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    Decisão de deixar custódia de embaixada em Caracas tem motivos, mas também é recado a governo Milei

    17 hours ago

    Itamaraty deixa de administrar embaixada argentina em Caracas A decisão do Brasil de deixar a custódia da embaixada argentina em Caracas pode ser lida também como um recado à Casa Rosada. A interpretação de interlocutores do governo brasileiro é de que a tarefa no comando da embaixada da Argentina foi cumprida. Diplomatas lembram que uma das principais demandas da operação era garantir a segurança de assessores de Maria Corina Machado, opositora do ex-presidente Nicolás Maduro, e que, desde maio, eles já não estavam mais no prédio da embaixada argentina. O Brasil argumenta que agora, com a captura de Nicolas Maduro e o governo interino de Delcy Rodriguez, há uma necessidade de a diplomacia brasileira rever seus planos e ações em Caracas. Para além desses motivos, há também um recado dado pelo Brasil ao governo de Javier Milei. O presidente argentino, que é um aliado de Donald Trump, celebrou recentemente a captura de Maduro postando em uma rede social uma provocação a Lula, com uma imagem do brasileiro e Maduro se cumprimentando. "A Argentina pediu nosso socorro para garantir a proteção de sua embaixada [em Caracas]. Nós garantimos a inviolabilidade da residência e o atendimento à equipe de Maria Corina Machado durante mais de nove meses. A oposição venezuelana reconheceu nosso compromisso e nosso esforço. É incoerente e injusto, depois disso tudo, o governo Milei vir provocar o Brasil com recados infantis", desabafou uma fonte ouvida pelo blog. Outra fonte da diplomacia lembrou outro episódio, de maio de 2024, quando a Petrobras destravou o fornecimento de gás natural à Argentina em meio ao risco de colapso energético no país vizinho. "Socorrer e ajudar para depois ter de ler ataques diretos à nossa presidência. Já fizemos nossa parte na embaixada deles. O resto é de responsabilidade deles. Vale o recado a Milei", disse esse profissional. Mesmo assim, diplomatas reforçam que as relações entre Brasil e Argentina seguem inabaladas, com diálogo direto e constante, no contexto de Estado, apesar da falta de proximidade entre os presidentes Lula e Milei.
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