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    Em 1º monólogo, Felipe Hintze discute violência, erotização e estigmas contra corpos gordos

    8 hours ago

    Ator Felipe Hintze ao estreia monólogo em São Paulo Divulgação Depois de construir parte da carreira no humor, Felipe Hintze, 32 anos, estreia como dramaturgo e sobe ao palco sozinho pela primeira vez em "Proibido para Menores de 18 Anos", que estreia em 1º de agosto no Teatro Estúdio, em São Paulo. Na montagem, o artista usa o próprio corpo para questionar a forma como a sociedade consome violência e erotização — e diz que a escolha também desafia estigmas historicamente impostos às pessoas gordas. "Usar o meu corpo também para falar sobre esse tema já é um tabu, porque o corpo gordo sempre tem o estigma do alívio cômico. Agora coloco esse corpo em um lugar diferente. Já busquei isso algumas vezes e continuo nessa busca. O meu corpo pode contar inúmeras histórias. Colocá-lo nesse lugar da erotização é interessante, é mais um lugar que ele não está acostumado a ocupar", declarou ao g1. Segundo ele, a decisão de voltar a personagens mais densos também marca um novo momento da carreira, que lhe permite revisitar seu personagem Eziel, de "Verdades Secretas", da TV Globo. Ele era o melhor amigo da protagonista Angel, vivida por Camila Queiroz. Felipe Hintze em cena com Camila Queiroz em "Verdades Secretas", da TV Globo Divulgação/TV Globo "Eu tenho vindo muito do humor e amo fazer humor. Acho que o humor salva, é um dos sentimentos mais puros que existem. Mas eu queria voltar para temas que trabalhei no começo da minha carreira, como em 'Verdades Secretas' e 'Dupla Identidade', que tiveram uma repercussão muito grande. Estou me experimentando e voltando um pouco para as raízes." Hintze afirma que a representatividade de corpos gordos voltou a perder espaço nos últimos anos e relaciona esse movimento ao retorno da valorização da extrema magreza. "A gente vive um momento em que a extrema magreza voltou a ser muito valorizada. Eu sempre sou chamado para assistir aos desfiles da São Paulo Fashion Week e sempre via representatividade, modelos plus size. Mas nas duas últimas edições em que fui, não vi mais. Acho que está voltando uma supervalorização da extrema magreza." O ator ressalta que considera importantes os avanços da medicina no tratamento da obesidade, mas faz uma distinção entre o uso terapêutico e o uso estético de medicamentos. "Essas canetas emagrecedoras são muito benéficas. A obesidade é uma doença e tudo o que a medicina propõe para ajudar é importante. Só que tem muita gente usando isso sem ter a doença, por questões estéticas. Não romantizo a obesidade, temos que buscar saúde. Mas a representatividade gorda não está em um lugar de tanta evidência como já esteve há alguns anos. As coisas são cíclicas e talvez esse movimento volte, mas nesse momento estamos vivendo um retrocesso." Primeiro texto como dramaturgo Além de enfrentar o desafio de um monólogo, Sampaio também assina, pela primeira vez, a dramaturgia de um espetáculo. O texto foi escrito em parceria com Nicolas Zanetti, que também dirige a montagem. Segundo o ator, assumir a escrita nasceu da vontade de ter mais autonomia sobre as histórias que leva ao palco. "Como dramaturgo, você escolhe o que quer falar e as mensagens que quer entregar para as pessoas. Fazia tempo que eu queria ter essa propriedade. Está sendo um desafio duplo, porque é a primeira vez que escrevo, mas estou gostando muito desse processo." A peça acompanha um funcionário da última lan house de uma cidade que desenvolve uma obsessão por conteúdos violentos após presenciar um acidente com morte. A partir daí, o espetáculo questiona por que cenas de violência despertam fascínio e como esse consumo pode afetar a forma como as pessoas enxergam o sofrimento alheio. Para construir o texto, a equipe passou seis meses em pesquisa e contou com o auxílio de dois psiquiatras para compreender os mecanismos cerebrais relacionados ao desejo e ao prazer diante desse tipo de conteúdo. "O que eu quero é que as pessoas saiam da peça repensando os conteúdos que consomem. A internet tornou esse acesso muito democrático, mas também muito perigoso." Ator Felipe Hintze ao estreia monólogo em São Paulo Divulgação Violência banalizada Segundo Sampaio, a montagem propõe uma reflexão sobre a naturalização da violência e seus efeitos na empatia. "Será que, quando tudo vira cotidiano, a gente não anestesia a nossa humanidade? Moro em São Paulo e já normalizei uma série de violências da cidade. Isso é muito prejudicial. A gente se acostuma e para de se sensibilizar." O ator explica que o espetáculo não critica a sexualidade, mas a "erotização da violência", quando imagens de sofrimento passam a despertar prazer ou entretenimento. A peça também faz referências ao consumo de conteúdos de true crime, programas policialescos e vídeos de acidentes compartilhados nas redes sociais. "Por que esses conteúdos fazem tanto sucesso? Por que as pessoas gravam um acidente e postam? O que isso desperta na gente? É essa discussão que queremos levar para o palco." Sem patrocínio A montagem é produzida com recursos do próprio ator. Segundo ele, a ausência de patrocinadores aumentou os riscos financeiros, mas também garantiu liberdade criativa. "Estou colocando dinheiro do meu bolso. É muito difícil fazer teatro sem patrocínio, mas isso também me deixou livre para criar exatamente o que eu queria. Não fico refém de alguém dizendo quais assuntos posso abordar." Ele afirma que optou por um tema considerado espinhoso justamente por acreditar que o teatro também deve provocar reflexão. "Acho que falta um pouco dessa ousadia, principalmente entre atores da minha geração. As pessoas buscam segurança. Eu estou afim de ir para a vulnerabilidade. Acho mais interessante", afirma. Sozinho no palco Acostumado a dividir a cena com outros atores, Felipe diz que o monólogo representa uma das maiores experiências da carreira. "É desesperador [risos]. Não tem ninguém para contracenar, você cria tudo sozinho. Estou muito inseguro nesse processo, mas acho que isso está me tornando um ator melhor", encerra. SERVIÇO: 📅 Quando? De 1º a 29 de agosto; sábados, às 20h30. Segunda, 3/8, às 20h 📍 Onde? Teatro Estúdio | Rua Conselheiro Nébias, 891 - Santa Cecília, Centro 💲 Quanto? R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia) ➡️ Mais informações e ingressos Ator Felipe Hintze ao estreia monólogo em São Paulo em 1º de agosto Divulgação
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