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    Dono da Outsider Tours usou login e senha falsos para simular validação de ingressos da final da Libertadores, aponta investigação

    há 1 dia

    Fernando Sampaio de Souza e Silva, de 36 anos, dono da Outsider Tours, foi preso nesta terça-feira (6) em Balneário Camboriú Divulgação As investigações da Polícia Civil que levaram à prisão de Fernando Sampaio, dono da agência Outsider Tours, apontam que ele usou login e senha falsos para simular a validação dos ingressos para a final da última Libertadores, em Lima, no Peru. A Outsider Tours vende pacotes de viagens e ingressos para eventos esportivos. Nos últimos anos, a empresa foi alvo de centenas de investigações e processos nas justiças cível e criminal em todo o país. No dia 28 de novembro, quatro vítimas do Pará receberam do dono da Outsider o login e a senha para validarem no site da Conmebol os ingressos para a partida, que seria realizada no dia seguinte. No total, o grupo gastou R$ 8,2 mil para assistir à partida entre Palmeiras e Flamengo. As investigações da Polícia do Pará, no entanto, apontam que as informações estavam em nome de uma outra pessoa, com objetivo de simular a existência dos ingressos e sua validação na plataforma oficial da competição. Poucas horas depois, o acesso ao site para confirmar a compra dos ingressos foi desfeito, confirmando que o investigado não possuía os ingressos que vendeu ao grupo, segundo a polícia. À polícia, as vítimas afirmaram que, depois disso, Fernando Sampaio passou a ignorar mensagens e ligações, além de não devolver qualquer valor pago pelos ingressos. Todos os que compraram ingressos com Fernando e não receberam os tíquetes foram obrigados a comprar novos ingressos no dia da partida, por valores bem superiores aos pagos inicialmente. Procurada, a defesa de Fernando Sampaio afirmou que não teve acesso à investigação. Questionada sobre as informações do inquérito contra Fernando, a defesa não respondeu até a publicação desta reportagem. Relatório financeiro enviado à Polícia Fernando Sampaio, sócio da Outsider Turismo Ltda, alvo de ações judiciais em vários estados do país Reprodução/Facebook A Delegacia de Defraudações (DDEF), que possui uma investigação em andamento contra Fernando, pediu ao COAF, órgão do governo federal que monitora atividades financeiras, o relatório financeiro dele. O g1 e a TV Globo apuraram que o material, com centenas de páginas, foi recebido e enviado ao Laboratório de Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil. Com o relatório financeiro, a polícia agora investiga se Fernando Sampaio também cometeu o crime de lavagem de capitais. A DDEF investiga Fernando por estelionato, crime pelo qual ele foi preso e já foi indiciado em outros dois inquéritos. Monitorado por um mês Dono da Outsider foi preso após ser monitorado pela polícia por um mês Sampaio foi preso após ser monitorado por um mês pela polícia do Pará, que conduziu a investigação contra ele. Os agentes seguiram os passos do suspeito no Rio de Janeiro e em Santa Catarina. Após ficar durante o mês de dezembro no Rio, Fernando passou a virada de ano em um prédio de luxo no centro da cidade com o pai. Ele levava uma vida de ostentação enquanto respondia a centenas de processos em todo o país, segundo as investigações. As investigações de uma delegacia no sudeste do Pará indicaram um prejuízo de R$ 8,2 mil para quatro clientes paraenses torcedores do Flamengo. Eles compraram pacotes de ingressos para a final da Libertadores em Lima, contra o Palmeiras. Após não terem recebido os ingressos, foram à polícia: "Essas vítimas representaram pelo crime de estelionato. Elas adquiriram ingressos e não receberam seus tíquetes para o jogo. Representamos pela prisão preventiva e iniciamos o monitoramento desse indivíduo", afirmou o delegado Erivaldo Campelo, da Superintendência