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    Em uma semana, guerra no Irã produz efeitos drásticos no Oriente Médio e mensagens contraditórias dos EUA

    há 3 meses

    Casa Branca posta montagem de ataques ao Irã inspirada em videogame com música hypada Os drásticos efeitos da primeira semana da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã contrastam com a pouca clareza nos objetivos que levaram o governo de Donald Trump a embarcar nesta empreitada. A veemente expectativa de queda do regime dos aiatolás, exposta no primeiro momento pelo presidente americano já com os bombardeios em andamento, deu vez a um leque de mensagens contraditórias transmitidas nos dias seguintes por ele e seus conselheiros, revelando a falta de um plano consistente para atacar o Irã. Os primeiros resultados demonstram que o regime não caiu, nem dá sinais de que será derrubado, e indicam que o conflito se prolongará além das “quatro ou cinco semanas” previstas por Trump. O presidente dos EUA, Donald Trump REUTERS/Nathan Howard O chefe do Pentágono, Pete Hegseth, faz jus à mudança de nome de seu cargo de secretário de Defesa para o de Guerra, ao anunciar que a campanha militar entra numa nova fase, com bombardeios mais devastadores. “Se vocês acham que já viram algo, apenas esperem. A quantidade de poder de fogo que ainda está vindo, combinada com as forças de Israel, vai se multiplicar sobre o Irã", antecipou Hegseth, ao lado do almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central dos EUA (Centcom). Com mais de mil vítimas e prejuízos incontáveis, a primeira semana do conflito alterou profundamente a ordem do Oriente Médio e a cada dia soma novos atores ao teatro principal. O Irã perpetrou ataques retaliatórios aos países do Golfo, irritando a vizinhança, e disparou mísseis contra o Azerbaijão e a Turquia. Os EUA afundaram um navio de guerra iraniano na costa do Sri Lanka, a mais de 3 mil quilômetros de distância do palco de guerra. Os mercados de ações estão em convulsão, e os preços do petróleo e do gás dispararam, com o controle da República Islâmica sobre o Estreito de Ormuz. Guerra no Irã entra no 7º dia com 20 países envolvidos de alguma forma Mas, para Trump, o alerta de perigo maior é interno, com a proximidade das eleições de meio de mandato, em novembro, que definirão se ele manterá o controle do Congresso. Isso talvez explique os sinais trocados nas mensagens emitidas pelo governo. Na primeira aparição pública, quando o aiatolá Ali Khamenei já estava morto, o presidente baixou o tom inicial, que conclamava a liberdade para os iranianos, e revelou que os sucessores cogitados pela Casa Branca para comandar o país também haviam morrido. Os secretários Marco Rubio, de Estado, e Hegseth, passaram a traçar objetivos mais modestos, como a destruição do programa nuclear, da produção de mísseis e da Marinha iraniana, descartando a queda do regime como meta. Rubio, que reduziu a mudança do regime a uma esperança e não a um objetivo, chegou a admitir que os EUA entraram no conflito a reboque de Israel. Foi desmentido por Trump, com uma explicação bem distinta: a de que o Irã lançaria ataques preventivos contra os EUA por conta própria. “Estávamos negociando com lunáticos, fanáticos religiosos, e eu descobri que eles iriam atacar primeiro”, alegou o presidente. As mensagens divergentes desta primeira semana parecem tocar fundo na impopularidade de um novo conflito externo para os americanos, especialmente na base MAGA que sustenta o presidente. Figuras proeminentes, como os influenciadores Tucker Carlson, Megyn Kelly e Matt Walsh, expuseram fissuras no movimento e condenaram o envolvimento do país no Irã como uma traição aos princípios do lema “América Primeiro”, amplamente propagado por Trump em suas campanhas eleitorais. Uma guerra prolongada, custosa e com baixas de militares americanos certamente expandirá essa percepção de descontentamento.
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