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    Entre riscos e oportunidades, acordo entre Mercosul e União Europeia desafia indústria da região de Campinas

    6 days ago

    Foto de arquivo do terminal de cargas de Viracopos, em Campinas (SP) Aeroportos Brasil Viracopos A entrada em vigor provisória do acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul não deve provocar mudanças imediatas para os consumidores, mas tende a expor a indústria da região de Campinas (SP) à concorrência europeia no médio e longo prazo, apontam especialistas. Segundo Paulo Oliveira, pesquisador do Observatório PUC-Campinas, o sucesso do setor diante da nova realidade dependerá da capacidade de adaptação. Oliveira avalia que, sem uma política industrial bem calibrada, voltada à inovação, qualificação e fortalecimento produtivo, o ajuste pode reforçar a especialização em setores menos dinâmicos e ampliar a perda relativa da indústria. De acordo com o economista, com PIB em torno de R$ 600 bilhões — cerca de 20% da economia paulista — e uma base industrial diversificada, a região está mais exposta à concorrência europeia. "No curto prazo, a pressão tende a ser limitada; no médio, setores específicos começam a sentir mais intensamente a concorrência; e, no longo prazo, o efeito dependerá da capacidade de adaptação", diz. Ao analisar o cenário, o pesquisador ressalta que o desafio não é evitar a concorrência, mas garantir que ela se traduza em modernização produtiva, e não em aprofundamento da desindustrialização." Vídeos em alta no g1 O decreto que promulga o tratado foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e a medida encerrou a etapa interna brasileira de incorporação do tratado ao ordenamento jurídico. Com isso, tanto o Brasil quanto a União Europeia começam a implementar o acordo provisoriamente, permitindo a aplicação gradual de suas regras entre os países integrantes dos blocos. "Do ponto de vista de prazos, não se trata de um choque imediato. A implementação do acordo envolve cronogramas longos de redução tarifária, muitas vezes entre 5 e 15 anos, o que dilui os efeitos ao longo do tempo", pondera Oliveira. Foto de arquivo do economista Paulo Oliveira, da PUC-Campinas Fernando Evans/G1 Expectativas da indústria Diretor da regional de Campinas do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), José Henrique Toledo Corrêa acredita que a abertura de mercado com a União Europeia pode ser benéfica para a região, apesar da concorrência, por conta de um setor industrial que se mostra criativo. No entanto, Corrêa faz críticas ao chamado "Custo Brasil", e vê entraves fiscais, trabalhistas e burocráticos como o principal desafio para lidar com essa concorrência. "Se não houver uma política de nação para o desenvolvimento, fica difícil competir", alerta. A secretária de Desenvolvimento Econômico de Campinas, Adriana Flosi, mantém uma expectativa bastante positiva para as empresas da metrópole, com forte presença tecnológica, além da logística. "O acordo tende a facilitar o acesso a novos mercados, reduzir custos de exportação e aumentar a competitividade de produtos brasileiros, o que pode estimular investimentos e fortalecer ainda mais o ambiente de negócios local", disse. Impacto mais rápido no agronegócio Para além da indústria, o economista Roberto Brito de Carvalho, da PUC-Campinas, destaca que o impacto será sentido rapidamente em setores específicos do agronegócio regional. A eliminação de tarifas pode beneficiar imediatamente exportadores de frutas e flores de cidades vizinhas a Campinas, que são reconhecidas pela produção de figo e uva, por exemplo. No entanto, Carvalho também reforça a dualidade do acordo: enquanto abre portas para a exportação brasileira, facilita a entrada de máquinas, veículos e insumos europeus, forçando as empresas locais a otimizarem seus processos para sobreviverem à nova realidade de mercado. Foto: Veiling Holambra Foto: Veiling Holambra VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas
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