do Lago Tucuruí, da Polícia Civil do Pará. A prisão foi feita quando Fernando saía do edifício.. "Existia uma continuidade delitiva, com delitos praticados em diversos estados do nosso país. Conseguimos demonstrar ao poder judiciário que qualquer medida judicial diversa da prisão não seria suficiente para a aplicação da lei penal", explicou. "Tem que analisar não só essas vítimas, mas todas as vítimas que ele tem feito desde 2022". Na decisão, o juiz sustentou que Fernando Sampaio, caso estivesse solto, poderia continuar praticando golpes. Para o magistrado, a série de casos na Justiça, com múltiplas empresas utilizadas para receber pagamentos e captação de vítimas em larga escala em ambiente digital, demonstravam o "elevado grau de periculosidade" de Fernando Sampaio. A defesa de Fernando Sampaio afirmou que não teve acesso à investigação, mas que vai pedir a revogação da prisão preventiva do empresário. O advogado Bruno Albernaz afirmou que seu cliente nunca quis lesar nenhum cliente, e que seu objetivo é pagar a todos que se sentiram prejudicados. Ele disse ainda que tudo será explicado nos autos. Segundo nota enviada à empresa, o que houve foi um problema de "administração empresarial". "Ele está atravessando uma situação muito difícil, mas a intenção dele é pagar da forma que ele conseguir, honrar os seus compromissos com todo mundo", disse o advogado. Cliente não recebeu ingresso nem dinheiro de volta Márcio, pai de criança de 12 anos; ele e o filho tiveram viagem cancelada para Lima Reprodução/TV Globo Um dos clientes lesados é Márcio Henrique Ayres de Andrade, de 46 anos, que não conseguiu levar o filho e viajar com um grupo de amigos para a última final da Libertadores, em 2025, em Lima, no Peru. Ele afirmou que conversou com Fernando no dia 2 de janeiro, quatro dias antes da prisão. "Ele respondeu sempre de uma forma estúpida e brincalhona. Ele disse que a culpa era nossa, que depois que colocamos ele na imprensa ele não conseguiu vender mais pacotes", relatou Márcio. Segundo ele, até esta quinta-feira não tinha sido depositado nenhum valor em sua conta. Márcio diz que está conversando o banco para sanar o prejuízo de R$ 9,4 mil. Mensagens trocadas com Fernando mostram que o empresário, apesar de prometer o reembolso, responsabiliza as vítimas pelo problema enfrentado pela empresa. "Olá, vamos reembolsar. Vocês F*&ram a gente, a empresa tá passando mais dificuldades. Mas vamos reembolsar", diz Fernando em uma das mensagens. Clientes da Outsider se queixam sobre pacotes cancelados Márcio tinha feito uma surpresa para o filho contando que iriam à final da Libertadores. Ao descobrir o golpe, foi obrigado a dizer que não viajariam mais. "Ele estava perguntando com ansiedade quando nós iríamos, o horário do voo, e eu tive que contar a verdade para ele, do golpe. Ele ficou triste, chateado, mas depois ficou mais tranquilo", contou Márcio, que também comentou a prisão de Fernando Sampaio: "É o mínimo. Com toda essa repercussão, eu acho que vai coibir outras pessoas de caírem nesse golpe. Eu pretendo acioná-lo na Justiça com certeza, porque é um transtorno muito grande, não é só o dinheiro", pontuou. Questionada, a defesa de Fernando Sampaio diz que desconhece a legitimidade das mensagens, mas que a promessa de reembolso reforça o compromisso de pagar os clientes lesados. LEIA TAMBÉM: Advogado alega dívida de R$ 200 mil de dono da Outsider após casamento na Tailândia Ator Márcio Garcia acusa agência de estelionato Clientes da Outsider Tours dizem que não receberam ingressos para a final da Champions League Agência é suspeita de cancelar pacotes para final da Libertadores de 2024 Mesmo com dívidas, Outsider mantém agenda de eventos até 2026 Trajetória e denúncias Veja, abaixo, mais sobre o histórico de Fernando, que é alvo de processos por problemas na entrega de pacotes desde ao menos 2022. Empresário há