para as empresas — geralmente pequenas e médias. Mas, segundo a investigação, os créditos eram falsos. As empresas eram multadas. Eles, então, simulavam telas para mostrar que as multas tinham sido quitadas — o que também era falso. Para dar credibilidade ao esquema, o advogado chegava aos compromissos de helicóptero e carros importados. O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) é a principal fonte de receita dos governos estaduais. É um tributo estadual que incide sobre a venda de produtos, a prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, e de comunicações. Escritórios de advocacia, consultorias e intermediadoras participavam do esquema, segundo a investigação. Prospectavam clientes, montavam os contratos e elaboravam pareceres jurídicos para justificar a operação perante o Fisco. O advogado Nelson Wilians durante Operação Distrato, que faz buscas em seu escritório Divulgação/Secretaria da Fazenda de SP Além do núcleo ligado ao Grupo Nelson Wilians, a apuração também mira agentes dos grupos Alpha e Dmc. Para justificar a origem dos créditos, os investigados alegavam, por exemplo, supostos direitos de massas falidas ou decisões judiciais antigas de desapropriação. A Alpha nega a prática de qualquer ilícito fiscal ou penal. Para forjar aparência de legalidade, a organização recorria a práticas como: uso indevido de normas administrativas ou de decisões judiciais sem trânsito em julgado para justificar os créditos; apresentação de despachos que seriam falsos, atribuídos a auditores fiscais que não os assinaram; venda de créditos sem relação real com o ICMS, vinculados a empresas sem atividade; uso de "cessões" ou "gerenciamentos" simulados para formalizar o negócio ilícito. O CIRA/SP abriu 874 Ordens de Serviço Fiscal para analisar cerca de 9.960 lançamentos suspeitos, envolvendo mais de 850 empresas. O comitê afirma que a apuração separa quem agiu de forma consciente do proveito ilícito de quem pode ter sido enganado de boa-fé. A Secretaria da Fazenda já realizou verificações fiscais que culminaram na lavratura de autos de infração em 752 empresas. Nota de Nelson Wilians "Nota à imprensa: A relação entre o escritório e a PixBet é estritamente profissional e decorre da prestação de serviços de advocacia. A atuação do escritório em favor de seus clientes limita-se ao exercício regular da advocacia, não se confundindo com as atividades empresariais por eles desenvolvidas. O escritório repudia qualquer tentativa de associar a atuação profissional de seus advogados às atividades ou condutas atribuídas a seus clientes. É preciso ter cautela para que o legítimo exercício da advocacia não seja indevidamente criminalizado em razão da natureza ou das atividades daqueles que o advogado representa. Santiago Schunck, advogado do NWADV" Nota da Alpha Group: "A Alpha Group recebeu com absoluta perplexidade e surpresa a informação de que é objeto da investigação denominada Operação Distrato. Isso porque, a Alpha não compactua com qualquer tipo de irregularidade, negando com veemência a prática de qualquer ilícito fiscal ou penal. A empresa está à inteira disposição das Autoridades para prestar todos os esclarecimentos que se fizerem necessários".
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