vários anos no Rio, Sampaio começou a ganhar notoriedade nacional como proprietário da Outsider Tours - uma agência de turismo esportivo fundada no Rio de Janeiro que oferece pacotes e ingressos para grandes eventos, incluindo jogos importantes de futebol e outros esportes, tanto no Brasil quanto no exterior. O caso que virou um primeiro grande alerta ocorreu em 2022, quando a empresa afirmou que fretaria aviões para levar torcedores do Flamengo à final da Copa Libertadores na cidade de Guayaquil, no Equador. Vários clientes que pagaram pelos pacotes não conseguiram embarcar, e os problemas começaram a se espalhar. A situação chegou a envolver tumultos em aeroportos do Rio, diante de voos cancelados (veja o vídeo abaixo). Dono da empresa de turismo Outsider Tours é preso em Santa Catarina Desde então, Sampaio e suas empresas colecionam reclamações, com centenas de processos judiciais e registros de ocorrência em pelo menos 21 estados brasileiros e no Distrito Federal, segundo levantamentos judiciais. Em novembro, havia mais de 600 processos e registros de ocorrência contra Fernando ou a Outsider. Em 2025, a Polícia Civil do Rio indiciou duas vezes Fernando Sampaio, por estelionato. Fernando Sampaio, dono da empresa Outsider Tours Reprodução/TV Globo Segundo processos, os problemas começaram mesmo antes de 2022: em 2019, um casamento realizado na Tailândia, em 2019, teve uma série de problemas para emissão de passagens e vouchers de hotel para os noivos e convidados. Segundo o contratante, a Outsider ficou responsável pela cerimônia e toda a logística para receber os convidados, incluindo passagens e hospedagens. Modus operandi e acusações Fontes policiais e judiciais ouvidas pelo g1 e pela TV Globo em novembro apontavam que a estratégia da Outsider sob a gestão de Sampaio incluía: Oferta de pacotes com preços abaixo do mercado, atraindo clientes interessados em viagens esportivas e eventos. Entrega parcial dos serviços, como uma forma de tentar afastar a acusação de dolo ou de fazer com que as queixas fossem tratadas apenas na esfera cível. Em muitos casos, após decisões judiciais favoráveis aos consumidores, haviam dificuldades para localizar bens em nome do empresário para ressarcimento ou mesmo para efetivar o pagamento das quantias devidas. Há também indícios de que Sampaio tenha utilizado CNPJs de outras empresas, inclusive de pessoas próximas, para continuar recebendo pagamentos relacionados às operações da Outsider, dificultando a responsabilização patrimonial. Atualmente, segundo investigadores, empresas no Rio e em São Paulo não estão no nome de Fernando. Diante dos problemas na entregas de pacotes, a Outsider passou por suspensões de venda de produtos pelo Procon e órgãos de defesa do consumidor, em estados como o Rio de Janeiro. O que alega o empresário Dono da Outsider é indiciado por estelionato; endividada, empresa oferece pacotes para a final da Libertadores Entrevistado pelo g1 e pelo RJ2 em 2025, Fernando Sampaio disse que está tentando resolver todos os casos de produtos não entregues. "É uma coisa que é impossível de ser resolvida de uma forma imediata. Mas o que a gente já pagou demonstra que a gente tem uma boa intenção, pelo menos, de resolver os casos", disse ele em entrevista nesta terça-feira (11). Sampaio negou ser um golpista: "Eu não tenho bens, e isso é um outro ponto que prova que eu não sou um golpista. Porque, normalmente, quando a pessoa dá um golpe ela fica milionária. Eu, na verdade, só empobreci desde o problema de 2022." Ele alega ainda que já reembolsou mais de R$ 2 milhões. "Isso demonstra que a gente tem a boa intenção de resolver os casos". O g1 voltou a entrar em contato com a defesa do empresário após a prisão. O advogado Bruno Albernaz afirmou que não teve acesso aos autos e que só depois disso vai se manifestar.
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